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Dom, 02.02.2014

Humildade e vaidade

Jaime de Moura Ferreira (Administrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br - Em 01/10/2015

Jaime de Moura FerreiraNo decorrer natural da existência humana, as pessoas vão acumulando conhecimentos, verdades e valores materiais, que poderão modificar, em várias intensidades, suas estruturas mentais e espirituais. Dessa situação, surge a necessidade de os seres humanos reconhecerem suas próprias limitações.

Também, as pessoas podem chegar ao poder, porém, nem todas estão preparadas para absorvê-lo, tornando-se orgulhosas, prepotentes, dominadoras e cruéis.

Aquelas que alimentam a humildade dentro de si sabem que a fama adquirida tem que ser bem administrada, para que ela aumente, progressivamente, e se perpetue.

Essa humildade elevará a pessoa perante seus semelhantes, embora sem arrogância, prepotência e soberba, que lhe criará oportunidades para melhor conhecer a vida e desenvolver seus novos planos.

São muitos os exemplos de pessoas que conquistaram seu lugar na história, em diversas épocas e segmentos da sociedade, tendo a humildade como virtude inseparável: Steven Spielberg, Mahatma Gandhi, Ayrton Senna da Silva, Madre Tereza de Calcutá, Jesus de Nazaré e tantos outros, lembrados e exaltados como grandes líderes.

Para esses, Confúcio se expressou: “humildade é a única base sólida de todas as virtudes”.

As pessoas vaidosas fazem questão de divulgar seus conhecimentos e poderes, de maneira desvairada, frenética, de tal forma que a energia despendida para esse fim, acaba destruindo-os e tudo que lhes rodeiam.

As humildes realizam seus eventos, serviços e administram o poder, como, tão somente, determinações e contratos divinos, que lhes afirmam obrigações a serem cumpridas.

Entre as diversas forças existentes na natureza, sem discutir sua representação para a humanidade, apenas observando seus comportamentos, duas delas podem se constituir em exemplos, para indicarem a humildade e a vaidade arrebatada: o rio e o fogo.

O rio nasce, humildemente, em um minadouro e começa, por conta própria, seu processo de crescimento. Vai-se escorregando, docilmente, pelo chão onde nasceu, atingindo novos terrenos, em busca de um chamado superior. Na formação de sua estrutura arrojada vai acumulando alegrias, pelos vales que fertiliza e cachoeiras que são criadas; tristezas, por inundações provocadas, pela intromissão das chuvas e gerando destruições; camaradagem e companheirismo, pelos diversos contatos e acordos com pedras, montanhas e despenhadeiros; felicidades, pela condição de promover a vida, criando e alimentando peixes, pássaros, árvores e animais diversos; orgulho, sem vaidades, pela dimensão e profundidade do seu leito; e, finalmente, respeito, disciplina e obediência, quando, por maior e mais poderoso que seja, reconhece que existe um ser com energia bem superior à sua, ao qual vai se juntar: o mar.

O fogo já surge do conflito de dois ou mais elementos químicos. Assim que nasce, sua vaidade desvairada já lhe insufla para mostrar seu poder. Aí, de forma prepotente e avassaladora, vai queimando tudo que se encontra em sua volta, a fim de que a altura e o calor de suas chamas imponham- lhe o respeito exigido. Pouco lhe afeta a consciência pela destruição promovida; dispensa dores, remorsos e tristeza pelas vidas ceifadas; nem, tão pouco, se acomete de culpas, pelo lastro de cinzas, provocado.

Porém, a energia despendida para essa ação pirotécnica é tão forte e mal administrada que, em pouco tempo, aquele imenso clarão de poder, aquela violenta substância de terror, aquela beleza natural colorida vai-se exaurindo, morrendo lentamente, sobrando apenas a desolação pelas vidas e elementos destruídos.

Embora o fogo, na pré-história, tenha sido de grande proteção ao ser humano, em determinado tempo passou a ser utilizado como arma destrutiva. Também, não teve a humildade de compartilhar sua força com os outros elementos da natureza água, terra e ar. Então, se achou incontrolável, superior e dono do poder e, assim, transformou-se em prepotente, dominador e vaidoso.

O rio, embora em alguns casos mostre-se amedrontador, não se mostra superior aos outros, oferecendo suas águas para os mais diversificados usos, pelos seres humanos, animais e plantas.

Sua integração com os outros elementos da natureza lhe garante ser considerado como indispensável na terra. Dessa forma, demonstra que o topo da inteligência é alcançar a humildade.

Portanto, o sucesso com humildade, sem a falsa modéstia, tem um sabor todo especial, porque seu valor é reconhecido, aceito e apreciado por todos e sua ação é muito mais duradoura.

“A humildade é o reconhecimento da superioridade divina”. 

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