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O comentário

Jaime de Moura Ferreira (Administrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br) - Em 04/01/2016

Postei um comentário na rede social facebook, que dizia: “Estou preocupado com o que está acontecendo no nosso querido Brasil. Ultimamente, os brasileiros passaram a discutir a situação política com muito rancor, ensejando que amigos, parentes, companheiros, profissionais diversos e religiosos busquem soluções para o nosso problema, através da descompostura, ataques malévolos, e insinuações imagináveis em suas mentes que, com certeza, desagradará a um determinado lado. Temos que entender que estamos vivendo uma crise que deixa a todos estupefatos, porém, devemos ter a consciência que o Brasil é único e que todos nós somos brasileiros, por isso, irmãos”.

Vários concordaram e alguns, de forma bem carinhosa protestaram, fazendome entender uma crítica velada.

A grande realidade é que muitos brasileiros estão indignados. Porém essa situação, penso eu, é provocada pela nossa cultura pacifista, acomodada e desleixada para com os acontecimentos sérios e pela falta das cobranças à gestão pública, tão necessárias.

Poucos são os políticos que fazem da sua atividade uma missão eterna, em busca da melhoria da qualidade de vida da sua comunidade. Raros se “dedicam a pensar o país”; poucos chegam ao poder político e permanecem defendendo uma causa, seja qual for, educacional, preservação ambiental, defesa das crianças abandonadas e dos idosos, evolução da economia e tantas outras. O que se vê é a luta “democrática” pelo poder e, quando este é alcançado, a causa do político, via de regra, passa a ser o seu aumento patrimonial. O pior é a constatação da briga, hoje, entre os políticos, para alcançarem seus objetivos e, amanhã, estarão abraçados, pertencendo a um mesmo grupo. Ora, sendo assim, torna-se difícil identificar situação e oposição.

Com essa percepção, devidamente comprovada, por que usarmos a rede social para destilarmos nossos rancores políticos, se, no momento da votação, a maioria dos eleitores deixa de cumprir o sagrado direito de votar acertadamente?

Acontece que os eleitores, na sua maioria, são culpados por esse descaso dos políticos, pois, quando das eleições, não procuram distinguir aqueles que possuem uma causa a defender e muito menos suas realizações. Também, não acompanham sua atuação, após eleito. Sequer pesquisam sobre a história do candidato. Geralmente, os votos vão para amigos, parceiros de qualquer natureza, indicação de conhecidos ou, bem pior, para se beneficiarem com empregos e manutenção do seu status.

O sistema político brasileiro vem se especializando, ao longo dos anos, para a negociação mercantilista do poder, haja vista a existência de mais de trinta partidos registrados, como se a gestão pública fosse, tão somente, troca de benesses. Assim, os partidos políticos assumem o papel de coadjuvantes e não de executores da gestão pública. Falta compromisso para com a nação.

Via de regra, quem foi eleito defendendo causas, ou modifica seus valores e atitudes, ou será colocado ao lado, como um leproso, ou engolido pelo sistema existente.

Então, prevalece o desrespeito às instituições, o descaso para com os três poderes da República e o conflito flagrante da briga entre eles, buscando ser o mais poderoso.

Tudo que foi citado cria a indignação de alguns e a defesa radical de outros, gerando a situação de raiva e rancor, que abordo, podendo transformar nosso país, reconhecido mundialmente pela pacatez e simpatia do seu povo, em uma perigosa panela de pressão.

Será que falta tempo aos brasileiros, em seus respectivos redutos, pesquisarem a vida pessoal e profissional dos políticos, que pretendem iniciar ou continuar na política? O ideal seria alertá-los sobre a execução de suas promessas e enviar-lhes correspondência, que poderia ser pelas redes sociais, pela internet e até diretamente, informando que as mesmas seriam acompanhadas e, caso não viessem a ser cumpridas, eles seriam abandonados ao destino que criaram. Dessa forma, os políticos, pelo menos, identificariam que estavam sendo cobrados.Pela indiferença da maioria do povo brasileiro, no que se refere às realizações dos gestores públicos, essa atitude, a princípio, seria identificada como grande bobagem.

A realidade absoluta é que o povo brasileiro está atônito, sem rumo e com a sensação de vertigem e que, dessa forma mergulhará num poço sem fundo.

Onde estão as grandes lideranças do nosso país, de todos os segmentos, para assumir o comando e superar a crise, em um grande diálogo institucional, respeitando nossa Constituição?

Ainda há pouco, assistimos a ministra Carmen Lúcia (Supremo Tribunal Federal), no seu voto pela prisão do senador Delcídio Amaral, apresentar uma expressão que ficará na história do Brasil: “Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a Ação Penal 470 [mensalão] e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça. Aviso aos navegantes dessas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção. Não passarão sobre os juízes e as juízas do Brasil. Não passarão sobre novas esperanças do povo brasileiro, porque a decepção não pode estancar a vontade de acertar no espaço público. Não passarão sobre a Constituição do Brasil”.

Pronunciamento dessa envergadura assemelha-se ao do grande Ruy Barbosa, de 1914: “de tanto ver crescer as nulidades...”

Então, retorno ao início do meu comentário e, com força redobrada, insisto que os ódios e rancores externados no facebook pouca influência terá, pois a maioria dos brasileiros são os verdadeiros culpados por tudo que aí está, de uma forma ou de outra. 

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