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Prefeito recusa localização da estação Aeroporto do metrô em Lauro de Freitas

Redação - Em 30/01/2016

O prefeito Márcio Paiva observa o projeto com engenheiro da CCR: “em cima do marco de entrada, não. Não vamos dar alvará para construir nada ali”.
 
A construção de um terminal de ônibus junto à futura estação Aeroporto do metrô é o novo problema da CCR Metrô Bahia – a concessionária do sistema, também responsável pelas obras. A equipe de engenharia da empresa que esteve em Lauro de Freitas no mês passado para apresentar o projeto da estação esbarrou na oposição do prefeito Márcio Paiva (PP). A proposta da CCR é construir o terminal de ônibus exatamente onde o prefeito acaba de inaugurar o novo marco de entrada do município.
 
“Não vamos dar alvará para construir nada ali”, disse o prefeito, argumentando que a entrada da cidade ficaria feia. Para ele, “o metrô é de Salvador” e, portanto, a estação Aeroporto deve ser construída em Salvador, antes do marco de entrada. Márcio Paiva disse também que quer avaliar a qualidade dos materiais que serão usados e o projeto arquitetônico da estação.
 
A equipe de engenharia da CCR explicou que a localização da futura estação, na área hoje ocupada pela empresa “Central das Telhas”, no Km 0 da Estrada do Coco, é uma condicionante técnica ligada a raios de curva e limites de aclive, não havendo outra opção. A construção do terminal de ônibus em área contígua à estação do metrô é uma necessidade prática.
 
O “cone de aproximação” do aeroporto – área espacial destinada ao pouso das aeronaves – limita qualquer construção na cabeceira da pista, explicou o engenheiro Luis Fabiano, da CCR. Por causa disso, na cabeceira da pista, em paralelo à Estrada do Coco, a linha do metrô passará três metros abaixo do nível do solo, em trincheira.
 
O engenheiro Luiz Fabiano da CCR explica o projeto: condicionantes técnicas
 
O projeto inicial da estação previa localização mais afastada da via, mais próxima do aeroporto e com apenas três baias de ônibus, mas a concessionária chegou à conclusão de que a demanda de passageiros será muito superior a essa capacidade e resolveu criar um terminal de ônibus completo.
 
A empresa pretendia entregar a obra até dezembro deste ano, mas Márcio Paiva mostrou-se irredutível diante da proposta atual. “Vou falar com o governador para resolver isso”, disse.
 
Entretanto, a Estrada do Coco é área de domínio do Estado, embora a administração do trecho tenha sido cedida ao município e o terreno para onde a estação foi projetada, segundo a CCR, é propriedade da União – pelo que, em tese, a concessionária poderia simplesmente prosseguir com a obra. Qualquer adiamento no cronograma das obras implica em prejuízos financeiros para a CCR.
 
No ano passado, quando foram autorizadas as obras da linha 2, o diretor-presidente da CCR Luis Valença lembrou que “nós já entramos com mais de R$ 1 bilhão em recursos e precisamos que o projeto funcione”. Afi nal, “uma PPP só funciona se o projeto for executado, fi car pronto”, concluiu.
 
O prefeito reclamou ainda dos termos em que foi contratada a futura extensão da linha 2 até o km 3,5 da Estrada do Coco, no Centro de Lauro de Freitas, onde hoje existe o centro de distribuição da Insinuante. O tramo só será construído depois que a demanda de passageiros da estação aeroporto ati ngir determinado pico e mediante autorização do governo.  “O estado está sendo totalmente irresponsável com a cidade de Lauro de Freitas”, disse.
 
Como a estação Aeroporto será o fi m da linha 2 por muito tempo ainda, é para lá que vão confl uir as linhas de ônibus de Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho e outros municípios – e daí a necessidade do terminal de ônibus.
 
As mudanças na paisagem urbana não se limitam a Lauro de Freitas. Desde o fi nal do ano passado a CCR Metrô Bahia executa uma série de intervenções no sistema viário do trecho compreendido entre a estação de transbordo Iguatemi até o início da avenida Paralela, em Salvador. São mudanças necessárias para viabilizar a construção das futuras estações da Linha 2 do metrô Rodoviária e Pernambués.
 
Durante cinco meses, serão feitas obras para o reordenamento do trânsito da região. O terminal de transbordo Iguatemi será desati vado e, com isso, haverá a redistribuição de linhas urbanas e metropolitanas para novos pontos de ônibus na região e para o Terminal Rodoviária, também administrado pela CCR.
 
No local onde atualmente funciona o terminal Iguatemi, serão construídas salas técnicas e operacionais da futura estação Rodoviária do metrô, que fi cará localizada sobre as atuais pistas exclusivas dos ônibus. E a futura estação Pernambués será construída entre o supermercado Makro e a anti ga concessionária Americar, no meio do canteiro central da Av. Paralela.
 
Tudo indica que tanto a empresa como o governo da Bahia estão levando a sério o cronograma da obra. Os novos trens do metrô já começaram a desembarcar em Salvador. Os três primeiros trens, com quatro vagões cada, já chegaram. Outros 124 vagões chegarão até dezembro deste ano, integrando a frota dos 40 trens que vão atender as linhas 1 e 2 do metrô.
 
As novidades dos novos trens são passagem livre entre os carros, sem portas divisórias, o que possibilita uma melhor distribuição dos usuários no interior do metrô, e 22 câmeras de monitoramento e sistema de transmissão de voz e dados, que serão interligados ao Centro de Controle Operacional (CCO) da CCR.
 
Outras novidades são os 32 monitores informati vos e publicitários, 32 dispositi vos de emergência e 202 assentos anatômicos e revesti dos em tecido, que oferecem maior conforto aos usuários. Cerca de 10% desses assentos são preferenciais, desti nados para pessoas com defi ciência, idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e obesos. Com ar-condicionado e design moderno, os trens possuem 85 metros de comprimento e capacidade de transportar até 1.000 passageiros de uma só vez, com conforto e segurança.
 
Vagão do metrô (no alto): composições da linha 2 já começaram a chegar. Apresentação inicial do projeto, em 2012, previa outro local para a estação.
 
Os vagões saíram completamente embalados da montadora sul-coreana Hyundai-Rotem, em Araraquara (SP), em novembro, em quatro carretas de 30 metros de comprimento. Quatro batedores fizeram a escolta no trajeto de 2.024 quilômetros até Salvador.
 
Os equipamentos estão no Complexo de Manutenção Pirajá, especialmente construído para receber os novos trens e onde serão realizados testes estáticos e dinâmicos antes de iniciar a operação com passageiros, no mês que vem.
 
A ordem de serviço para o início da construção da Linha 2 do metrô, ligando Salvador a Lauro de Freitas, foi assinada há um ano pelo governador Rui Costa (PT). A obra vai melhorar e ampliar os recursos destinados à mobilidade na capital baiana, tendo investimento aproximado (Linha 1 e Linha 2) de R$ 3,6 bilhões, por meio de Parceria PúblicoPrivada (PPP) com a CCR Bahia.
 
“É um projeto importantíssimo para Salvador e para a Bahia. Hoje nós autorizamos o início da Linha 2, que vai chegar até Lauro de Freitas, garantindo que Salvador terá 41 quilômetros de metrô até 2017”, disse o governador na época. Rui Costa destacou que a construção da Linha 2 é importante também para a geração de emprego e renda, uma vez que há sete mil pessoas trabalhando na construção desse trecho do metrô, número que pode chegar a nove mil no período de pico das obras. 
 
Mapa da linha 2 do metrô prevê extensão até o Km 3,5, mas mediante aumento da demanda
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