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Parque Ecológico de Vilas do Atlântico permanece sonho adiado

Redação Vilas Magazine - Em 02/05/2016

A falta de pessoal, de equipamentos, de ferramentas básicas e até de serviços de limpeza pública são alguns dos obstáculos enfrentados pela equipe do Parque Ecológico de Vilas do Atlântico.
 
Mas o próprio domínio público do parque permanece um desafio para Jorge Neto e Cláudio Ferreira. Há cerca de dois meses, desde que foram contratados pela prefeitura, eles se desdobram para colocar alguma ordem num pequeno trecho do parque, compreendido entre a entrada principal, na praça da avenida Praia de Itapoan e a secretaria de Políticas para as Mulheres, na avenida Praia de Pajussara. O restante do parque continua impenetrável. “Em um mês fizemos o que não fizeram em nove meses aqui”, conta Neto – “no facão e na tesoura de poda, na guerra e na vontade de trabalhar”. Vontade é quase tudo o que ele tem à disposição até agora.
 
Professor Jaime Ferreira (esq.) e Cláudio Ferreira, auxiliar do parque: fazendo planos.
 
A antiga trilha, que circundava o parque, está hoje tomada pela vegetação e pela invasão das residências limítrofes. São verdadeiros quintais improvisados, além de depósitos de lixo. “Esse trecho beirando as residências, praticamente está todo cercado”, diz Jorge – “cada um fez seu quintal”. Em alguns “dá para a gente entrar”. Ao trecho do parque em que há um lago eles ainda não chegaram “porque aí já tem que passar por dentro das, ‘propriedades”. O pessoal pode pensar que é invasor, que é bandido.
 
E pode haver invasores que facilmente atacariam a equipe, como já aconteceu. Certa vez eles toparam com pessoas que “ameaçaram dar tiro”, conta Cláudio.
 
O parque não conta com qualquer tipo de vigilância.
 
Puxadinho de quintal: de acordo com Neto, invasão de área pública
 
No pequeno trecho em que Neto e Cláudio conseguem trabalhar foi construída em anos recentes uma passarela de madeira sobre o que já foi um brejo, cheio de espécies exuberantes e de origens variadas, como os oitizeiros que agonizam em meio a cipós, como que implorando por cuidados.
 
O lugar impressiona pela beleza natural, apesar da falta de limpeza. Claudio explica que a vegetação natural do parque é de restinga, não mata atlântica, embora tenham sido levadas para lá espécies desse bioma. Jorge Neto mostra uma muda de pau-brasil que traz na mão: próximo à entrada principal do parque há viveiros que ele quer recuperar. Já houve uma horta e até um orquidário, com piso caprichosamente decorado. “Isto aqui eu vou plantar para depois a gente introduzir aqui e nos arredores da cidade”, anima-se.
 
Jorge Neto, responsável pelo parque: só “no facão e na tesoura de poda, na guerra e na vontade de trabalhar”
 
Um parque infantil também foi tentado naquele espaço em anos recentes. Uma corda tirolesa para crianças aguarda em abandono que o parque tenha público. “Há cidades procurando um espaço como este e não têm”, diz o professor Jaime Ferreira, 72 anos, morador de Vilas do Atlântico e ambientalista militante. Há três anos ele propôs à prefeitura todo um “projeto de requalificação” que resultaria num “Parque da Cidadania”, com atividades educativas e culturais.
 
Segundo ele, “vários secretários municipais se apresentaram para executar”, diz Ferreira. “O desenvolvimento dessa requalificação seria, obrigatoriamente, sistêmico, ou seja, desenvolvido por diversas secretarias”, mas nada aconteceu.
 
No final do ano passado ele elaborou outro projeto, agora para requalificação da praça de acesso, que ganhou até proposta de nome: João Ubaldo Ribeiro.
 
O professor deu-se ao trabalho de medir ele mesmo a praça e destinar cada canto a uma função. Ele sonha com um pequeno palco para apresentações artísticas variadas, por exemplo.
 
Até recentemente o espaço, que é público, estava ocupado por duas enormes bancas de verduras e um bar. Hoje serve de abrigo ocasional a famílias sem teto. “A verdade é que esse complexo, parque e praça, passados mais de três anos, continua indisponível para a população de Lauro de Freitas e Vilas do Atlântico”, lamenta o professor.
 
Entulho junto aos muros das residências limítrofes: limpeza necessária. Ao meio, passarela de madeira no parque ecológico: projetos abandonados; e abaixo, as tartarugas do “posto avançado” do Tamar: perdidas em meio à palha dos coqueiros
 
Responsáveis pela nova tentativa de colocar ordem no parque, Neto e Cláudio estão empenhados. Enquanto não chegam as ferramentas, equipamento e pessoal prometidos pela secretaria de Meio Ambiente, eles fazem planos – o que ainda é grátis. “Não queremos ficar no trivial, queremos dar um passo além”, diz Cláudio. “Pretendemos fazer um lago para peixes, uma oficina de reciclagem”. A intenção é integrar as áreas verdes públicas de Vilas do Atlântico – declaradas Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA) há cinco anos.
 
Limpar a pequena área do parque que eles tentam restabelecer já seria um feito relevante. Logo no final da trilha que restou desocupada pelas invasões, a poucos metros do edifício da prefeitura, uma pilha de entulho vem aumentando ao longo do tempo.
 
A pilha de lixo mais visível é vizinha também da concha acústica, construída em anos anteriores e que hoje acumula sinais de deterioração. Mais adiante, a poda dos coqueiros, feita pela prefeitura cerca de quinze dias antes, continua à espera de ser recolhida. “A gente não pode trabalhar com isto aqui”, lamenta Neto. Algumas árvores também foram podadas recentemente para elevar a copa e permitir a circulação, mas os restos continuam por lá.
 
“Quando você poda a árvore, arrasta e leva o galho inteiro, não fica sujeira nenhuma”, explica Jorge Neto. “Mas quando você poda e deixa arriada lá no chão a tendência é secar e as folhas caírem, o que vai aumentar muito mais o trabalho e automaticamente o tempo para ser concluído”, ensina.
 
Em meio à palha da poda dos coqueiros, de repente surgem esculturas de tartarugas em escala natural. São as mesmas que um dia enfeitaram uma área pública cercada por uma guarita, em Vilas do Atlântico.
 
O espaço foi inaugurado pela prefeitura em junho de 2011 como “posto avançado do Tamar”. A ideia era retomar o espaço dando-lhe uma destinação, qualquer destinação.Abandonado o “posto avançado”, as tartarugas de fibra de vidro foram buscar abrigo no parque, longe da praia, mas não tiveram melhor sorte: continuam à espera de visitantes.
 
   
 
NOSSA OPINIÃO
A praça da entrada principal do Parque Ecológico de Vilas do Atlântico, na av. Praia de Itapoan, continua abandonada, inclusive mantendo o resto das construções irregulares que havia ali. O piso de pedra portuguesa está cada vez mais degradado e os canteiros acumulam mato. O espaço vai, aos poucos, sendo tomado por veículos que passaram a utiliza-lo como estacionamento. Local privilegiado, no chamado “centro” de Vilas do Atlântico, a praça é o retrato fiel do parque a que deveria dar acesso.

 

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