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Maravilha Mutante

Redação Vilas Magazine - Em 25/05/2016

No rio ou no oceano, Aracaju exibe cenários que se transformam, de casarões a ilha que dura algumas horas
 
 
ENCONTRO DAS ÁGUAS 
Variação da maré muda paisagem e faz ilha surgir por alguns instantes, enquanto influência de rio dá cor ao mar em Aracaju
 
Quiosques montados no meio da água e uma ilha banhada por rio e oceano anunciam que a diversão em Aracaju vai além das praias. E, em alguns casos, só dura algumas horas por dia.
 
Na Croa do Goré, no leito do Vaza-Barris, no povoado Mosqueiro, o cenário muda aos poucos, embalado pela maré, e o rio abre espaço para uma faixa de areia – com direito a mesas e petiscos. Logo a água que estava abaixo dos joelhos fica na altura da canela. Em pouco tempo, é possível caminhar.
 
O acesso é por lancha ou catamarã, e o trajeto é cercado por manguezais. Na Croa (banco de areia), um bar flutuante serve bebidas e comidinhas. Mas as mesas e cadeiras só chegam conforme a água baixa.
 
Apesar do movimento de turistas, o lugar é um convite para nada fazer, aproveitando a paisagem. Quando a água desce, o homenageado do lugar, o goré (um pequeno crustáceo, “parente” do caranguejo) aparece e vira alvo de câmeras, até se esconder em pequenos buracos na areia. A água é salgada, e, com a maré mais alta, águas-vivas tornam-se eventuais visitantes.
 
Abrigos na Croa do Goré, no leito do rio Vaza-Barris, no povoado Mosqueiro,em Aracaju
 
A partir desse ponto do rio, mais alguns minutos de barco levam à chamada Ilha dos Namorados. O extenso banco de areia tem o rio Vaza-Barris de um lado e o oceano Atlântico de outro. Diz a lenda que, certa vez, um casal foi à ilha, mas esqueceu de amarrar o barquinho. Sem ter como voltar, ficou alguns dias ali. O lugar, porém, acabou ganhando o nome para sempre.
 
Antes de voltar, guarde um momento para se refrescar e relaxar em uma das disputadas redes dentro da água.
 
O passeio de catamarã (croadogore.com.br; R$ 60 por pessoa), incluindo as paradas na Croa e na ilha, leva em torno de cinco horas pelo rio, que, além de belezas naturais, guarda histórias.
 
O Vaza-Barris nasce no sertão baiano e deságua no litoral sergipano. A guerra de Canudos (1896-97) aconteceu em suas margens, na Bahia. Em Sergipe, dizem que o nome do rio é consequência da Segunda Guerra, quando navios naufragaram e seus barris vazaram na região. Atualmente, são calmas e mornas as águas em que se banham os turistas.
 
Na beira da praia
Se o sol e as caminhadas fizerem você suar, um suco de mangaba ajuda a baixar a temperatura. Na hora da fome, prove um caranguejo – no pastel ou na casquinha. A orla de Atalaia, ponto de encontro com entretenimento para todas as idades (boa parte gratuitos), tem também variedade nos cardápios.
 
A praia é marcada pela extensa faixa de areia até o mar. A cor da água, mais escura – chamada ali de perolada –, é resultado da influência dos afluentes do rio Sergipe. Mas isso não prejudica o banho ou a paisagem.
 
À beira-mar, a sequência de atrativos chama a atenção. Quadras e pista de skate são, geralmente, frequentadas por moradores, mas o turista pode usar, sem custo.
 
Tiradentes no monumento Formadores da Nacionalidade
 
Pelo caminho, monumentos relembram a história. O dos Formadores da Nacionalidade homenageia, e deixa lado a lado, nomes como Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Dom Pedro 2º e Getúlio Vargas. Já o Espaço de Convivência e Cultura destaca, em um grande círculo, personalidades sergipanas.
 
Ainda na orla, o Oceanário de Aracaju, do projeto Tamar, tem aquários de água doce e salgada, além de tanques com tubarões e tartarugas. E a famosa Passarela do Caranguejo, também em Atalaia, é um corredor gastronômico com o crustáceo em variadas receitas. Para acompanhar a comida típica, forró – que entra pela madrugada.
 
 
TRÊS MERCADOS REÚNEM SABORES E CORES DA CAPITAL
As cores das frutas e os artesanatos enchem os olhos de visitantes nos mercados de Aracaju. Lado a lado, são três os espaços – uma boa maneira de conhecer a cultura e os sabores locais.
 
O mercado Albano Franco é uma espécie de grande feira popular, onde cheiros se misturam. Há vegetais, diferentes tipos de pimentas, ração, roupas. Mas as frutas típicas são o destaque do local.
 
 
Ele fica separado dos outros dois mercados pela praça Hilton Lopes, conhecida por ser palco do Forró Caju, evento que faz parte dos festejos juninos. O complexo formado pelo Thales Ferraz e pelo Antonio Franco reúne cultura e culinária.
 
Além de lembrancinhas, é possível encontrar tradicionais livros de cordel, pequenas barbearias misturadas a lojinhas de artesanato, ervas medicinais e restaurantes e boxes com castanhas de vários tipos, rapadura e queijos.
 
Os mercados estão no centro histórico da cidade. Por lá, se vê a Ponte do Imperador, por exemplo. O pequeno ancoradouro foi construído em 1860, na margem do rio Sergipe, para receber a visita de Dom Pedro 2º e sua comitiva. A estrutura, hoje sem uso, fica em frente à praça Fausto Cardoso, região onde ficam o palácio de mesmo nome, antiga sede da Assembleia Legislativa, e o Olímpio Campos, antiga sede do governo e atualmente um museu.
 
 
CULTURA SE ESPALHA PELAS RUAS E EM MUSEUS
Instituições reúnem folhetos de cordel, queijadas e artesanatos, que fazem parte da paisagem da capital. Com entrada gratuita, complexo cultural usa projeções em 360º para fazer exposições hi-tech e interativas 
 
Se interagir com moradores de qualquer cidade é a melhor forma de conhecer a cultura local, negociar com um feirante, trocar rimas com repentistas e ouvir expressões e sotaques diferentes são uma experiência ainda mais rica na capital sergipana.
 
 
Tanto que virou museu. Em Aracaju, o Museu da Gente Sergipana (grátis; museudagentesergipana. com.br) leva o visitante a uma imersão em hábitos e cenários, com diferentes atrações interativas.
 
Em uma delas, que lembra uma feira, por exemplo, o vendedor virtual Josevende responde ao visitante. Em outra, basta escolher os ingredientes em uma mesa virtual para “montar” pratos e conhecer receitas típicas, como a famosa queijada de São Cristóvão, de origem portuguesa. A cidade histórica é conhecida pela guloseima feita com coco ralado e ovos.
 
Para conhecer efetivamente o povo sergipano, o visitante “embarca” em um túnel com projeções feitas em 360º. A sequência de imagens faz com que o banco, em formato de barquinho, pareça que está em movimento.
 
Entre outras atrações, há uma brincadeira de amarelinha que aciona vídeos com as principais festas populares do Estado. Outra ferramenta usada é um grande jogo da memória, que associa trechos de músicas e poemas.
 
Cultura Popular
Pertinho do museu, o Centro Cultural de Aracaju também tem entrada gratuita e merece visita. Localizado no prédio da antiga alfândega, o local tem exposições e uma biblioteca especializada em obras sobre a cultura local.
 
A surpresa está na lúdica e colorida Sala da Cultura Popular, repleta debrinquedos, bonecos do Mamulengo do Cheiroso (grupo teatral fundado nos anos 1970 na região) e folhetos de cordéis.
 
Mas é na rua que a cultura popular se torna mais pulsante. Na orla de Atalaia, Carlos da Silva Bastos, 58, vende artesanato há 38 anos – e, por isso, é apontado como um dos mais antigos artesãos. Bastos afirma que é preciso se adaptar sempre. Começou vendendo bijuterias, fez quadros e, atualmente, aposta em quadrinhos que usam cascas de ostras e pinturas feitas em tampinhas de refrigerante, que são vendidas como ímãs de geladeira. “Vendo hoje para comer amanhã”, afirma o artista, que demora cerca de cinco horas para terminar uma das tampinhas.
 
Foto: Pião em mesa interativa do Museu da Gente Sergipana
 
 
DICAS
Mangará (Av. Beira Mar, 1024, Praia 13 de julho. Tel.: 79 3246-2874). Culinária nordestina com variedade de saladas, carnes e doces, em um ambiente alegre, com decoração rústica.
Restaurante do Gonzaga (Mercado Antonio Franco. Tel.: 79 9949-2191). Ambiente muito simples, com destaque para a excelente comida caseira preparada pela dona Carminha, esposa do Gonzaga. Café da manhã e almoço.
Restaurant Potyguar (Av. Hermes Fontes, Salgado Filho. Tel.: 79 3214-4995. Especiaslizado em carne de sol, que vem à mesa ao gosto do cliente: magra, média ou gorda, acompanhadas com paçoca, farofa d´água, feijão de corda e macaxeira. Não deixe de provar a carne de sol na nata.

 

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