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Thiara Reges - Em 17/08/2016

“Já estive aqui mais de 10 vezes. Iniciei o tratamento das vistas e como tem a clínica aqui mesmo, posso continuar. Não sei como seria se tivesse que ir até Salvador”. O desabafo do sr. Alvino Santos, 69 anos, morador da localidade de Monte Gordo, em Camaçari, conta um pouco da relação da comunidade com a Fundação Emaus e Centro Oftalmológico Emaus.
 
Construído em 2013 através de uma iniciativa da Fundação Emaus, clubes de Rotary da Itália, Rotary Club de Lauro de Freitas e Associação Missione Brasile da Itália, o Centro Oftalmológico Emaus conta com equipamentos de alta qualidade, com capacidade para atender em média 90 pacientes/dia, de baixa e média complexidade, a exemplo de exame oftalmológico, autorefrator e campo visual.
 
Mas o cenário atual não está como previsto quando da implantação do espaço. Como os atendimentos dependem da regularização da parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS) através da secretaria de saúde do município de Camaçari, em greve, o centro consegue atender apenas duas vezes na semana, em apens um período, atingindo somente 2% do público estimado.
 
“O local mais próximo para atendimento oftalmológico para esta população é aqui na Fundação Emaus, que agora depende apenas da liberação das guias de atendimento do SUS por parte do posto de saúde. Se não for aqui, as pessoas tem que se deslocar para Camaçari, Salvador ou Lauro de Freitas. Existe demanda pelo atendimento, existe a estrutura, existem equipamentos, falta apenas a parceria efetiva com o município”, destaca o padre Luis Carrescia, coordenador da Fundação Emaus.
 
A médica Rita Ferreira, responsável técnica da unidade destaca que tão logo acabe a greve, a busca será pela regularização da parceria com o município para o pleno atendimento da comunidade, dando continuidade ao único projeto já iniciado, que atende pacientes com glaucoma, além de iniciar novos projetos, a exemplo do Olhar Brasil, cujo foco é nas crianças. “A unidade está pronta e conta com o que há de mais moderno para atendimento de pacientes de média complexidade, mas sem a parceira com o SUS, através do município, não temos como ampliar o número de atendimentos”, frisa a profissional.
 
Glaucoma
“Semana passada mesmo fui para Salvador e consegui levar mais quatro pessoas, o que cabia no carro. Sempre que vou buscar meus remédios procuro saber quem está precisando também e levo. Acho que nós temos que nos ajudar”.
 
Seu Nivaldo Bispo, 67 anos, é um dos pacientes do Centro Oftalmológico Emaus. Diagnosticado com glaucoma, faz as consultas na sua localidade, mas precisa se deslocar até Salvador para ter acesso aos colírios, algo que segundo a oftalmologista Karla Leite, médica da unidade, não era para acontecer, “até porque, a probabilidade de um paciente parar o tratamento por não ter o colírio é muito grande, e nos preocupa”.
 
Atendendo na localidade a dois anos de forma voluntária, o trabalho de Karla está hoje voltado principalmente para o tratamento de glaucoma. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 3% da população brasileira acima de 40 anos possa ter glaucoma, doença causada pela lesão do nervo óptico e relacionada à alta pressão do olho, que pode levar à cegueira.
 
Pessoas com mais de 50 anos, com histórico familiar da doença, afrodescendentes, pacientes com pressão elevada do olho devem se submeter a exame oftalmológico de forma regular. O tratamento da doença é feito com colírios e é oferecido pelo SUS. Em 2015, foram registrados 2,2 milhões de atendimentos.
 
Durante triagem na localidade, que possui cerca de 20 mil habitantes, foram identificados 220 pacientes com glaucoma. “Para o tratamento ser completo, a parceria com o município deve prever além das consultas, a entrega dos colírios, que tem um valor elevado para esta população, mas é importante destacar que sem os colírios a doença, que não tem cura, continua progredindo. A parceria que temos hoje só contempla as consultas, e em números ainda reduzidos. Quanto aos colírios, os pacientes precisam procurar outras unidades, mas essa tentativa de solução tem sido complicada para eles, e muitos acabam desistindo do tratamento”, completa a oftalmologista.
 
Fundação Emaus
Com aproximadamente 10 anos de atuação, a Fundação Emaus, coordenada pelo padre Luis Carrescia, começou, de certa forma, através do incentivo dos seus amigos italianos, que queriam ajudar a localidade a partir de sua vocação pastoral.
 
O nome Emaus foi escolhido em uma passagem bíblica do Evangelho de Lucas, que conta a ida dos discípulos para Emaus, levando a boa nova para Jerusalém. “O nome quer dizer lugar de encontro, esperança de vida”, explica Padre Luis.
 
A instituição é sem fins lucrativos, com finalidade socioeducativa. Hoje, além do centro oftalmológico, a Fundação conta com unidade escolar, que atende crianças de 3 a 5 anos, estufas para cultivo hidropônico e Centro Polivalente (espaço destinado a prática de esportes, cultura, atividades lúdicas e eventos), onde a instituição fornece regularmente reforço escolar para 50 crianças.
 
“A Fundação tem finalidade de ajudar as crianças, jovens, disponibilizar o espaço, a clínica… Espero que em breve a parceria se regularize e o trabalho possa ser ampliado, não apenas no atendimento do glaucoma, mas como novos projetos como o Olhar Brasil, que é um atendimento voltado para as crianças, dando inclusive os óculos quando necessário”, completa Padre Luis.

 

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