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Rede social precoce

Rachel Botelho / Folhapress - Em 02/11/2016

Para evitar problemas como pedofilia e bullying, monitoramento das crianças pelos pais deve ser constante, dizem especialistas
 
Criança ainda não tem maturidade para entrar em rede social, dizem alguns. Não adianta proibir, porque hoje praticamente todas têm celular, acreditam outros.
 
Enquanto pais e mães se debatem para saber quem está com a razão, há uma única certeza: é preciso orientar as crianças e acompanhá-las de perto no uso das redes sociais.
 
Apesar de a maioria delas, como o Facebook e o Instagram, recomendar a entrada apenas a partir dos 13 anos de idade, uma pesquisa conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI. br, composto por membros indicados pelo governo, setor tecnológico e sociedade) mostrou que, em 2013, 43% das crianças de nove e dez anos com acesso à internet já tinham perfil próprio em uma rede social.
 
Participaram da pesquisa mais de 2.000 crianças e adolescentes (dos 9 aos 17). O objetivo era traçar um panorama de riscos e oportunidades digitais para a faixa etária.
 
Para a advogada Patricia Peck Pinheiro, especialista em direito digital, os brasileiros não têm o hábito de ler os termos de uso dos serviços e faltam campanhas de conscientização sobre os inúmeros riscos do uso das redes, como exposição da intimidade, pedofilia e ciberbullying.
 
“Os pais têm o dever legal de vigilância. O aparelho conecta a criança a uma rua digital global”, alerta a advogada. Para os especialistas ouvidos pela reportagem, por ainda não terem capacidade de administrar a exposição da intimidade que as redes exigem e por serem mais suscetíveis a investidas de pessoas mal-intencionadas, as crianças devem aguardar a idade mínima recomendada para fazer parte desse universo.
 
Sentada no sofá de casa, ela não percebe que a internet é um espaço público e que tudo o que ocorre em seus domínios fica documentado, criando uma pegada digital que pode trazer consequências graves, não só durante a infância mas também na vida adulta.
 
A neuropediatra Liubiana Araújo, presidente do departamento de desenvolvimento e comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, lembra alguns riscos menos conhecidos.
 
“A criança está construindo sua personalidade e, nas redes sociais, ela tenta se moldar de acordo com o que os outros esperam dela”, diz. “Sem falar que, ao ignorarem o limite mínimo de idade, os pais ensinam que as regras podem ser burladas.”
 
Os pais, por sua vez, têm muita dificuldade para resistir aos apelos insistentes dos filhos. “Eles vivem muito atarefados e ficam mais tranquilos quando as crianças estão no celular, nas redes sociais, porque elas dão sossego”, afirma a médica.
 
Gabriela de Moura Brasil, 39, está tentando. Ela liberou o Instagram para o filho Guilherme, de 10 anos, mas não cedeu à pressão para entrar no Facebook. “Não é fácil. A primeira coisa que ele fala é que fulano e sicrano têm. Eu explico que eles mentiram a idade para fazer o cadastro [aberto a maiores de 13 anos] e que eu sou contra”, diz.
 
Já a empresária Andréa Corrêa, 44, mãe de Guilherme, 13, e Gabriel, 9, é do time que acredita que não há como impedir o acesso às redes ““os dois meninos têm perfil no Facebook.
 
“Proibir não tem como, então tem que fiscalizar. Mas eu avisei que tenho acesso a tudo e os oriento para não conversarem com quem não conhecem”, conta.
 
Marcação cerrada
Uma das melhores estratégias para minimizar os riscos é participar da vida digital da criança – ou seja, observá-la quando joga, assiste a vídeos ou faz buscas.
 
E ensinar quais podem ser as consequências de se postar uma foto ou publicar um comentário nas redes, como faz a consultora de marketing Daniela Sene, 39, mãe de Nicole, 9, e Beatriz, 3. “Eu tenho a senha dela, mas prefiro entrar junto. Quando vi a foto de uma menina de biquíni, expliquei que há adultos que não são do bem e que não é legal postar esse tipo de foto.”
 
Daniela não vê o acesso às redes sociais como um “problema” porque, segundo ela, a filha foi orientada sobre como usá-las. “Não quero limitar algo que faz parte do mundo dela”, afirma a mãe, que é “amiga” de Nicole no Snapchat e no Instagram.
 
Fazer amizade ou “seguir” o filho nas redes sociais é mesmo uma boa estratégia, de acordo com os especialistas, porque permite saber com quem a criança se relaciona, ver se as fotos compartilhadas são adequadas, etc.
 
A publicitária Sandra Palazon, 51, acredita que as gêmeas Luiza e Isabela, de 8 anos, não têm maturidade ainda para ganhar um celular. As meninas tiveram uma aula na escola sobre os perigos da exposição nas redes sociais e, depois de muita conversa em casa, perceberam que as armadilhas são reais.
 
“Eu conversei com elas sobre o caso de uma amiguinha que postou a foto ao lado de um amigo sem maldade nenhuma e foi alvo de chacotas. Elas entenderam e não me pedem mais celular”, conta.
 
Segundo a neuropediatra Liubiana Araújo, é possível prevenir muitas situações arriscadas, mas os pais precisam saber falar “não”. “Estão banalizando os riscos e, quando acontece algo, todo mundo sofre”, alerta.

 

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