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Sustentabilidade adiada

Carlos Accioli Ramos (Diretor - Editor) - Em 01/01/2017

Sustentabilidade adiada
Entre as perspectivas para 2017, a criação de um Plano Diretor para a Região Metropolitana surge como promessa de dias melhores – caso traga de fato uma inversão do atual vetor de crescimento de Salvador. Nesse contexto, a ponte Salvador-Itaparica poderá levar para a ilha boa parte do adensamento urbano que há décadas progressivamente sufoca Lauro de Freitas.
 
Não se trata exatamente de uma boa notícia para a ilha, a não ser do ponto de vista dos que chamam desenvolvimento ao galopante crescimento urbano da capital baiana. Mas se ainda desconhecemos a sustentabilidade nesse campo, pelo menos despacharemos para os ilhéus parte das agruras do urbanismo selvagem.
 
Na mesma toada, a entrega da Via Metropolitana, que ligará a Estrada do Coco, ainda em Camaçari, à BA-526 e depois à Paralela, viria, em tese, desafogar o tráfego urbano de Lauro de Freitas. Entretanto, novos megaempreendimentos planejados para a cidade prometem anular a vantagem do desvio de trânsito para a Via Metropolitana.
 
Tanto no caso da nova via como no da ponte, estamos apenas acomodando mais “progresso” em vez de pensar as cidades em termos sustentáveis, promovendo o verdadeiro desenvolvimento – que passa necessariamente pela melhoria da qualidade de vida das pessoas, nunca pela deterioração, seja em nome do que for.
 
Parte do problema é que muitos dos nossos responsáveis políticos ainda acreditam que progresso é licenciar novos empreendimentos geradores de tráfego em massa, abrir mais centros comerciais e viabilizar condomínios com milhares de unidades habitacionais ao longo de vias que não se expandem na mesma medida, estimular o consumo e a ciranda financeira – vendendo o jantar para comprar o almoço.
 
Lagoa da Base
Em meio aos justos protestos das comunidades afetadas pela reversão da drenagem da Lagoa da Base para a bacia do Sapato pode-se perder de vista a absoluta necessidade de resolver os alagamentos naquela área. Não é o caso.
 
Lideranças comunitárias opõem-se à obra, apontando que o Sapato receberá, juntamente com a água pluvial, dejetos vários da Lagoa da Base, principalmente em tempo de chuva. Os que a defendem afirmam que todos os cuidados foram tomados para que tal aconteça com o menor impacto possível.
 
Vamos, mais uma vez, comprometer o futuro para viabilizar o presente, tropeçando nas próprias pernas.
 
Muito antes da paralisação das obras do sistema de esgotamento sanitário de Lauro de Freitas, o projeto de drenagem da Lagoa da Base supôs que ele estaria operacional quando se começasse a escavar em direção ao Sapato. Como se sabe, não está.
 
Mas a obra avança da mesma forma porque a prioridade é acabar com os alagamentos na Lagoa da Base – e não preservar o rio Sapato ou o Ipitanga ou o Joanes ou as praias, para o mesmo efeito. Qualquer um que tenha a sua casa alagada a cada chuva mais forte concorda com isso.
 
O problema reside na solução adotada para eliminar os alagamentos, não na prioridade estabelecida pelo governo.
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