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Suicídios ligados a desafio entre jovens exigem atenção especial

Cláudia Collucci / Folhapress. - Em 08/05/2017

Polícia investiga casos no Brasil; pais devem se atentar a mudanças bruscas
 
Um suposto jogo de incentivo ao suicídio, o “BlueWhale”, ou o desafio da Baleia Azul, que viroufebre entre os adolescentes de vários países, está relacionado a casos de suicídio e de automutilações entre jovens brasileiros.
 
No jogo, os adolescentes são previamente selecionados pelo Facebook ou WhatsApp para participar de 50 desafios, cumprindo tarefas que incluem mutilar partes do corpo, assistir a filmes de terror, subir no alto de um edifício e escutar músicas depressivas. A última “missão” é tirar a própria vida.
 
Ao menos três Estados brasileiros (MT, MG e PB) estão investigando casos de suicídio e de mutilações relacionadas ao “Baleia Azul”.
 
Em Vila Rica (MT), uma menina de 16 anos cometeu suicídio dia 11 de abril. Segundo a polícia, ela deixou duas cartas onde falava sobre as regras e a cronologia das ações a serem cumpridas e também apresentava alguns cortes nos braços e coxas.
 
À revista “Veja” a mãe da garota relatou que a filha havia mudado de comportamento nos últimos dois meses e que encontrou um papel em que a estudante havia escrito com a própria letra regras a serem cumpridas, como “abrace os seus pais e diga a eles que os ama”, “peça desculpas”, “tire a sua vida”. 
 
Em Pará de Minas (MG), a polícia investiga a morte de um jovem de 19 anos, no dia 12 de abril. Segundo a família, ele também estava participando do “Baleia Azul”.
 
À polícia, a mãe do rapaz relatou que ele vinha tentando deixar o grupo que estimulava o jogo, mas sofria pressão grande e nos últimos dias agia de forma estranha. Afirmou ainda que ele já tinha cumprido alguns desafios, como tirar uma fotografia assistindo a um filme de terror e filmar a ele mesmo no alto de um edifício, e chegou a se cortar tentando desenhar uma baleia no braço com uma lâmina de barbear quebrada, desafio que não terminou. O rapaz era casado e tinha uma filha recém-nascida.
 
A Polícia Civil mineira, que investiga o caso, diz que o grupo que o jovem participava está sendo investigado. Foram encontrados participantes com idades entre dez e 20 anos de todos os Estados.
 
Na Paraíba, o setor de inteligência da Polícia Militar dia 11 de abril uma investigação para apurar a participação de estudantes de JoãoPessoa no “desafio da Baleia Azul”. As denúncias são de que alunos de uma escola da capital paraibana estariam participando do grupo e já teriam realizado “tarefas” de automutilação.
 
O tema suicídio também tem sido abordado na polêmica série “13 Reasons Why” (algo como 13 razões pelas quais), da Netflix, e preocupado os especialistas em saúde mental por supostamente poder causar um efeito de imitação no mundo real.
 
Para psicólogos e psiquiatras, o momento exige uma atenção especial dos pais. O número de suicídios entre jovens tem aumentado em todo o mundo e, na maioria dos casos, há algum transtorno mental associado ao ato – em geral, a depressão.
 
A recomendação é para que se atentem para qualquer mudança bruscas de comportamento de seus filhos, especialmente os adolescentes.
 
Nos dois casos relatados acima, no Mato Grosso e em Minas, os jovens deram sinais de havia algo errado. Infelizmente, não houve tempo hábil para uma intervenção.
 
A situação também requer um cuidado redobrado dos meios de comunicação na forma como essas notícias estão sendo divulgadas.
 
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), quando o assunto é veiculado ao público de modo adequado, pode ocorrer o efeito de prevenção de suicídios e discussão saudável sobre o tema.
 
Por outro lado, quando feito de modo descuidado, o resultado pode ser exatamente o oposto, ou seja, pode serum incentivo à prática.
 
Um manual da OMS orienta, por exemplo, que devem ser evitadas descrições do método e das circunstâncias em que ocorreu a morte.
 
O “desafio da Baleia Azul” é também um caso de polícia. Instigar uma pessoa ao suicídio é crime, passível de pena de dois a seis anos de prisão. Se souber de grupos incentivando o jogo, denuncie.
 
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