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Caráter

Jaime de Moura Ferreira - Em 09/05/2017

Costuma-se dizer: fulano “não tem caráter” ou é “mau-caráter”. Mas, o que é caráter? Existem diversas conjeturas a esse respeito, inclusive é um tema bastante abordado na filosofia. Porém farei os comentários sobre o assunto, de acordo com o meu pensamento e experiência.

Tenho enfrentado múltiplas vivências com os seres humanos, quer sejam nos vários trabalhos profissionais, ensinamentos acadêmicos, grupos sociais, religiosos, políticos, empresariais e familiares. Em cada uma dessas participações fui aprendendo sobre o assunto e, dessa experiência, adquiri uma compreensão própria para o caráter humano.
 
O que me ficou muito claro é o fato de que o caráter determina o indivíduo; e é inerente ao espírito humano, cujas variações são inúmeras.
 
Então, pode-se concluir ser um conjunto de qualidades, boas ou más, de um ser, que lhe definem a conduta e a concepção moral.
 
O caráter não depende da educação formal e cultural, nem do ambiente socioeconômico, de onde o indivíduo saiu. É evidente que essa situação possa ter contribuído com a sua genética, porém não foi determinante para a formação de sua personalidade.
 
Cada pessoa possui um tipo de caráter e é facilmente detectado. Muitos se apresentam como críticos contumazes das covardias, incertezas e desregramentos de outras pessoas, inclusive taxando-as de “sem caráter”. Porém, praticam as mesmas maledicências e, em certos casos, piores ainda.
 
Esses seres humanos são extremamente perigosos, pois não enxergam suas personalidades eivadas de hábitos, vícios e atitudes danosas. Como exemplo, relembremos a novela O Bem Amado, quando o prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, magnificamente interpretado pelo ator Paulo Gracindo taxava todas as pessoas que falavam mau do seu governo de “mau caratistas”.
 
O pior caráter distorcido de um ser é quando o cidadão se faz de “amigo”. Procura absorver os valores daqueles dos quais se aproxima, porém, não tem a força moral e ética de praticar o que aprendeu e decepciona a todos. Isso pode ser identificado como falta de firmeza moral.
 
Também existem casos de pessoas assumirem realizações de outros, ou transferirem para aqueles que lhes agradam ou possam lhes trazer benesses.
 
Alguns corrompem seu caráter por poder (dinheiro, bens materiais, posição de destaque, etc.). Segundo o dicionário, “caráter é a força de honradez que, moralmente distingue as pessoas”. Sendo assim, pergunta-se: os humanos que praticam essa atitude têm, realmente, um caráter bem formado?
 
Outros não conseguem ou não querem entender os seus patamares evolutivos de personalidade, pensando, exclusivamente, em si e naqueles que lhes interessam.
 
Pior, quando se aproximam do poder não têm a capacidade de enxergar o coletivo. Faltam-lhes patriotismo, vivem em eterna provisoriedade, jamais tomam uma posição de realce, pois não querem se incompatibilizar com aqueles que lhes trarão benefícios. Sempre trocando favores por distinções. Suas ações dirigem-se para a corrupção, não se importando se maior, menor, leve ou grave.
 
Muito difícil é a flexibilização do ser humano, na transformação do seu caráter. Segundo os estudiosos, a personalidade humana firma-se até à adolescência. Assim, o humano que chegou à maturidade, com seu caráter formado, é pouco provável que tenha condições de modificá-lo. Pode até mudar seu comportamento.
 
O surgimento dos corruptos, que representam a maior lástima existencial de uma população, promovem uma sociedade viciada e acomodada e a verdadeira democracia torna-se mais complicada para ser instalada e exercitada.
 
Lamentavelmente, os berços políticos, com raras exceções, que representam o povo, continuam com as mesmas práticas da profissão vantajosa, por poucos esforços e institucionalizam o crime. Identifica-se, então, o esfacelamento ético e moral dos poderes independentes da República; a minguagem da confiabilidade da população; e as promessas deslavadas e mentirosas assumindo o lugar da verdade.
 
Segundo os religiosos, essas pessoas irão para o inferno. Será?
 
Pelo menos, conforme Dante Alighieri, escritor, poeta e político florentino (20/6/1265 -14/9/1321), em sua obra Divina Comédia – poema de viés épico e teológico da literatura italiana e da mundial, escrito no século 14 e dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso ‑ registra: “os lugares mais quentes e sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempo de crise moral”.
 
Aguardemos o julgamento final!
 
JAIME DE MOURA FERREIRA
Administrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, ambientalista, sócio  fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br
 
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