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Apesar de riscos, testosterona em gel ganha espaço em academias

Gabriel Alves / Folhapress - Em 22/08/2017

Medicamento é indicado para tratar insuficiência hormonal, mas se tornou objeto de abuso
 
Entre as complicações estão enjoo, problemas de pele e na próstata, irritabilidade e maior risco de infarto e de AVC
 
Um medicamento na forma de gel é o mais novo objeto de desejo e de abuso por fisiculturistas, atletas e lutadores que buscam um atalho farmacológico na obtenção de mais músculos e disposição.
 
Diferente de outras formulações à base de testosterona, o Androgel, da farmacêutica Besins, é vendido sem a necessidade de retenção de receita, o que, na prática, significa livre comércio nas drogarias.
 
“Em toda academia tem alguém que vende anabolizante, é fácil de conseguir. Mas eu não queria tomar injeção e esse [Androgel] dá pra comprar na farmácia e é aplicado sobre a pele”, disse um professor de muay thai na faixa dos 30 anos que não quis se identificar.
 
Segundo um exame laboratorial, sua testosterona estava abaixo do limite inferior esperado, de 300 nanogramas por decilitro (ng/dl). Ao somar, por conta própria, o resultado do exame com a percepção que andava cansado, resolveu testar o produto.
 
Ele conta que usou o Androgel ao longo de 20 dias, em uma dose abaixo do que seria geralmente recomendada. “Me senti melhor, mais disposto. Não sei se foi o psicológico [efeito placebo], que a gente sabe que existe, mas me senti bem. Não sei se quero usar mais, mas certamente recomendaria para um amigo”, afirma.
 
Um personal trainer que também pediu para não ter o nome revelado diz ter feito uma escolha “consciente” ao empregar o Androgel: “Nunca tinha usado nada e pra mim o resultado foi muito bom. Me sinto muito mais forte e a libido aumentou absurdamente”, diz. “Pesquisei bastante e até pedi a opinião de médicos e nutricionistas”, diz.
 
PROBLEMAS
Para ele, que usou o medicamento por menos de um mês, houve efeitos colaterais importantes: “Senti muita tontura e dores de estômago e cheguei até a passar mal. Outra coisa foi a irritabilidade, algo natural da testosterona. Eu tento pensar: ‘Calma que eu estou tomando esse negócio...” Aí eu respiro fundo e tento manter o controle emocional da situação. Ainda bem que sou um cara bem tranquilo.”
 
Além desses efeitos colaterais mais imediatos, outros podem surgir, como acne, aumento da próstata (maior risco de câncer), infarto e ginecomastia (aumento da glândula mamária em homens). “Mas há médicos que já receitam outro remédio, se for o caso, para tomar junto e evitar a ginecomastia”, afirma o personal trainer.
 
“Uma complicação importante é que o organismo saudável pode simplesmente parar de produzir naturalmente a testosterona – o que pode até levar à infertilidade”, adverte Archimedes Nardozza, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.
 
Para atletas que usam a droga para melhorar a performance, também há preocupação com exames antidoping, já que a concentração do hormônio no sangue pode subir a um nível acima dos 900 ng/ dl – limite superior na faixa de normalidade para homens.
 
“Tudo que se consegue muito rápido, da noite para o dia, não se mantém. Isso vale tanto para dieta para perder peso quanto para a obtenção de massa magra”, diz a médica nutróloga Liliane Oppermann. “O timing é importante – ninguém fica forte em um mês. E, se fica, é com prejuízo para a saúde.”
 
“Não acho que seja ingenuidade dessas pessoas. É querer ser espertinho, não querer ir ao médico”, diz. Liliane explica que a escolha da dieta e dos suplementos alimentares – e medicamentos, se for o caso – que vão ajudar alguém a alcançar seus objetivos é individual.
 
São levados em conta fatores como a rotina diária e o histórico familiar para doenças como câncer, por exemplo.

 

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