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Civilização

Carlos Accioli Ramos (Diretor - Editor) - Em 04/10/2017

CIVILIZAÇÃO
O sistema cicloviário chega a ser um avanço civilizatório numa cidade vítima do inchaço urbano e da selvageria do trânsito motorizado como é Lauro de Freitas. Representa uma retomada do espaço pelas pessoas, que precisam ser levadas em conta. E representa um choque de realidade para quem ainda acredita que as ruas pertencem aos carros.
 
A julgar pelo mapa do projeto Cidade Bicicleta, da Conder para Lauro de Freitas, a que a Vilas Magazine teve acesso, a imensa maioria da rede cicloviária local será composta por ciclofaixas compartilhadas – basicamente rotas marcadas na margem das mesmas faixas onde já circulam e continuarão circulando os carros. Fundamental destacar que os ciclistas já estão nas ruas, todos os dias, a caminho do trabalho, das escolas e de casa, compartilhando exatamente as mesmas faixas com os carros.
 
Os dados são do IBGE, não de uma enquete qualquer. O brasileiro, o nordestino, o baiano pedala principalmente para se locomover no dia a dia – não por esporte ou lazer. Os números alcançam um terço da população, incluindo uma imensa maioria de desprivilegiados que, efetivamente, têm direito às ruas.
 
A única diferença que o sistema cicloviário fará em relação à realidade existente é que a ciclofaixa demarcada requer maior cara de pau dos motoristas que insistirem em ignorar, constranger e ameaçar a segurança dos ciclistas, como se estes não tivessem o direito de circular nas ruas. A diferença é que os ciclistas estarão mais seguros.
 
O ideal, claro, são as ciclovias segregadas, onde a bicicleta está completamente a salvo do trânsito. E o projeto prevê o melhor aproveitamento de cada pequeno espaço longe do asfalto. Para não comprometer o espaço de circulação de veículos, o projeto da Conder opta até pela solução intermediária – as ciclofaixas exclusivas, como as previstas para Vilas do Atlântico. Mas as ruas são para todos e o Código Brasileiro de Trânsito diz que as bicicletas têm prioridade.
 
REVÉILLON RESPONSÁVEL
A presença de ninhos de tartaruga marinha nas praias de Lauro de Freitas a partir desta temporada tem impacto civilizatório semelhante à do sistema cicloviário. Não porque a população subitamente vá se envolver no esforço de preservação de espécies ameaçadas de extinção. Até porque as leis ambientais seriam desnecessárias se a maioria de nós cultivasse um mínimo de senso comum.
 
O impacto virá de uma noção que para muitos é revolucionária: a praia é um espaço de todos em vez de pertencer a ninguém. Os excessos que alguns praticam com desenvoltura em área pública poderão agora ser contidos pela mão pesada da lei ambiental.
 
É perfeitamente possível usufruir das praias sem destruir ninhos de tartaruga, até mesmo na noite de revéillon. Nada impede que cidadãos avisados – e se necessário supervisionados pela autoridade policial – comemorem o ano novo sem pisotear ninhos ou filhotes a caminho do mar. As tartarugas adultas, com certeza, não subirão às praias naquela noite. Elas têm um juízo que muitos de nós ainda precisamos adquirir.
 
METRÔ NO KM 3,5
Por falar em civilização, um terceiro marco do tipo estará mais perto da realidade de Lauro de Freitas em dezembro, para quando está prometida a estação Aeroporto do metrô. Ainda faltam uns 3.500 metros de trilhos até o Km 3,5 da Estrada do Coco e outros tantos até Portão. Ficou combinado que a cidade vai esperar, paciente. Mas ninguém baixou a guarda nem vai aceitar corredores de ônibus em vez do metrô, mesmo que usem o termo em inglês: o BRT.
 
Dito isso, é preciso reconhecer que os 29 quilômetros já existentes representam uma transformação urbana de primeira qualidade para a capital baiana e, vivendo a paredes-meias, para a população de Lauro de Freitas. O mérito dessa conquista reside na gestão objetiva do governo estadual, focada em obter resultados. O governador Rui Costa, que passou três anos mais cuidando de trabalhar do que de falar, entregou o prometido. Por isso a cidade confia que o Km 3,5 também será entregue.
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