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Transparência

Carlos Accioli Ramos (Diretor - Editor) - Em 05/11/2017

Transparência
O Observatório Social do Brasil chega a Lauro de Freitas para acompanhar as contas da prefeitura e da Câmara praticamente em tempo real, como conta a reportagem que publicamos nesta edição a partir da página 21. Trata-se uma das iniciativas mais meritórias de que se tem notícia num país que se habituou a reclamar dos políticos sem fazer nada a respeito disso.
 
Em torno da entidade, milhares de voluntários resolveram agir, prevenindo o que até poderiam ser desvios de dinheiro público – antes que eles aconteçam. Muitas vezes serão apenas atos de mera incompetência ou desinteresse pela coisa pública, que da mesma forma é preciso prevenir, poupando milhões aos cofres públicos.
 
Vale destacar que a iniciativa parte de dois jovens profissionais da cidade, mas conquistou o interesse de um senhor de 74 anos, que na primeira hora se alistou para o trabalho. Ele, que na aposentadoria enfrenta as insuficiências do serviço público de saúde, junta-se a jovens que querem fazer a sua parte para dar outro rumo ao país, partindo da esfera municipal. Tudo isso é, no mínimo, inspirador.
 
Importante sublinhar o caráter comprovadamente apartidário da entidade, a metodologia técnica do acompanhamento das contas públicas e o afastamento em relação ao “denuncismo”, tão comum nos indignados que nada fazem para reverter o quadro.
 
Barquinho
Indignação foi o que mais transpareceu quando dinheiro público – ainda que oriundo de contrapartidas – foi aplicado num monumento de duvidosa concepção, discutível significado e absolutamente nenhuma necessidade, plantado no canteiro central do Km 0 da Estrada do Coco com a logomarca da gestão municipal pintada no sopé.
 
O “barquinho do berimbau”, que estava lá antes e foi removido para dar lugar à coisa nova, não prestava melhor serviço à identidade municipal porque também tinha a bordo uma logomarca da gestão, como se equipamentos públicos fossem espaços de publicidade política, mas ao menos não custou tanto aos cofres municipais.
 
Anos depois a concessionária do metrô teve que reduzir o tamanho do projetado terminal de transbordo para a estação Aeroporto apenas para manter intacto e no lugar o tal marco novo. Agora, depois de tudo, surge a proposta de derrubar a coisa toda, supostamente porque o “barquinho do berimbau” é que era bom.
 
A disputa territorial com Salvador no entorno da estação de metrô pode não ser alheia à ideia peregrina. Há quem jure que a estação se encontra em Lauro de Freitas e há quem garanta que não, de jeito nenhum. Há quem diga que o transbordo está em terras soteropolitanas e quem pense que não. O IBGE dirá, com base na lei de limites de 1969.
 
Se a intenção for apenas construir o terminal de ônibus no tamanho correto, derrube-se a inconveniência. Mas se for meramente para enterrar as referências a gestores adversários, basta fazer como eles faziam e se voltou a fazer agora: pintar de outra cor sai mais barato.
 
CEP para todos
Por falar em disputa territorial e transparência, é necessário dizer claramente às pessoas que residem em Areia Branca e em Itinga, na faixa que pertence a Salvador, que elas se encontram em outro município e que também têm CEP, o da capital.
 
Se antes o CEP único de Lauro de Freitas era informalmente aceito pelos Correios para entregar correspondência na faixa soteropolitana daquelas duas regiões, hoje não é mais.
 
Duas reportagens nesta edição literalmente desenham a explicação de que há dois bairros em Salvador, batizados Areia Branca e Itinga – mas diferentes dos bairros de mesmo nome em Lauro de Freitas.
 
É injusto e injustificável que os residentes de Areia Branca e de Itinga, na parcela que pertence a Salvador, sejam privados do serviço público dos Correios ou orientados a usar um CEP comunitário de Lauro de Freitas quando aquelas ruas têm CEP próprio, da capital.
 
Até as pedras da calçada compreendem que toda aquela região deveria ser incorporada a Lauro de Freitas, que sempre a administrou. Mas a população não pode ser privada do adequado serviço postal apenas para manter de pé a ideia de que já é tudo nosso.
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