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Fé e superação: conheça a história de Diana de Oliveira

Diana de Oliveira - Em 06/11/2017

“Carnaval de 2016, estava eu falando na celular com minha mãe e deitada na cama, quando resolvi tocar no meu seio e senti um nódulo grande na mama direita e na esquerda não tinha nada. Achei estranho pois quatro meses antes tinha feito ultrassonografia das mamas e não tinha nada.

 

Esperei passar os festejos e procurei um mastologista, acreditando que não seria nada demais, afinal eu só tinha 27 anos e não tinha nenhum caso de câncer de mama na família. Nem o mastologista acreditava ser nada demais. O nódulos já tinha 3cm! Fiz uma punção e apareceram umas células atípicas, então o médico solicitou uma core biópsia. Fiz. Já sentia um receio, mas mesmo assim não acreditava ser nada demais; pensei que fosse só um nódulo benigno e que iria fazer a cirurgia para remover e acabou a história.

 

Até que um dia, antes de sair o resultado da core biópsia o mastologista me mandou mensagem pelo WhatsApp dizendo que Dr. Maira queria me ver no outro dia na clínica. Ok. Eu inocente nem procurei saber qual a especialidade dela, porque se soubesse que a mesma era oncologista já iria desvendar o mistério do nódulo. Fui para a consulta com meu marido e estava super ansiosa e tremendo na sala de espera para saber do que se tratava. Até que ela me chamou e fui com meu marido para o consultório. A mesma já tinha entrado em contato com o laboratório que estava analisando o material da minha core biópsia e me informou que se tratava de um CARCINOMA.

 

Gente, como é que pode??? Uma notícia dessas a gente nunca espera receber. CARCINOMA DUCTAL INFILTRANTE TRIPLO NEGATIVO (tem nome e sobrenome). Claro que chorei, mas precisava saber como seria dali pra frente, enxuguei as lágrimas e ela começou a me explicar sobre o tratamento. Super doce, me passava uma confiança e tanto. Por ser triplo negativo só poderia fazer quimioterapia, pois ele não responderia nem as vacinas nem a hormonioterapia, como em outros tipos de cânceres. Eu teria que fazer 6 meses de quimioterapia, ao total 16 sessões, 4 com intervalo de 15 dias e mais 12 uma vez por semana. Chorei de novo.

 

Como eu ainda não tenho filhos e a quimioterapia poderia me deixar estéril a médica sugeriu que eu congelasse um óvulo, mas que era um procedimento que o plano de saúde não cobria e é caro para a minha realidade financeira. Minha onco informou que eu poderia tomar o zoladex na tentativa de evitar que eu fique estéril, mas para garantir 100% de chances de engravidar após o tratamento apenas com o congelamento do óvulo. Disse a médica que no momento minha prioridade era me curar do câncer e que se fosse da vontade de Deus, depois eu teria um filho.

 

Após as quimioterapias eu iria fazer a cirurgia para remover o que a químio não "destruiu" e que teria que realizar um exame genético para ver se não era o mesmo caso da Angelina Jolie, se fosse, eu teria que fazer mastectomia das duas mamas e após ter filho retirar os ovários, pois o câncer poderia mutar para esses órgãos.

 

Daí em diante mudou toda minha vida, toda mesmo. Muda a vida social, profissional, sexual.. tudo! Sempre confie em Deus, e dessa vez mais do que nunca me coloquei nas mãos Dele e nem questionei a Ele o porque que isso estava acontecendo comigo, pois sabia que Ele estaria comigo a TODO momento.

 

Fiz mil e um exames e fui para minha primeira sessão. Equipe maravilhosa que me atendeu na clínica AMO, desde a recepcionista até chegar aos médicos. Dos efeitos colaterais da químio que mais tive foram: dor de cabeça, enjoo, boca amarga, olhos secos (após a sessão), indisposição, dor óssea, quando fazia uso do Filgastrin para aumentar a imunidade e ondas de calor, por conta do Zoladex.

 

Minha mãe se mudou para minha casa, durante o tratamento e me acompanhava em tudo e todas as sessões e consultas. Estranho quando você vai para a clínica tomar uma medicação para ficar boa e sair de lá sentindo-se pior do que entrou. Mas, fazia parte do tratamento! Até que chegou o dia do cabelo começar a cair, era desesperador você passar o mão na cabeça vir tanto cabelo. Chorei de novo! Fui raspar, passei máquina um e fiquei aliviada. E me achei super charmosa com os lenços :)

 

Depois dos cabelos caem sobrancelha, cílios e a melhor parte rs não precisava me depilar…

 

A priori seriam 16 sessões, mas o nódulo ainda não tinha diminuído, e já cogitávamos a hipótese de fazer a cirurgia antes de acabar as químios. Acabei fazendo 11 sessões (por um lado foi bom porque já tava cansada de fazer quimioterapia) e fizemos a mastectomia da mama direita com reconstrução imediata e esvaziamento axilar. Como o teste genético deu negativo, não precisei retirar a outra mama. O nódulo estava localizado perto da aréola e teve também que retirar a mesma :(

 

Na primeira semana de recuperação, e minha recuperação foi ótima, chorava quando me via sem a aréola, careca, sem sobrancelha, sem cílio… Mas me acostumei e Deus me fortaleceu e me fez vê que as marcas que ficaram são marcas de um milagre. E outra coisa: o câncer pode tirar tudo, menos nossa fé! Para meu marido nada mudou, com aréola ou sem aréola, o amor é o mesmo.

 

O resultado da biópsia do material da cirurgia foi bom, os 19 linfonodos da axila nenhum estavam contaminados e metade do nódulo estava necrosado. O ideal era o nódulo murchar com as químios e chegar a sumir mesmo, mas cada organismo reage de uma forma diferente e como nas avaliações o nódulo parecia não estar diminuindo, antecipamos o processo cirúrgico.

 

Após um mês da cirurgia comecei a fazer fisioterapia para restabelecer os movimentos do braço (e sim, tive muito medo de linfedema) e comecei a fazer a radioterapia, 25 sessões. Amei fazer rádio, sentia nada, maravilha! Comecei também a fazer a quimioterapia oral, com o Xeloda, 8 ciclos de 14 dias. Poucos efeitos também. E aí acabaram os remédios.

 

Não é uma doença fácil, mas temos a chance de cura e como eu quero viver muito ainda, vamos cuidar! Deus é muito bom, Ele é bom o tempo todo! E eu só tenho a agradecer. Hoje só faço acompanhamento de 4 em 4 meses. Meu medo hoje é de ter metástase, mas Deus é comigo.

 

Depois de tanta luta, você passa a ver as coisas com outros olhos, com mais amor, e sente na pele que as coisas podem mudar num piscar de olhos! Passou! Estou viva.”

 

Diana de Oliveira é nutricionista, natural de Cruz das Almas-Ba, moradora da cidade de Camaçari-Ba.

 
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