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Acidentes de moto sobrecarregam saúde pública na Bahia

Redação Vilas Magazine - Em 06/12/2017

Os acidentes de moto representam hoje o maior e mais grave problema de saúde pública do estado da Bahia. Além dos elevados custos econômicos e sociais, há o problema da grande taxa de ocupação de leitos hospitalares, já que as vítimas são quase sempre pacientes politraumatizados. A avaliação é do secretário estadual da Saúde Fábio Vilas-Boas, que lidera um recém-criado comitê de prevenção aos acidentes de trânsito envolvendo motos. “Se o número de óbitos assusta, o que dizer sobre os 300 motociclistas que se acidentam nos finais de semana em toda a Bahia, aumentando o número de casos de traumatismo craniano e toráxico?” disse Vilas-Boas em setembro, durante evento que tratou de medicina do tráfego.
 
O panorama é tão grave que se não houvesse acidentes de trânsito sobrariam leitos nos hospitais da Bahia. Mais da metade dos hospitais baianos está sempre ocupada com vítimas de acidentes, inclusive em função da gravidade dos ferimentos, que exigem internações mais longas, de até 90 dias. A taxa de mortalidade de acidentes de trânsito aumentou mais de 100% entre 2000 e 2014. Já as mortes de motociclistas cresceram mais de 480%.
 
Apenas nos seis primeiros meses de 2015, o Hospital Geral do Estado (HGE), na capital, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana, o Hospital Geral de Camaçari (HGC) e o Hospital Geral de Guanambi (HGC) registraram 3.571 acidentes envolvendo motociclistas, o que dá uma média de quase 20 entradas por dia na emergência.
 
Stela Souza, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, afirma que os hospitais municipais “também estão sobrecarregados de pacientes vítimas de acidentes automobilísticos e não conseguem mais atender às demandas eletivas da população”. O exponencial aumento da frota de motocicletas desde 2005 é destaque no fenômeno dos acidentes de trânsito – especialmente em Lauro de Freitas. No mesmo período a frota de Salvador aumentou 159% (automóveis) e 258% (motocicletas). Mas de acordo com dados do IBGE, em Lauro de Freitas, onde há 12 anos circulavam pouco mais de 15 mil automóveis hoje se debatem mais de 42 mil – aumento de 175%. As motos eram 2250 e hoje são quase 12 mil – 414% de crescimento. 
 
A calamidade é mais grave na Bahia, mas atinge o país todo. Entre 2002 e 2013 o número de mortos em acidentes de trânsito com motos triplicou no Brasil. De acordo com dados do Sistema Único de Saúde, o Nordeste e o Norte são as regiões do país em que mais motociclistas morrem em relação às vítimas de acidentes com outros tipos de veículos.
 
Na avaliação do Secretário é preciso contribuições efetivas dos legisladores e especialistas em tráfego para reduzir a epidemia. Vilas-Boas defendeu a ampliação e descentralização das blitz de alcoolemia, a criação de um plano de segurança viária e a união de entidades governamentais e da sociedade civil por meio de um aplicativo para dispositivos móveis que permita o georeferenciamento dos acidentes.
 
Para mapear as localidades e zonas de maior incidência – e subsidiar o trabalho do comitê – o governo estadual também inseriu os acidentes de trânsito na lista de doenças de notificação compulsória. A norma, publicada no mês passado, busca aperfeiçoar as estatísticas do setor, numa tentativa de reduzir os alarmantes números da Bahia pelo viés da saúde pública. A notificação compulsória é obrigatória para os profissionais de saúde e responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde. 
 
Em decorrência dos registros do sistema de informações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível estimar, com considerável precisão, o número de mortos por acidentes de trânsito e, mais especificamente, de motocicletas. Mas as vítimas não fatais são de difícil mensuração porque acabam registradas pelos hospitais como politraumatismo, traumatismo craniano ou fraturas de membros, sem mencionar o acidente de trânsito de que eles decorrem. “Sabemos que a subnotificação é gigantesca, mas se aceitarmos os números oficiais de feridos internados, teremos aproximadamente, para cada morto, cerca de 20 a 25 motociclistas sobreviventes no Brasil” explicou o secretário estadual da Saúde Fábio Vilas-Boas.
 
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego - seção Bahia (Abramet-BA), Antonio Meira Júnior, explica que não haverá dificuldade na implementação do decreto nas unidades de saúde, pois o Código Internacional de Doenças (CID) já permitia isso, apesar da pouca utilização. “No preenchimento dos documentos médicos, o CID V23.4 especifica, por exemplo, motociclista traumatizado em colisão com um automóvel (carro), picape ou caminhonete, mas, às vezes, o registro era feito com outro código”.

 

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