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CORRIDA PARA A VIDA

Redação Vilas Magazine - Em 07/03/2018

1,5 mil tartarugas marinhas já nasceram em Vilas do Atlântico nesta temporada e liberadas pelo Tamar para iniciarem seu ciclo de vida. Apenas 1% delas sobreviverá. Um dia, as fêmeas retornarão à mesma praia, para desovar. Educação ambiental promove o conservacionismo da espécie.
 
 
Entre as tartarugas marinhas que nasceram desde o fim do ano passado na orla de Lauro de Freitas há um pequeno despigmentado (foto), atualmente sob cuidados na base do Projeto Tamar em Arembepe. Os despigmentados têm a cor dos olhos normal, ao contrário dos albinos, que têm olhos vermelhos. Tapioca, como foi batizado pela equipe do Tamar, é da espécie cabeçuda e ficou retido no ninho, sem conseguir escalar a areia. A raridade desse filhote, nascido na terça-feira de carnaval, é representativa do sucesso que foi este primeiro ano com ninhos na praia. Só os recém-nascidos na praia de Vilas do Atlântico e liberados pelo Tamar já são quase 1,5 mil. Até 23 de fevereiro foram contados 37 ninhos na orla do bairro e entre março e abril ainda vão nascer tartarugas em outros 15, de 45 a 60 depois da desova. Ao todo, no trecho de 7 Km de praia identificado pelo Tamar como “Buraquinho”, que vai do Flamengo à foz do rio Joanes, foram 81 ninhos – 39 ainda na praia – e quase 2,8 mil filhotes. Cerca de 30 desses filhotes – 1% – devem chegar à vida adulta, com as fêmeas retornando para desovar na praia em que nasceram. Incluindo Itapuã, o Tamar registrou mais de cinco mil nascimentos em 191 ninhos, todos em plena área urbana. Ainda há 85 ninhos aguardando a eclosão dos ovos, que deve acontecer até meados de abril.
 
“Não perdemos nem um ninho” deixado na praia que fosse devido à intervenção humana, comemora Nathalia Berchieri, bióloga do Tamar responsável pelo monitoramento das praias numa área de 47 quilômetros a partir da base de Arembepe. Ela conta que os banhistas respeitaram as marcações e não houve ninhos violados. Havia o temor de que a grande movimentação na praia durante o verão – incluindo as festas de fim de ano e em janeiro – resultassem em danos aos ninhos.
 
As 81 desovas verificadas até agora representam um aumento em relação à temporada 2016-2017, que registrou 78. O número vinha caindo pelo menos desde a temporada 2012- 2013, quando o Tamar registrou 109 desovas no trecho. No ano seguinte foram 107 e depois 102. A melhoria do desempenho nesta temporada dependeu muito dos moradores e visitantes.
 
As tartarugas sempre desovaram em Vilas do Atlântico, mas antes os ovos eram recolhidos pelo Tamar e transportados até uma base do projeto, onde ficavam sob proteção até nascerem os filhotes. Agora os ovos ficam onde as tartarugas escolherem desovar e os filhotes nascem sem auxílio humano – o que é ideal.
 
Além de respeitar as marcações, as pessoas tomam atitudes positivas para proteger as tartarugas. Vitor Leme, proprietário da barraca Araruama, por exemplo, teve o cuidado de colocar caixas de plástico sobre os ninhos que encontrou pela manhã ao chegar à praia, enquanto o pessoal do Tamar não chegava para cercar a área.
 
Há também quem tome a iniciativa de “ajudar” os filhotes a sair dos ninhos quando percebe os primeiros na areia. “É uma atitude bem-intencionada”, reconhece o biólogo Eduardo Saliés, coordenador da base do Tamar em Arembepe, “mas que prejudica o nosso trabalho porque altera o ninho”, impedindo o recolhimento de dados científicos importantes para o acompanhamento do processo. O melhor é chamar o pessoal do Tamar, pelos números (71) 98127-0038, 99979-0392 e 3676-1045, ou deixar que elas se virem sozinhas.
 
Alguns deles acabam indo na direção errada quando a iluminação em terra é mais forte que a luz natural no mar. “Em Ipitanga, onde temos alguns ninhos ainda a nascer, estamos acompanhando diariamente a incubação por se tratar de uma área com muita iluminação pública, podendo desorientar os filhotes para a via pública, o que já aconteceu”, conta Nathalia Berchieri. De acordo com ela, em Vilas do Atlântico, apesar dos vários postes do calçadão sem o anteparo de proteção, nenhum filhote perdeu o rumo do mar nesta temporada. 
FOTO: Cercados de caixas plásticas ao lado da barraca Araruama: Victor Leme tomou a iniciativa de proteger os ninhos até que a equipe do Tamar chegasse à praia
 
Tudo na desova e nascimento das tartarugas marinhas dá informações aos biólogos para o monitoramento do processo: o rastro que as tartarugas deixam ao subir à praia para a desova, por exemplo – e o que os filhotes fazem ao caminhar para o mar quando nascem. O comportamento dinâmico das espécies requer uma atenção permanente.
 
É provável, por exemplo, que mais exemplares cheguem para desovar nos próximos meses, mesmo depois do encerramento da temporada, que se estende de setembro a março. Saliés explica que o Tamar tem observado um alongamento do período, de ano para ano. “Estamos pensando em ampliar a temporada oficial” de desova, disse. Agora as tartarugas marinhas chegam mais cedo e partem mais tarde. No extremo norte do litoral baiano, onde as condições naturais são perfeitas para a desova, já há tartarugas desovando e nascendo o ano inteiro.
FOTO: Eduardo Saliés e Nathalia Berchieri em Vilas do Atlântico: nenhum caso de depredação nesta primeira temporada com ninhos na praia
 
O biólogo conta que outra observação mais recente é de que tartarugas mais jovens têm chegado para desovar no litoral baiano. “Elas são menores, ainda desajeitadas e têm dificuldades para subir à praia e desovar”, verifica. Já é outra geração de tartarugas marinhas, a segunda desde que o Tamar começou a atuar, nos anos 80. As espécies que desovam no litoral continental brasileiro, conta o biólogo, ainda não saíram da zona de perigo de extinção, mas a recuperação já começou.

 

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