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Dom, 02.02.2014

Prefeita Moema garante:

Redação Vilas Magazine - Em 04/04/2018

Em entrevista à Rádio Metrópole, gestora disse que tem provas disso e convidou um mortador a visitar o rio com ela

Sem limpeza há mais de um ano, o rio Sapato foi assunto da entrevista concedida pela prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT), à Rádio Metrópole, de Salvador, no dia 20 de março. 
 
Questionada ao vivo por diversos ouvintes, a prefeita afirmou repetidamente que “o rio Sapato está sendo limpo diariamente” e detalhou: com “limpeza mecanizada e limpeza manual”. Disse que tem provas disso e chegou a convidar um morador a visitar o rio com ela. 
 
Em Vilas do Atlântico, apenas um trecho de 450 metros em frente ao Vilas Tênis Clube foi limpo no final do ano passado, a tempo da festa comercial que aterrorizou os moradores do entorno no último Réveillon. Há meses que a Vilas Magazine vem publicando fotos, em várias edições seguidas, do estado em que o rio se encontra.
 
Dois dias depois da entrevista à rádio, uma equipe da prefeitura começou a limpar outro trecho do rio, desta vez em Ipitanga. O entrevistador prometeu que a rádio faria uma visita ao Sapato.
 
Um morador de Vilas do Atlântico – que disse ter votado em Moema Gramacho – ainda tentou argumentar com a prefeita, durante a participação ao vivo, informando que vive em Vilas do Atlântico há 35 anos e que há baronesas com 60 cm de altura no rio. Disse ainda que apenas o trecho em frente ao clube havia sido limpo. Mas não conseguiu convencer a prefeita.
 
O morador questionou ainda a recuperação do asfalto, feita apenas no trecho da avenida Praia de Copacabana em frente ao clube. A Vilas Magazine também chamou atenção para isso na edição de janeiro último. “Se há um lugar que está sendo super-asfaltado sem problema é Vilas do Atlântico”, respondeu a prefeita – e acrescentou que “Vilas do Atlântico não pode se queixar de asfalto”.
 
Em seguida a rádio colocou no ar outra entrada ao vivo, de um ouvinte que se identificou como Paulo. Esse afirmou que mora em Vilas do Atlântico há 30 anos e começou por desqualificar o ouvinte anterior: “esse cidadão que entrou aí realmente não deve morar em Vilas nem em Lauro de Freitas”, disse. “Eu não sou político”, esclareceu o ouvinte, “mas admiro (sic) que o rio Sapato realmente está sendo limpo”. E contou que ligava para agradecer à prefeita pelo Parque Ecológico “que é a alegria da gente de Lauro de Freitas hoje”.
 
Uma ouvinte que se identificou como Andreia, moradora de Ipitanga há 12 anos, ligou depois para informar que um trecho do rio Sapato passa no fundo da sua casa. “Ao longo destes 12 anos eu nunca vi [o rio] no estado lamentável em que está atualmente”, disse. E pediu que a prefeita fosse visitar o local “juntamente com o senhor Paulo, que entrou no ar agora para falar a respeito do rio Sapato”. “Eu estou há mais de seis meses ligando na Sesp [secretaria de serviços públicos], ligando nas secretarias, buscando os responsáveis para vir limpar o rio e nada foi feito” – disse. A prefeita ficou de mandar verificar. 
 
Ainda haveria mais duas entradas ao vivo para falar do rio Sapato. A primeira de Ipitanga, com a ouvinte Daniele garantindo que “o rio Sapato não está sendo limpo há 15 meses, desde quando a senhora entrou”.
 
Depois ligou uma senhora que se identificou como Fátima, que mora ao lado do Vilas Tênis Clube, para “sugerir à Rádio Metrópole que fizesse uma matéria no rio Sapato porque eu estou estarrecida com o que ouvi o que a prefeita falou” – e contou que se queixa do rio desde o início do ano passado, mas “continua do mesmo jeito”.
 
POLUIÇÃO HÍDRICA
Ignorando a reclamação sobre a limpeza do rio, Moema Gramacho aproveitou para responsabilizar os moradores pelo esgoto lançado nos rios da cidade. “A maioria da população mora em condomínio e joga seus esgotos diretamente nos rios”, afirmou.
 
Na verdade, a contribuição de esgoto ilegalmente lançado na rede pluvial vem principalmente da drenagem pluvial, em Vilas do Atlântico e nos vários bairros no entorno. O odor a esgoto presente, por exemplo, no canal de drenagem pluvial da rua José Ribeiro da Silva, em Ipitanga, é indicador de que efluentes não tratados vêm sendo lançados no rio.
 
O Sapato deixou de ter as baronesas e o mato retirados pela prefeitura depois que uma obra de drenagem pluvial da Lagoa da Base foi paralisada por decisão judicial, em abril do ano passado. Na decisão, a juíza Zandra Parada anotou que o “lançamento dos dejetos do esgoto juntamente com as águas pluviais no Rio Sapato poderá ocasionar alagamentos e proliferação de vírus, bactérias, que afetará diretamente a SAÚDE de toda uma coletividade”.
 
A ação civil pública que deu origem à decisão em caráter liminar foi proposta pelo Ministério Público para suspender a validade da licença ambiental da obra, com o apoio e colaboração das associações de moradores de Vilas do Atlântico. As entidades estão preocupadas que o usual lançamento de esgoto na rede pluvial carreie ainda mais poluentes para o rio Sapato.
 
Os pontos de descarte ilegal de esgoto doméstico no rio Sapato, alguns deles identificados pela Embasa durante visita de inspeção à cidade há exatamente quatro anos, continuam operantes. Mas tamponar esses pontos – uma ameaça sempre lembrada, mas nunca cumprida – também não resolveria o problema porque não é possível tamponar a própria rede pluvial. A obra do Sistema de Esgotamento Sanitário de Lauro de Freitas, que vai ampliar de 9% para 95% a cobertura do município, foi iniciada em 2010 e interrompida logo depois.
 
A ouvinte Angela Damião questionou a prefeita a respeito da paralização das obras. Moema Gramacho afirmou que a empreitada já foi retomada – pelo duto que leva até Jaguaribe e pela construção de estação elevatória, mas não deu prazo para a conclusão.
 
Mesmo que venha a ser concluída no futuro próximo, a obra não vai eliminar automaticamente o problema da poluição. Depois disso, os moradores terão que fazer as interligações à rede, o que corre por conta de cada um. Apesar de obrigatório por lei, é comum haver resistências, até por questões financeiras.
 
POLUIÇÃO SONORA
Moema Gramacho discorreu ainda, durante a entrevista, sobre a poluição sonora no Parque Ecológico, reclamando dos moradores do entorno, que se queixam do barulho. “Nós já fizemos um show lá com Geraldo Azevedo, a coisa mais gostosa do mundo, um outro com Carlinhos Brown, um outro com Adelmo Casé, então, não é possível que isso incomode, né?” – argumentou.
 
Pela lei municipal 1.536/2014, o limite de som em Zona Especial de Interesse Ambiental, como é o caso do Parque Ecológico, é de 55 dB entre as 7h e as 19h e de 50dB depois disso. Um aspirador de pó em funcionamento já emite 50 dB de intensidade sonora. A multa imposta pelo desrespeito à lei vai de R$ 700 a R$ 140 mil.
 
Aos moradores que ligaram durante a entrevista reclamando do desrespeito à lei do silêncio por bares, Moema Gramacho respondeu dizendo que está “pedindo apoio da polícia para ajudar a gente a combater”. A prefeita garantiu que “notificar e cobrar multa nós temos feito, mas, mesmo assim, eles insistem”. O apoio da polícia seria para “prender aquele infrator”. 
 
Um dia antes, o diretor de Fiscalização da secretaria de Meio Ambiente Thiago Oliveira afirmou ter notificado, no início de março, alguns bares na avenida Praia de Itapoan e outro na Luiz Tarquínio, com prazo de 90 dias para que providenciem a regularização com isolamento acústico.

O canal de drenagem da rua José Ribeiro da Silva, em Ipitanga, que desagua no Sapato: poluição vem de todo o entorno
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