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Clube da Prancha cobra ações no saneamento dos rios de Lauro de Freitas

Redação Vilas Magazine - Em 02/06/2018

O Clube da Prancha, em Buraquinho, fez no último domingo de maio uma manifestação para pedir a recuperação da foz do rio Joanes. O rio sofre com a poluição carreada pelo Sapato e pelo Ipitanga, seus afluentes mais próximos. Idealizador do clube, Gustavo Foerster é atleta profissional de kitesurf e standup paddle. Hoje dedica-se a ensinar e está preocupado com os rumos do meio ambiente na foz do Joanes. “Morei no Ceará muito tempo, estou na Bahia há uns três anos e fundamos aqui o Clube da Prancha há um ano e meio”, conta – “percebi a situação e iniciamos um movimento também aqui dentro do clube para buscar uma resposta das autoridades para a revitalização dessa área do rio”.
 
Como resultado do encontro ficou para os atletas a missão de cobrar resultados e ações imediatas, além de “um planejamento mais efetivo”, disse Foerster.
 
O clube oferece aulas e aluguel de pranchas de kitesurf e standup paddle desde o verão de 2016 e vem se consolidando como um ponto de encontro para os esportes náuticos, atraindo atletas e famílias. Com mais de 100 alunos, o clube também promove a conscientização dos atletas para o cuidado que devemos ter com a região. “Promover o esporte também é promover o meio ambiente, e a comunidade esportiva estará sempre ativa nessa luta”, descreve Foerster.
 
 
Foerster acredita que a região da foz do Joanes “tem potencial para eventos nacionais e internacionais de kitesurf e standup” e quer ver isso fomentado para promover desenvolvimento. Nas regiões de kite do Ceará “o pessoal ajustou e melhorou de forma que o potencial turístico foi lá pra cima, com muito europeu frequentando a área, muita gente de posses, que traz dinheiro para pousadas, para restaurantes”, conta. O turismo, lembra Foerster, fomenta a economia local, gera empregos.
 
Uma série de atividades econômicas podem ser desenvolvidas a partir do esporte na região, “mas para isso o rio precisa estar limpo, precisa estar apto para se nadar, frequentar”, diz. “A gente quer aproveitar este momento, em que a discussão está ativa, está fresca, havendo interesse político maior na causa, com a Embasa já integrada a essa discussão, para cobrar já respostas” – resume.
 
“Uma das primeiras coisas que podem ser feitas, pelo que eu tenho estudado, é abrir um pouco mais as comportas” da barragem Joanes 1, no Jambeiro e liberar vazão de água. Para Foerster, é “uma medida que traria mais qualidade de água” para a foz do Joanes.
 
 
Para Rodrigo Pacheco, biólogo que trabalha para o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e que participou do manifesto, mas não em representação do órgão, a abertura das comportas não faria uma diferença significativa na qualidade da água
 
“Essa mobilização funciona como catalisador para o poder público agir”, definiu. Para ele, “o principal problema do rio Joanes é a questão da falta de esgotamento sanitário”. E aponta o “crescimento exponencial, absurdo” de Lauro de Freitas nos últimos vinte anos na raiz do problema. Houve “muita ocupação e sem a infraestrutura acompanhando esse crescimento demográfico na cidade”, disse. “Isso traz consequências enormes para o nosso dia-a-dia, a nossa rotina e a gente vê isso no trânsito e vê isso também no meio ambiente, vê o reflexo dessa forma que alavancou a ocupação nos últimos vinte anos nas águas também”, explica.
 
Pacheco identifica o problema no seu dia-a-dia profissional, na área de fiscalização, quando fiscaliza condomínios. “No alvará de construção, no licenciamento ambiental da cidade existe a previsão do tratamento de esgoto, mas em geral o que a gente observa são estações que não funcionam com a eficiência com que deveriam estar funcionando”, disse – “fora os lançamentos clandestinos, que são inúmeros”.
FOTO: Gustavo Foerster (dir) e Rodrigo Pacheco, no Clube da Prancha: cobrando resultados. Remando em família: local atrai atletas de fim de semana
 
Confirmando informação publicada pela revista Vilas Magazine na edição de maio, Pacheco disse que o Inema mede a qualidade da água em vários pontos ao longo dos rios e na foz – sendo certo que o problema se concentra a montante da confluência do rio Ipitanga. “A gente tem dois principais contribuintes nessa extensão final do rio Joanes, que são os rios Ipitanga e Sapato”, disse – “infelizmente, a saúde ambiental desses rios é terrível”. “Vocês podem dar uma olhada no Google” para perceber que “na altura onde o rio Ipitanga desemboca no Joanes, de lá para a foz, é onde você vê uma situação mais grave do rio”, acrescentou.

 

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