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Hábito de fumar abrange 10% dos adultos nas capitais e volta a crescer entre jovens

Natália Cancian / Folhapress - Em 31/07/2018

Bares e restaurantes usam alternativas para consumidores fumantes, disponibilizando até cinzeiros modernos para que descartem cinzas e bitucas
 
Apesar de registrar queda nos últimos dez anos, o hábito de fumar ainda abrange um em cada dez brasileiros que vivem nas capitais do país e dá sinais de novo avanço em algumas faixas etárias, como entre jovens de 18 a 24 anos.
 
Os dados, divulgados no final de maio, são da última edição da pesquisa Vigitel, levantamento anual do Ministério da Saúde e que visa identificar fatores de risco para doenças crônicas. Foram ouvidas 53.034 pessoas acima de 18 anos nas capitais.
 
Segundo o levantamento, em 2017, cerca de 10,1% da população adulta que mora nestes locais era fumante. Em 2006, quando a pesquisa passou a ser aplicada, esse índice era de 15,7% – queda de 36%.
 
Essa redução, no entanto, tem ocorrido de forma mais devagar nos últimos três anos. Em 2016, por exemplo, o total de adultos fumantes era de 10,2%, índice praticamente semelhante ao atual.
 
Dados também apontam aumento no total de fumantes em algumas faixas etárias, caso de jovens de 18 a 24 anos, cujo percentual de adeptos ao cigarro cresceu de 7,4%, em 2016, para 8,5% no último ano.
 
Com isso, o país volta a atingir o patamar que registrava há seis anos entre esse grupo.
 
Também houve aumento na faixa etária de 35 a 44 anos, onde 11,7% dos entrevistados declaram que mantêm o hábito de fumar. Em 2016, esse índice estava menor: 10%.
 
A taxa de fumantes, aliás, ainda é maior entre homens do que entre mulheres. Também é mais alta entre adultos com menor escolaridade do que entre aqueles com 12 anos ou mais de estudo.
 
Entre as capitais, Curitiba, São Paulo e Porto Alegre são aquelas com maior prevalência de fumantes – índices de 15,6% a 12,5%, respectivamente. Já a capital com menor índice de adeptos ao cigarro é Salvador, com 4,1%.
 
SEM TABACO
Os novos números foram divulgados em alusão do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 30 de maio. O objetivo é chamar a atenção para os riscos e impactos à saúde ligados ao consumo de cigarro.
 
Em geral, o Ministério da Saúde atribui a redução no número de fumantes nos últimos anos à lei antifumo, que proibiu o consumo de cigarro em locais de uso coletivo parcialmente fechados e à política de preços mínimos para esses produtos.
 
“Considerando que a experimentação de cigarro entre os jovens é alta e que cerca de 80% dos fumantes iniciam o hábito antes dos 18 anos, o preço é um inibidor”, informa a pasta, em nota.
 
Questionado sobre o aumento no consumo em algumas faixas etárias, como entre 18 a 24 anos, o Ministério da Saúde diz avaliar que os dados ainda não apontam variação significativa – para isso, seria preciso que a evolução ocorra acima do intervalo de confiança ou dentro de um período maior de análise, informa.
 
Em nota, porém, diz investir na prevenção do tabagismo em grupos vulneráveis, como crianças e adolescentes, por meio de ações educativas e programas como o Saúde na Escola.
 

 

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