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1962: O nascimento de Lauro de Freitas e o sentido da emancipação

Tássio S. Cardoso - Em 31/07/2018

O emblemático ano de 1962 é, sem sombras de dúvida, um divisor de águas na História de Lauro de Freitas, do Brasil e do mundo.
 
Dois anos antes do golpe civil-militar, que mergulhou o Brasil em um período de extremo autoritarismo e negação dos direitos civis e sociais, emerge na geopolítica local a cidade de Lauro de Freitas, onde antes era o tradicional distrito de Santo Amaro de Ipitanga.
 
No mesmo ano da emancipação de Lauro de Freitas, cresce a guerra entre comunistas e capitalistas, João Goulart chega ao poder com a renúncia de Jânio Quadros e o Brasil se destaca no futebol com a consagração brasileira em mais uma Copa do Mundo. Ainda nesse ano o Cinema Novo apresentava as mazelas sociais da nossa sociedade de uma forma nunca antes vista.
 
Mas o que levou o distrito de Santo Amaro de Ipitanga a se transformar numa cidade emancipada? Por que a cidade recebeu o nome de Lauro de Freitas? Quais foram as consequências dessa mudança?
 
Para que possamos fortalecer a nossa identidade enquanto povo e sermos sujeitos da nossa própria História faz-se necessário buscarmos respostas para estas e outras perguntas.
 
Praça da Matriz, nos anos 1960
 
Na condição de distrito de Salvador, Santo Amaro de Ipitanga era uma localidade carente de políticas públicas, sobretudo nas áreas de educação, saúde, segurança e urbanização. Assim, começou a florescer no coração dos nativos um desejo de separar o distrito da capital. Pois, uma vez emancipada, a região poderia trilhar os caminhos do progresso.
 
Nesse contexto, surge no cenário político Paulo Moreira, um vereador de Salvador filiado ao PSD, que abraçou esse desejo dos nativos e o transformou num projeto de Lei.
 
Contudo, a princípio, ele não teve base política para aprovar o projeto. Logo, teve que criar uma estratégia para sensibilizar seus pares, foi quando resolveu atribuir à nova cidade o nome de Lauro de Freitas.
 
Lauro de Freitas foi um político bem conhecido na década de 50 (candidato ao Governo da Bahia em 1950) que morreu num trágico acidente de avião. Tal episódio provocou grande comoção popular na época. Formado em Engenharia Civil na Escola Politécnica da Bahia, foi desenhista e inspetor de obras de arte e professor de Cosmografia e Geofísica do Ginásio da Bahia, mas se destacou como diretor da Viação Férrea Leste Brasileiro.
 
Com toda essa biografia, ao homenagear Lauro de Freitas, o vereador Paulo Moreira conseguiu em 1962 aprovar o projeto de Lei que criou a nova cidade.
 
A questão foi que os nativos não gostaram da mudança do nome, pois para eles a expressão “Santo Amaro de Ipitanga” representava mais a cultura local.
 
Houve alguns protestos, mas nada impediu a oficialização do nome, nem mesmo a militância aguerrida do poeta Tude Celestino, uma das maiores expressões da literatura local, que recusava mencionar nos seus escritos o nome da nova cidade.
 
Nas últimas décadas, este território passou por um conjunto de transformações em sua organização social, econômica e política. De acordo dados do IBGE, a cidade experimentou um intenso crescimento demográfico e, sua população, de aproximadamente 10 mil habitantes em 1970, passou para 113 mil pessoas em 2000. Atualmente, Lauro de Freitas, com mais de 200 mil habitantes, é uma das cidades mais ricas da Bahia.
 
Com a chegada do Metrô, a construção de um novo shopping e diversos empreendimentos, o município tornou-se “a menina dos olhos dos políticos”.
 
Mas o que o cidadão laurofreitense de bem espera é que este intenso crescimento econômico seja acompanhado de políticas sociais eficazes, na área da educação, cultura, saúde, meio ambiente e planejamento urbano, caso contrário, perderemos o sentido maior da nossa emancipação: crescer com qualidade!
 
Tássio S. Cardoso (Revelat) é historiador e Mestrando em Educação pela UNEB.

 

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