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Dom, 02.02.2014

Ética vende?

Raymundo Dantas - Em 03/09/2018

Tempo já houve em que ser comerciante era sinônimo de ser desonesto. A sua qualificação mais comum era a de “tubarão”, “sabidão” e, preferencialmente, “ladrão” mesmo! E esse estigma era terrível, porque se generalizava sobre muitos e muitos homens de bem, e se criava uma imagem tremendamente negativa para a atividade comercial, cujos efeitos até hoje sentimos.
 
Diz a sabedoria popular que “o povo aumenta, mas não inventa”. Desta forma é lícito pensar que, nesse trajeto histórico, alguma coisa errada foi feita por parte dessa gente, de modo a atrair tal fama para si e para toda a categoria. Coisas como misturar água no leite, afanar no peso da mercadoria, no troco, na conta da “caderneta”, e por aí se ia. Delitos grosseiros, até pouco inteligentes, que iam sendo desmascarados e arruinando a imagem do infrator e do comércio em geral.
 
Tempos em que não havia legislação em defesa do consumidor, nem tribunais de pequenas causas. Mas tempos em que, acima de tudo, não havia uma consciência mais profunda da cidadania, da ética, dos deveres, nem dos direitos.
Terão mudado os tempos?
 
Creio que sim. Não apenas pela existência de organismos e instrumentos coibidores e fiscalizadores, mas principalmente porque as pessoas cresceram em educação e consciência ética. As pessoas passaram a entender melhor as suas responsabilidades e exigem com precisão os seus direitos.
 
A outrora maioria silenciosa sumiu, cansou com a corrupção, já não está mais disposta a engolir sapos e evitar queixas. As operações comerciais se tornaram mais transparentes para o público com a livre competição, e até o avanço tecnológico contribuiu para tornar obsoletas as práticas desonestas.
 
Mas, infelizmente, às vezes ainda estamos pagando por uma imagem secular de desonestidade, que os maus empresários criaram. E uma boa imagem, meu amigo, é difícil de se criar, mas muito fácil de se destruir.
 
Se você me perguntar hoje, se um empresário ético consegue melhores resultados econômico-financeiros que um mau empresário, eu não saberei responder com segurança. É possível que não. Mas é também possível que sim.
 
O que lhe direi, com certeza absoluta, é que, especialmente nestes tempos de tolerância zero contra a corrupção, o comportamento antiético, a desonestidade comercial, é o mais mortal dos riscos a que se pode expor um negócio hoje. O descrédito, a falta de confiança do consumidor, é a pena de morte para qualquer empreendimento.
 
Levando em conta tudo isso, o que quero lhe lembrar é a velha epígrafe romana: “Não basta à mulher de César ser honesta; é preciso também parecer!” Ou seja: comporte-se honestamente, mas se preocupe também em demonstrar isso ao seu cliente, ao seu empregado, ao seu fornecedor e ao Governo.
 
Comunique-se, mostre seu serviço, dê transparência às suas promoções, ouça seu cliente e o esclareça a respeito do que você faz em seu benefício. Dialogue com seus empregados e faça-os perceber a sinceridade de sua parceria.
 
Enfim, se você está jogando limpo, isso tem que ser mostrado claramente. Os bons empresários precisam readquirir a plena confiança da população e fortalecê-la urgentemente. Só então vai ser possível garantir que ética também vende e pode trazer bons lucros - limpos e honrados lucros.
 
Raymundo Dantas é Escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo,
com Mestrado na Espanha. raymundo_dantas@uol.com.br
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