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Pedagogia antirracista de Lauro de Freitas ganha prêmio do Ministério da Educação

Redação Vilas Magazine - Em 01/11/2018

O projeto pedagógico “Meu Cabelo, Minha Raiz” rendeu um prêmio regional, pelo Nordeste, à professora Cristiane Melo, na categoria Creche. Ela trabalhou a desconstrução de modelos patriarcais com crianças de três e quatro anos, estudantes do Centro Municipal de Educação Infantil Doutor Djalma Ramos, em Vida Nova.
 
A etapa regional Nordeste faz parte do Prêmio Professores do Brasil, promovido pelo Ministério da Educação desde 2005. Ao longo das sucessivas edições foram premiadas diversas experiências bem sucedidas, criativas e inovadoras, desenvolvidas por professores da educação básica pública. O resultado da fase nacional será anunciado em 29 de novembro, no Rio de Janeiro. Do Nordeste outras cinco professoras foram selecionadas.
 
Utilizando práticas pedagógicas como leitura, artes e técnicas de pintura corporal, relaxamento na água, construção de máscaras com argila e embelezamento das crianças, a professora criou um projeto que promove a autoestima. A iniciativa foi executada durante os cinco primeiros meses do ano letivo.
 
“Estamos situados em Vida Nova, uma comunidade massivamente negra, e percebemos a necessidade de apresentar referências negras positivas no intuito de referendar e trabalhar o reconhecimento e autoestima dos pequenos”, explicou Cristiane.
 
Sentados no chão da sala com a mostra “Ocupa Evaristo”, trabalho com foco semelhante em educação antirracista executado na creche no segundo semestre, as crianças estão cercadas de paredes repletas de poemas da artista negra Conceição Evaristo e decoradas com tecidos temáticos africanos. Os pequenos ouvem atentos os contos em que crianças negras são protagonistas da história. “O cabelo dela é bonito?”, pergunta a professora. Elogo ouve o coro das crianças: “é sim!”.
 
Assim como na literatura em que a personagem se expressa através do cabelo e traços negros, na vida real o pequeno Thiago Pereira, de quatro anos, passou a se reconhecer depois do projeto. “Ele não gostava do cabelo”, relata a professora passando a mão na cabeça do pequeno agora repleta de dreads que representam a sua personalidade. Algo semelhante aconteceu com a aluna Sara Silva, quatro anos. “A avó da menina estava prestes a alisar, quando, através das oficinas aprendeu a cuidar e embelezar o cabelo crespo”, completou Cristiane.
 
A creche em que a professora Cristiane trabalha, referendada por vários prêmios no currículo pedagógico, atende hoje 135 crianças de até cinco anos. Para ela, o prêmio mais recente é o reconhecimento de um trabalho que vem sendo aprimorado. “Precisamos continuar a construir práticas que transponham o muro da escola, para a execução de uma educação antirracista, cuja tentativa culmina em descolonizar os pensamentos de uma sociedade que valida modelos patriarcais, onde racismo, violência contra mulher, homofobia e intolerância religiosa são vistas de forma naturalizada”, completou.
 
Com a proposta de uma educação antirracista, a unidade foi vencedora, em 2014, do prêmio “Escola: Lugar de Brincadeira, Cultura e Diversidade”, concedido pela Universidade do Ceará. Em 2015, venceu o 16º Prêmio Arte na Escola Cidadã, com o projeto Doutor Djalma Ramos e seu amor por Riachão, e mais uma premiação do Professores do Brasil com a ação “Mariene: A Flor que desabrochou da nossa gente”.
 
No ano passado a unidade foi vencedora do mesmo Professores do Brasil com o projeto Carolina Maria de Jesus, uma história para aprender desde bebê. “Nós iniciamos esse trabalho continuado, trazendo sempre personalidades negras para serem apresentadas aos pequenos”, conta a professora – “é uma ação coletiva, em que todos os profissionais da creche estão inseridos”.
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