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Documentário produzido por estudantes resgata as memórias da freguesia de Santo Amaro de Ipitanga

Thiara Reges - Em 31/01/2019

Grupo de antigos moradores de Santo Amaro de Ipitanga posa para foto com os realizadores do documentário
 
O que transforma um lugar em cidade é a aglomeração humana que a constitui, e a cidade de Lauro de Freitas, muito antes de sua emancipação política, já era formada por um povo trabalhador e feliz. Alguns dos moradores dessa freguesia, outrora chamada de Santo Amaro de Ipitanga, continuam vivos, distribuindo suas experiências e conhecimentos de uma vida inteira, além de representarem a verdadeira identidade do povo de Santo Amaro de Ipitanga.
 
Quem se lembra da época quando as crianças nasciam com a ajuda das parteiras, como dona Neca; ou do seu Rafael, que vendia água em barris carregados por uma mula; dos doces distribuídos por João Expresso, que, com seu caminhão, fazia o transporte entre a cidade e a capital, quando aqui não circulavam ônibus. E as festas embaixo do pé de Oiti, na praça?
 
Essas e outras histórias podem ser conferidas no documentário “Memórias de Santo Amaro de Ipitanga”, uma produção dos estudantes do 6° ao 9° ano da Escola Municipal Ana Lúcia Magalhães, com o objetivo de resgatar os fatos que contribuiram para a construção da cidade que temos hoje, através das pessoas que viveram esses momentos.
 
Cena com Antônia da Luz de Jesus, um dos personagens do documentário “Memórias de Santo Amaro de Ipitanga”
 
O roteiro conta a história de um grupo de amigos que em 2018 encontra um baú que havia sido enterrado 60 anos antes. Cada item do baú remete a uma história, contada pelos moradores de Santo Amaro de Ipitanga. Ao todo, 16 pessoas, com idades que variam de 60 a 102 anos, a exemplo de dona Caetana, Caú, artesã da cidade, foram entrevistadas. A escolha dos personagens se deu, inicalmente, por afinidade: os alunos convenceram seus pais ou avós a participarem, e depois por indicação, cada entrevistado lembrava de um amigo que poderia contribuir.
 
Coordenador desse trabalho, professor Antonio Cláudio, destaca que o projeto foi ganhando força a cada novo entrevistado, mas que infelizmente muitos moradores ainda ficaram de fora. “Faltaram muitos personagens no documentário, sabemos disso, mas entendo que foi muito importante essa provocação, para que desperte a curiosidade, e quem sabe, novos projetos surjam para homenagear os moradores mais antigos de Santo Amaro de Ipitanga. Afinal se hoje existe Lauro de Freitas é porque existiu Santo Amaro de Ipitanga”, ressalta.
 
A iniciativa nasceu do Educa7Minutos, um projeto da Secretaria Municipal de Educação de incentivo a produções audivisuais, mas o número de moradores com memórias a compartilhar supreendeu, e em 7 minutos seria impossível contá-las.
 
Todo o trabalho foi divido entre os alunos, e a edição final, com 40 minutos, pode ser assistida pelo Youtube, através do link bit.ly/vm_santoamarodeipitanga.
 
O aluno Caíque Barbosa não escondia a felicidade. De assistente de direção, a câmera, roteirista e ator, Caíque participou ativamente da produção do domentário e acredita que todos vão gostar muito do resultado. “A ideia do roteiro foi da colega Nicole Paim, e todos abraçamos a proposta. A primeira vez que assistimos ao filme na íntegra fiquei muito emocionado, e foi uma honra muito grande compartilhar desses momentos com esses mestres”, destaca.
FOTO: Caíque Barbosa, um dos alunos que atuou na produção do documentário, não escondia a emoção 
 
Mas os encontros do professor Claúdio e seus alunos com esses moradores gerou muito mais que um documentário: foi o ponto de partida para novas histórias: “Lembro do dia que chegamos com todo o equipamento, filmadora, microfone, na casa de dona Dilza, que não nos conhecia. Me apresentei, falei do que se tratava e ela prontamente nos convidou para entrar em sua casa, com o coração aberto. Igualmente assim fomos recebidos por todos. São muitos e muitos momentos que ficarão em nossas memórias”, conta professor.
 
Personagens foram recebidos e homenageados na Câmara Municipal.
 
LANÇAMENTO
O lançamento do documentário aconteceu em 16 de janeiro, como parte das comemorações do padroeiro de Lauro de Freitas. Dividido em dois momentos, a comunidade acompanhou primeiro uma roda de conversa, que aconteceu na Câmara Municipal, e depois, a exibição do filme na íntegra, no Cine Teatro.
 
Contando com a presença da maioria dos entrevistados, apesar das limitações físicas muitas vezes imposta pela idade, o evento foi regado por muita emoção, tanto dos homenageados, como de quem se empenhou na produção do documentário. Para Mateus, neto de dona Pretinha, o trabalho serviu como inspiração. “Sempre gostei de ouvir as histórias de meus avós, e agora que completei o ensino médio, tenho como meta a minha formação como historiador”, revela.
FOTO: Mateus, 17 anos, foi ao evento representando a avó, dona Pretinha.
 
Prestigiando o evento, o professor Gildásio Freitas ressaltou a importância do projeto que une diferentes gerações na luta pela preservação das memórias de Santo Amaro de Ipitanga. “A cidade passa por um processo de desenvolvimento muito grande e temos que ter o cuidado de crescer sem destruir nosso maior patrimônio, as pessoas que construiram nossa cidade”, conclui.
 
OS PERSONAGENS: MEMÓRIA VIVA DE SANTO AMARO DE IPITANGA
1) Nilton Leite, 80 anos; 2) Zumira Silva do Espírito Santo (Mirinha); 3) Marize Gonçalves de Souza (Dona Pretinha); 4) Caetana dos Santos Moura (Cau), 102 anos; 5) Antônia da Luz de Jesus, 78 anos; 6) Josélia Silva Santos, 62 anos; 7) Manuel Batista dos Santos (Menininho), 98 anos; 8) Dilza Leite dos Reis, 83 anos; 9) Domingos Ferreira da Cruz (Seu Balaieiro); 10) Emanuel Paranhos Correia, 68 anos; 11) Dinalva Souza Pereira; 12) Leonarda Pereira Franco (Dona Caçula), 98 anos; 13) Helena Ferreira da Silva, 62 anos.
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