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POLEIROS URBANOS: Pequeno gesto ajuda resgatar o prazeroso convívio com a natureza

Thiara Reges - Em 01/05/2019

Um dos impactos da urbanização é, sem dúvida, o distanciamento do convívio com a vida silvestre. As pessoas migraram do universo mais natural e agrícola, para os grandes prédios, asfalto e smartphone. Mas um projeto desenvolvido pelo dentista Tacilo Santana, 41, visa minimizar essa distância, ao menos no que tange a contemplação da natureza.
 
Tacilo constrói poleiros para alimentação, em liberdade, de pássaros silvestres. A ideia nasceu quando ele ainda morava com os pais em Cruz das Almas, no início dos anos de 1990. Sua mãe havia plantado uma figueira no quintal de casa, mas não conseguia colher os frutos pois os pássaros não deixavam. “Foi então que tive a ideia de fazer o primeiro poleiro. Fiz a base com uma peneira de arupemba (tipo de peneira, feita de palha trançada ou fibra muito utilizada na Região Nordeste), coloquei um peso na parte de baixo para dar o equilíbrio, e uma vara de bambu para os pássaros pousarem. Naquele ano minha mãe colheu os figos”, lembra.
 
A ideia funcionou tão bem que ele começou a espalhar poleiros pelas praças de Cruz das Almas e atender aos pedidos de amigos e familiares.
 
Para fazer os poleiros, Tacilo aproveita materiais que encontra nas ruas. “É impressionante como as pessoas jogam coisas no lixo. Essa semana encontrei um timão, desses usados em decoração, que com certeza vai virar um poleiro. Esse que acabamos de instalar, por exemplo, usei uma telha e um galho seco, que encontrei na rua, e corda. Apenas”, frisa.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A estrutura precisa de uma base, onde sejam colocadas as frutas e que garantam estabilidade ao pássaro, quando ele pousar; um galho para que o pássaro possa limpar o bico; e uma corda ou suporte para prender o poleiro em uma árvore. “Confesso que o galho não é exatamente necessário, mas fico me imaginando um pássaro: adoraria me balançar aqui nesse galho, além de deixar o poleiro mais charmoso”, conta sorridente. Tacilo conta com ajuda de sua namorada, Aila, que dá cor aos poleiros.
 
Morador de Vilas do Atlântico há um ano, Tacilo já começou a espalhar sua ideia nas praças do bairro, através da parceria de mercados próximos, que ajudam a garantir as frutas para os poleiros. “Temos um poleiro próximo ao mercado Dia Dia e agora outro na praça em frente ao Pão Express. Eu garanto a manutenção do poleiro, passo sempre para verificar se a base está estável e se as cordas não desfiaram pelo efeito do sol e do tempo, e conto com o apoio dos mercados com as frutas”, explica.
 
“É importante sempre destacar que as pessoas não devem colocar migalhas de pão ou qualquer outro alimento industrializado. Eles atraem pombos, que na verdade são pragas urbanas e transmissores de doenças. Os pássaros silvestres são alimentados por frutas frescas, como banana, mamão, goiaba, por exemplo. Não é recomendado colocar frutas podres”, destaca.
 
Os poleiros podem ser instalados também em residências, inclusive sendo confeccionado através do aproveitamento de materiais que se tenha em casa. Além disso, Tacilo expõe em feiras de artesanato e recentemente fechou parceria com uma loja para a venda dos poleiros.
 
Todos esses anos de resgate do convívio com a natureza, proporcionaram a Tacilo momentos inesquecíveis, como um sabiá de peito amarelo, que sempre aparecia para comer as frutas, e em um dado momento trouxe seus filhotes, que estavam começando a aprender a voar. “Nós ocupamos os espaços que naturalmente eram deles, as cidades estão sempre crescendo. Fazer poleiros é o mínimo para uma convivência harmônica com a natureza”, conclui.
 
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