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CASAMENTO SURPRESA: Quando o amor supera todas as expectativas

Thiara Reges - Em 01/05/2019

Casamento é uma celebração que mexe muito com o imaginário feminino, seja ele de princesa, para milhares de convidados, seja intimista, na praia, ou em Las Vegas. E mesmo que você nunca tenha se imaginado em nenhuma dessas situações, vale muito ler essa história.
 
Cristiane Arcuri, 41, e Átalo Barbosa Martins Junior, 41, estão juntos há 11 anos. Se conheceram em julho de 2007, em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, na praia, e desde então não se separaram. Vieram para Lauro de Freitas em 2008, quando ele recebeu uma oportunidade de trabalho como executivo na Ford. “Emprego a gente arruma em qualquer lugar, mas amor não. Se não der certo, tenho para onde voltar”, conta Cris, que deixou para trás o seu negócio. Ela tinha uma franquia de educação voltada para o Direito, sua área de formação.
 
Chegando em Lauro de Freitas, Cris precisou se reinventar: foi trabalhar na área comercial de decoração, conheceu muitas pessoas e se redescobriu profissionalmente, consciente de que o seu desejo é ser comunicadora. “Percebia que as mulheres aqui na Bahia são machistas e inseguras: por que tanto ciúmes? Por que encontrar problema onde não tem?
 
Nesse período conheci a blogueira Marina Novaes, que se tornou minha família aqui, e ela questionou porque eu não investia nessas questões de sexualidade. Bom, há cinco anos me tornei educadora sexual e hoje levo esse conhecimento, principalmente através dos chás de lingerie”.
 
Apesar desse contato tão intenso com o universo das noivas, Cris e Átalo ainda não estavam casados. “Nunca tive o sonho de casar, mas desde que comecei a construir uma vida junto com Átalo pensava em fazer uma celebração de verdade, ambos somos muito festeiros e gostamos de receber pessoas. Mas toda vez que falávamos sobre o assunto, acabava em briga. Ele queria algo grande, chamar toda família e os amigos, acho que queria fazer uma micareta na Bahia, enquanto eu preferia algo mais íntimo. Para acabar com as brigas, deixamos pra lá, está bem do jeito que está, a gente se respeita, um sabe bem qual o sonho do outro, algo que prezo muito. Para um casamento dar certo precisa ter sonhos em comum, mas também um saber o sonho do outro e ajudar a realizar”, conta.
 
Mas tinha uma pessoa que não se conformava com a situação: Marina, a amiga. Sempre que encontrava espaço, tocava no assunto, mas Cris sempre ponderava que o momento não era bom: Átalo tinha saído da Ford, era preciso repensar algumas coisas, sobretudo sobre grana. “Marina, quando as coisas melhorarem quem sabe fazemos uma “destination wedding”, que está super na moda. Enfim! E para mim o assunto tinha morrido”, lembra Cris.
 
“Um dia ela chegou para mim e disse que precisava fazer um evento, para mulheres noivas e casadas, que todo ano ela faz, mas em 2018 ainda não tinha rolado. Pediu que eu reservasse a data de 13 de novembro. Criou o evento, ‘Vida a dois”, bloqueie minha agenda, ela disse que além de nós duas estaria também Fabrício Simões, que é terapeuta familiar e celebrante de casamento”.
 
“Eu ficava perguntando quando a gente ia se reunir para discutir o evento, e ela só me enrolando. Aí um dia perguntei: Marina o evento é em Busca Vida às 14 horas, vai ter alguém? Ela me respondeu: Já viu eu fazer um evento para não ter ninguém? Me calei né, perguntei mais nada (rs). E ela só ficava mandando check list, informando o número de inscritos. Ok, para mim estava tudo normal, não desconfiei de nada”. 
 
Esse foi o pontapé para o que seria o momento mais inesquecível da vida do casal. Marina chamou Átalo para conversar e abriu o jogo: “Olha, em 72 horas eu fechei o casamento de vocês. Isso faltava um mês para o casamento, e claro que Átalo surtou (rs)”.
 
Ficou com ele a responsabilidade de, primeiro, guardar o segredo, e também fazer todo o processo de convidar as pessoas, os padrinhos, falar da logística, sugerir que todos ficassem no mesmo hotel, o Bahia Plaza, onde aconteceu o casamento e onde passariam a noite de núpcias, e todo o resto que precisasse para que o evento fosse um sucesso. “Eu percebia que ele estava ansioso, meio sem fome. Eu achava que era por conta da situação, ele estava sem trabalho, não tinha conseguido se recolocar no mercado corporativo que foi onde sempre trabalhou, e de repente precisar se reinventar, e tal. Nada disso, era tudo por conta do casamento”.
 
A data foi chegando. Cris sem saber de nada e Átalo com todo o esquema combinado com Marina e as famílias.
 
Um momento tenso desse processo foi o vestido de noiva. Não havia uma desculpa que justificasse ela experimentar vestidos em uma loja. Aí surge o papel do estilista Elcimar Badu. “Sempre admirei o trabalho dele. Então ele me chamou para experimentar vestidos de festa, olha que honra usar uma criação dele em um evento. Ele me fez experimentar vários. Por fim, tirou minhas medidas, para o cadastro dele. Bom, assim eu pensava né. Depois que eu saí do ateliê ele passou um WhatsApp para o grupo, confirmando que já tinha as minhas medidas e que ia fazer o meu vestido”.
 
Verdade seja dita, o WhatsApp teve um papel fundamental para a execução do plano de casamento da Cris. Foram criados três grupos para discutir detalhes com fornecedores, quem faria o que, e para seguir os passos de Cris: no dia do casamento, do acordar até a hora da revelação no hotel, todo mundo sabia de cada respiração que ela dava.
 
De repente, um susto: Cris recebeu um convite para um evento no dia 13, à noite. “Nossa agendas são compartilhada, e Átalo deu um pulo: ‘Você já tem evento esse dia, não pode marcar mais nada’. Mas o evento era 14 horas, na minha cabeça dava tempo suficiente para fazer os dois. Do nada o evento foi desmarcado. Até hoje não sei se foi só coincidência ou se teve interferência de Átalo para o cancelamento”.
 
A véspera foi outro momento tenso. Cris adora receber pessoas, mas a casa estava cheia além do limite. Uma prima de Átalo estava vindo da Austrália, passaria uns dias na Bahia, e com o feriado de 15 de novembro chegando, essa foi a desculpa perfeita para a família dele vir em peso para a casa do casal. Além disso, duas amigas já estavam hospedadas em sua casa.
 
“Eu surtei, eu gosto de receber, mas tem que ter qualidade. Tanto que no dia 12, dormimos na casa de uma amiga, pois eu queria dar mais conforto para quem estivesse lá em casa. No outro dia voltamos para casa, tomamos aquele café da manhã maravilhoso em família, e eu saí para ir no salão me arrumar para o evento. Átalo conta que depois que eu saí foi uma loucura da mulherada correndo, tirando os vestidos de festa das malas, pedindo o ferro para passar a roupa, e procurando salão, pois não podiam fazer isso na minha frente, eu ia desconfiar na hora. Foi uma loucura”.
 
Cris já saiu do salão, com Marina, direto para o hotel. Chegaram por volta de 13h30, e ela lembra que estava com fome, não tinha almoçado. Pediu para a gerente do hotel que levasse um lanche para a suíte onde terminariam de se arrumar para o evento. “Entrei no quarto estava o pessoal da filmagem, normal se preparando. Perguntei de Fabrício, o outro palestrante, e me falaram que ele estava na varanda. ‘Putz! Neste calor, só pode ser terapeuta mesmo, é tudo doido’. E fui falar com ele. Mas não era ele”.
 
Na varanda, Átalo aguardava por Cris para fazer o pedido de casamento. Ajoelhado, ao som da música de Ivete Sangalo e Saulo Fernandes, ‘Não precisa mudar’, ele se declarou.
 
No saguão do hotel, Cris se deu conta da dimensão do que estava por vir. Amigos e parentes já estavam à sua espera. Ela teve tudo que uma noiva tem direito, inclusive o chá de lingerie. “A hora de conhecer o meu vestido de noiva foi uma grande emoção. De repente eu me senti uma pessoa tão amada, e não apenas por Átalo, amada por tanta pessoas que se doaram para que aquele momento acontecesse, parceiros que não estavam em busca de propaganda, mas sim em fazer parte da minha vida, da minha história”, conta com a voz embargada e os olhos brilhando.
 
O vestido ficou perfeito, sem nenhuma prova, sem nenhum ajuste. “Sempre imaginei que o encanto pelo vestido vinha por todo o processo de construção. Então você fala com o estilista, escolhe o modelo, faz várias provas, e assim o amor vai nascendo. Mas quando vi o meu vestido, vi pela primeira vez e já entrei nele e foi muito amor o eu que senti. Átalo conta que esse era o maior transtorno da mulherada do grupo do WhatsApp, elas não se conformaram com o fato de eu não conhecer o vestido, não experimentar antes do casamento”.
 
Tudo pronto, Cris foi levada para a praia. 17 horas, um pôr do sol incrível. No final, a celebração acabou sendo do jeitinho que ela queria, intimista, para 50 convidados. Foi o irmão que a levou até o altar. Os pais já estão bem idosos, e não puderam estar presentes. “Esse é o único ponto que eu mudaria: poder ter os mais pais aqui. Meu pai está com 90 anos e minha mãe com 82. Não tinham como enfrentar a viagem. Quando estava me arrumando liguei para ela. Eu chorava muito e ela falando: ‘Ai filha, eu queria muito estar aí, o Jr te ama muito”.
 
Fabrício Simões, ‘o palestrante’, foi na verdade o celebrante da união, e conseguiu deixar todos emocionados. Outro momento especial foi proporcionado por Marina, a fada madrinha de toda essa história, à Átalo: como forma de todo agradecimento, ele pediu que ela entrasse com Bernardo, o cachorro do casal, e as alianças. “No final da festa, ninguém estava interessado no bouquet. Todas queriam ficar amigas de Marina”, conta Cris aos risos.
 
Como nem todos puderam estar presentes, o casamento foi transmitido por live, através da conta de Instagram da Cris, e a audiência bateu mais de nove mil pessoas.
 
“Nos conhecemos na praia, e nela celebramos nosso amor. Tinha que ser. Recomendo a todas as pessoas que celebrem, mesmo quem já mora juntos, como era o nosso caso. A lua de mel ainda não aconteceu, mas está nos nossos planos”, conclui.
 
CHEGOU A HORA DO SIM! E AGORA?
Como nem todas as noivas tem esse privilégio de Cris Arcuri, que acordou plena sem nenhuma preocupação e teve a celebração dos sonhos, planejamento é a palavra de ordem quando o assunto é casamento, caso contrário a dor de cabeça pode ser tão grande como o check-list: bufê, bebidas, decoração, música, local, lista de convidados, vestido de noiva… Ufa!
 
Não fosse tudo isso, a crise econômica jogou um balde de água fria em muitos casais, que tiveram que diminuir a proporção do sonho, e se ajustar às novas tendências do mundo das noivas. 
 
Uma pesquisada rápida na Internet e o que mais encontramos são listas de 10, 20, às vezes 60 dicas de como economizar na festa de casamento.
 
Cerimônias, antes pensadas para 200 ou 400 convidados, tiveram que enxugar bastante, como explica a cerimonialista Carla Souza, 41. “A crise não diminuiu a procura por festas de casamento, mas diminuiu o tamanho delas. Em vez de fazer festas para 200 pessoas, fazem festas menores, o mini ‘wedding’, que são celebrações mais aconchegantes, intimistas. O custo de cada festa depende muito da lista de convidados, mas com R$ 10 mil, R$ 12 mil, é possível realizar um evento”, explica.
 
Há 13 anos trabalhando no segmento de eventos, Carla abriu um cerimonial em Lauro de Freitas em 2017. Ela destaca que o mercado da cidade cresceu muito neste período, e já é possível encontrar quase tudo que precisa para uma boa festa. “O mercado de casamento está crescendo muito em Lauro de Freitas, com bons espaços e cerimoniais, só deixa a desejar na parte da decoração e flores, ainda temos que procurar por Salvador”, afirma.
 
Apesar de tudo, para ela o grande segredo de uma boa festa está em “conseguir captar a essência dos noivos, cada noiva tem uma ideia diferente. Cada casamento tem sua particularidade”, conclui.
 
Larissa e Caio: da amizade para o casamento
Larissa Machado, 30, e Caio Macário, 38, se conheceram em 2008, pela Internet. Caio é primo da mãe de Larissa, que há muito tempo não tinha notícias dele e pediu ajuda da filha para recorrer ao Facebook. No início, apenas uma gostosa amizade: Larissa morava em Salvador e Caio em Paris. Mas em 2018 algo mudou. “Caio me pegou de surpresa. Conversando, um dia, ele disse que gostaria de ficar junto comigo, morar com ele, que eu fosse a senhora Macário! Eu aceitei, mas não esperava que dois meses depois ele aparecesse em casa com uma aliança de ouro e diamantes forjada por um artesão em Cartagena, Colômbia, especialmente para nós, com a escrita: “yo soy tuyo y tú eres mío”. Eu tremia de emoção, aquele misto de choro e risadas!”. 
 
A partir daí começou uma grande corrida para montar uma cerimônia para 100 pessoas, em dois meses. “Economizamos em muitas coisas, escolhemos como local o Sítio Canto Verde, em Lauro de Freitas, que é natural e muito lindo, e dá para economizar na decoração, e depois da cerimônia faremos apenas um jantar, que torna também algo mais intimista e familiar”.
 
Às vésperas do casamento, marcado para 1º de junho, Larissa conta que o principal desafio foi manter o foco no sonho do casal. “Sei que mimos, lembrancinhas e tudo mais, fazem parte do casamento, mas fazer uma cerimônia que no final, ao olhar o álbum de fotos, não ser o que você sonhou pois queria agradar os outros, é cilada! Quem te ama e ama o casal, ficará emocionado desde já pelo convite e valorizará cada detalhe. Também, não pode desanimar nos primeiros orçamentos de casamento! Lembro-me como hoje, que chorei muito, pois pagar valores como 40 ou 50 mil em dois meses, seria algo impossível! E comecei a me frustrar. Mas, com o apoio de Caio e de amigas, não desisti”.
 
E o desfecho dessa história reserva ainda uma lição de solidariedade: os noivos não querem presentes. Eles vão pedir aos convidados cestas básicas, e para aqueles que estiverem longe, a contribuição através de uma “vaquinha on line”. Tudo será revertido para creches e asilos.
 
Lucimary e André: eternos namorados
“Nos conhecemos em 1996, eu morava em um condomínio em Salvador, ele tinha um primo lá, fomos nos conhecendo. Primeiro namoramos escondido, depois ele foi pedir aos meus pais. E desde então estamos juntos, 23 anos de namoro”. Assim começa a história de Lucimary França, 39, e André Luiz, 39, um amor que nasce na adolescência e agora caminha para o altar.
 
Mas verdade seja dita, apesar de estarem há 23 anos juntos, a decisão do casamento aconteceu de forma relativamente rápida. O noivado foi em julho de 2018, e o casamento em 27 de abril. “André sempre foi muito seguro com as coisas. Nunca morou de aluguel. Então começamos a pesquisar para comprar um imóvel. Mas aconteceu dele ter duas perdas na família, e então herdou a casa onde sempre morou. Depois disso a família começou a pressionar pelo casamento (rs)”.
 
Faltando poucos dias para a grande data, Mary se atrapalhou um pouco com a festa e queria ter mais tempo para organizar tudo melhor. “O casamento foi para 200 pessoas. Na verdade era para ser menor, mas na hora de fazer lista, as pessoas pediam: ‘não me deixe de fora’, e a lista foi só crescendo. Nós imaginávamos que era só contratar um bufê e estava tudo resolvido, mas não é assim. Faltando pouco mais de um mês para o casamento foi que decidimos pedir ajuda de um profissional e contratamos a cerimonialista Carla Souza, que fez toda diferença.
 
Mas parecia que o universo estava tentando testar os dois. Voltando do chá de lingerie, no domingo, 15 de abril, o casal foi assaltado. “Retornando para Abrantes, onde moro, paramos na farmácia. Neste momento dois rapazes nos renderam e levaram tudo: o carro, celular, documentos e os presentes que ganhamos. Mas não deixamos que aquele contratempo estragasse o nosso momento”, conta Mary, desabafando: “A cerimônia aconteceu, foi muito bonita, contagiante e isso é o que nos basta”, declara, sem esconder a felicidade.

 

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