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Conscientização e envelhecimento

Maria Emília Oliveira de Santana Rodrigues - Em 30/05/2019

Quinze de junho é o dia em que mundialmente se discute a Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, uma data que precisa ganhar mais destaque em todo o país. Em relação à violência, especialmente contra a pessoa idosa, nada a celebrar, mas tudo a denunciar e a buscar conscientização da população para que todos possam dizer: não à violência contra à pessoa idosa!
 
As análises de registros ou denúncias de violência contra a pessoa idosa no Brasil receberam um canal importante de comunicação de ocorrências com o Disque Direitos Humanos (Disque 100), que inclui a pessoa idosa e outros segmentos populacionais vítimas de violações de direitos. No disque 100, número disponível para denúncias anônimas em todo o país, a Bahia aparece em 2º lugar em ocorrências na Região Nordeste, com 691 casos registrados nos primeiros seis meses de 2018, perdendo apenas para o Ceará, com 725 ocorrências. De janeiro a setembro de 2018, a DEATI - Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, localizada em Salvador, recebeu mais de 1.600 ocorrências e a grande maioria diz respeito a crimes de abuso financeiro. Estes dados são preocupantes, pois a violência contra a pessoa idosa se constitui tanto no uso de palavras e ações, como na não efetivação de políticas públicas e na falta da consolidação dos direitos humanos. E são muitos os casos aqui na Bahia.
 
Vale salientar que a violência pode ser: a) institucional, quando não há cumprimento dos direitos da pessoa idosa, seja em instituições públicas ou privadas; b) violência doméstica, que ocorre principalmente pelo choque de gerações, normalmente em famílias; c) e a violência financeira, por apropriação indébita de recursos e fraudes, tipo de violência que tem crescido muito. Um exemplo adequado é quando os mais jovens pegam o cartão do benefício ou aposentadoria da pessoa idosa, sacam os valores, e gastam de maneira inapropriada, deixando a pessoa sem nenhuma assistência.
 
No que tange às denúncias, a preocupação está na falta de investimento governamental. A Deati – Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso, infelizmente, está sucateada, especialmente na observação de pessoas mais velhas que necessitam de seus serviços. As denúncias não são imediatamente atendidas, e não é por má vontade das pessoas que lá trabalham, mas por conta da reduzida estrutura da delegacia. Outra opção para denúncias é o Disque 100, mas esse é um filtro nacional, que direciona para as delegacias locais, então voltamos para o mesmo ponto.
 
Para defender a efetiva concretização da Política Nacional do Idoso, Estatuto do Idoso e demais legislações voltadas aos mais velhos no âmbito do Estado da Bahia, foi fundada a Associação Nacional de Gerontologia do Estado da Bahia, ANG-BA, em junho de 2015. A ANG-BA integra profissionais da área da Gerontologia e os que atuam junto a pessoas mais velhas, possuindo atualmente 65 inscritos. De uma forma geral, a Diretoria Executiva da ANG-BA destaca que o passo urgente é trabalhar no sentido de que a população seja educada para o envelhecimento. Todas as pessoas se não morrem cedo, envelhecem.
 
Nesta perspectiva, as ações da ANG-BA se voltam para o fomento do respeito às pessoas idosas e a desmistificação dos mitos do envelhecimento, entre os quais: parar de acreditar que todos os idosos vivem as mesmas situações; parar de associar termos como ‘idade de ouro’ ou ‘melhor idade’, pois se tornam expressões pejorativas; parar de achar que idoso não pode se relacionar, que é um ser assexuado; e parar de achar que a velhice é sinônimo de doença. Velhice é uma etapa importante da vida e, se o sujeito chega lá, pode passar uma boa parte da vida nesta fase. Enfim, lutar para que todos tenham um envelhecimento saudável e ativo.
 
A meta atual é a ampliação de seu quadro de associados, como também dar continuidade à sua participação no Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, CEPI, que está planejando a realização da Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa, com data prevista para 4 e 5 de setembro próximo. A participação da sociedade e do poder público é fundamental neste espaço de proposições. Que tal participar desta conscientização sobre o processo de envelhecimento da população?
 
Maria Emília Oliveira de Santana Rodrigues é Especialista em Gerontologia e Presidente da Diretoria Executiva da Associação Nacional de Gerontologia do Estado da Bahia – ANG BA.
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