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Excesso de celular causa danos desde os olhos até a mente

William Cardoso / Folhapress - Em 03/07/2019

Levantamento aponta que 3 em cada 10 pessoas levam o aparelho para a cama antes de dormir
 
Os celulares surgiram para facilitar a comunicação e, de certa forma, aproximar as pessoas. Na prática, porém, já não são poucos os estudos que apontam os efeitos nocivos do uso exagerado do aparelho, com consequências físicas e psicológicas para quem não larga do telefone.
 
Tudo começa pelos olhos, e em cima disso o médico oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, presidente do Instituto Penido Burnier (hospital especializado em doenças dos olhos, em São Paulo) desenvolveu uma pesquisa com 814 participantes de 25 a 65 anos, mostrando que praticamente três em cada dez pessoas levam o celular à noite para a cama, atrapalhando o sono.
 
“Tanto o aparelho como o sol projetam luz azul. Por isso, o celular engana nosso cérebro fazendo pensar que é dia e nos faz perder o sono, independente do horário”, afirma Queiroz Neto, que também é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia). “Esta luz e a diminuição do número de piscadas que cai de 20 vezes por minuto para 6 a 7 vezes, provocam o olho seco evaporativo”, completa.
 
Essa anomalia provoca a síndrome da visão de computador. “Os sintomas são cansaço visual, vermelhidão, visão turva e dor de cabeça”, diz o oftalmologista. Não é apenas por onde entra a luz que o corpo sente os efeitos do uso intensivo do celular. A dependência do smartphone provoca ansiedade, depressão, isolamento do mundo entre outros danos físicos e também mentais para o indivíduo.
 
O psicólogo Yuri Busin, que é doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), afirma que é importante controlar o uso. “Delimite melhor as horas e o que deseja do celular. Saia sem ele algumas vezes, lembre-se sempre que é uma ótima ferramenta, mas que você deve dominá-la e não o inverso”, afirma o especialista.
 
O profissional afirma que de nada adianta os pais e responsáveis cobrarem que crianças e adolescentes usem o celular moderadamente, se eles próprios abusam do smartphone. “O exemplo será uma ótima forma de intervenção. Além disso é interessante colocar limites de tempo de uso, estipular que devem ser feitas as tarefas e responsabilidades primeiro. Ao invés de simplesmente dar o celular, é interessante a criança aprender a conquistar o uso do aparelho”. Segundo o psicólogo, crianças mais novas merecem ainda outro tipo de atenção. “Tudo deve ser feito de forma mais lúdica e com mais limites”, explica.

 

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