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Dom, 02.02.2014

Os bons tempos de Santo Amaro de Ipitanga

Márcio Wesley - Em 04/07/2019

Moradores antigos ainda chamam a cidade que eu nasci, me criei e estou criando os meus filhos, de Santo Amaro de Ipitanga. Este era o nome da minha cidade antes da emancipação, em 31 de julho de 1962, quando rebatizaram descabidamente de Lauro de Freitas, que foi um importante engenheiro civil baiano, mas sem qualquer referência, nenhuma raiz ou relevância com a nossa gente.
 
A escolha foi uma estratégia para facilitar a emancipação, pois, Lauro Farani Pedreira de Freitas, estava sendo cotado para ser governador da Bahia, mas o destino não quis assim e o nobre candidato morreu em 1950, poucos dias antes do pleito de outubro, em um acidente aéreo, às margens do rio São Francisco.
 
Lauro de Freitas é um nome que não me agrada até hoje, mas fazer o quê? Na ocasião a comunidade foi contra a troca de nome, entretanto, tiveram que aceitar duramente a determinação politizada.
 
Nasci em 1974 e passei a infância ouvindo meus pais, meus avós e os moradores mais velhos chamarem Lauro de Freitas de Santo Amaro de Ipitanga, eles não aceitavam o “novo nome”, e nem eu. Tive uma infância massa... Corria pelas ruas de paralelepípedos e jogava bola com os amigos, mas se a bola batesse na porta de seu Domingos Balaeiro, ele se danava, era tudo muito divertido. 
 
Nossos pais viviam sem estresse ou preocupações conosco, tínhamos respeito pelos mais velhos, éramos crianças com brincadeiras de crianças e a violência um assunto de outro mundo. Não existia internet ou celulares, telefone fixo era um lance muito caro, poucas famílias tinham. As televisões eram com pouquíssimos canais.
 
A socialização era uma coisa fácil, o digital não fazia parte da rotina, a rua Romualdo de Brito, onde morei e onde até hoje moram meus pais, era um parque de diversões a céu aberto. Além de golzinho, pega-pega, garrafão e muitas outras brincadeiras, tínhamos campos de futebol, mas era preciso atravessar o Rio Ipitanga. No verão era fácil e não precisávamos nadar, a água batia nos joelhos. 
 
Do outro lado do rio, existia um campo enorme de areia, onde eram realizados campeonatos, torneios e babas no final de tarde. Havia ainda um campinho de capim rasteiro, que era bem legal. Próximo dos campos existiam resquícios de Mata Atlântica e uma lagoa onde avistávamos patos selvagens, passarinhos e sucuris. Reza a lenda (da época) que até jacarés moravam por lá. Mas como nada é para sempre, o local foi devastado, o apito final foi dado, o progresso chegou e o concreto tomou conta de tudo, com a construção do Condomínio Ipitanga.
 
Márcio Wesley é jornalista e amante de sua terra natal: Santo Amaro de Ipitanga.
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