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MEMÓRIAS IPITANGUENSES: Contos, crônicas e histórias da freguesia de Santo Amaro de Ipitanga

Thiara Reges - Em 04/07/2019

Capítulo Especial: As beijuzeiras de Areia Branca
 
As edições de maio e junho a coluna Memórias Ipitanguenses, trouxeram histórias de dona Detinha (Basilia Bispo dos Santos) e dona Nenzinha (Augostinha de Melo), ambas beijuzeiras, uma profissão que durante anos foi a única opção de renda para as mulheres do bairro de Areia Branca.
Nesta edição o personagem é dona Rizalva Sales, 66 anos, uma das poucas mulheres que ainda vive de beiju, feito de forma artesanal em Lauro de Freitas. A herança vem da bisavó, Vitória de Melo, passando pelas gerações que se seguiram na família.
 
Dona Zizi, como é mais conhecida, lembra que desde menina ia para a feira, segurando a barra da saia da mãe, para vender os beijus. Criou seus sete filhos sozinha, fazendo e mercando o beiju. O marido a abandonou quando as crianças ainda eram pequenas. Todos os filhos aprenderam a arte, trabalharam ajudando a mãe, mas as dificuldades e falta de incentivo são tantas, que ela não acredita que nenhum deles dê continuidade à tradição.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A produção de um dia inteiro de trabalho – dona Zizi vai para o forno às 5 horas e rompe por todo o dia –, é levada para o bairro da Liberdade, em Salvador, onde tudo é vendido.
 
Beiju de massa, beiju seco, beiju molhado, beiju dobrado, beiju de goma. Depois de uma tarde observando dona Zizi, percebi que fazer beiju é mais que uma profissão, mais parece um balé, ou melhor, um samba de roda, ensaiado nos mínimos detalhes, desde o coco, ralado na máquina; a massa fininha passada na peneira; a bacia que vai ao colo, quando já se está sentada ao lado do forno; na chapa quente, a massa desenha um círculo quase hipnótico, virado na hora certa, garantindo um resultado delicioso.
 
 
 
Gildete de Melo é a coordenadora do projeto ‘Grão de areia – as beijuzeiras de Areia Branca’, um trabalho de resgate de tradições, cultura e ancestralidade, através das memórias e história oral de pessoas que foram parte ativa da construção de identidade da comunidade de Areia Branca. Manifestações tradicionais, como a Festa de Reis, Pesca da Traíra, assim como as casas de farinha e os beijus, que por muito tempo foram a única fonte de renda, são transmitidos para as novas gerações através de rodas de conversa, contação de histórias pelas matriarcas, visitação nos locais de produção e aulas de samba de roda. Hoje, cerca de 40 pessoas estão envolvidas diretamente no projeto.

 

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