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40 anos de Vilas do Atlântico: A modernidade transformou o loteamento em uma pequena cidade

Thiara Reges - Em 01/09/2019

“A primeira comunidade planejada da Bahia”. Foi com esse slogan, retratado em publicidade da época, que os primeiros lotes de Vilas do Atlântico foram anunciados, em 1979. Com uma orla marítima de beleza inquestionável e um planejamento muito inteligente, esse pedaço de Lauro de Freitas completa no próximo dia 22, 40 anos do seu lançamento, com o mesmo ar de modernidade que encontramos nos empreendimentos lançados nos últimos 10 anos. E apesar do crescimento do comércio e outros aspectos frutos de uma cidade em desenvolvimento, quem mora em Vilas do Atlântico desde os primeiros anos sequer cogita a possibilidade de sair.
 
Na edição 68 da Vilas Magazine, de setembro de 2004, o professor Gildásio Freitas e a jornalista Gilka Bandeira, prepararam um material muito rico (leia na íntegra), publicado quando da comemoração dos 25 anos do loteamento.
 
Em seu texto, Gildásio destaca o contexto histórico da formação da região até chegar à segunda metade da década de 1970, quando a já tradicional construtora Odebrecht compra um conjunto de fazendas na Praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas.
 
Naquela época, tal como hoje, empreendimentos que unissem infraestrutura urbana de qualidade, com manutenção de áreas verdes e fácil acesso a opções de lazer, além de certa proximidade com centros de comércio e serviços, já estavam na lista de desejo dos moradores dos grandes centros. E é com esse conceito que nasceu Vilas do Atlântico. 
 
O lançamento contou com uma diversidade de eventos, como torneio ciclístico, gincanas, a inauguração do marco na Estrada do Coco, exposição de cães, leilão de cavalos, a inauguração do Vilas Tênis Clube, o plantio de 150 mudas de árvores e a venda de 28 lotes em um único dia. O sucesso foi tanto que a primeira etapa, composta de 910 lotes na faixa mais próxima ao mar, foi totalmente comercializada em 10 meses, três antes do prazo estimado.
 
Apesar disso, como destaca Gilka Bandeira em seu texto, não existiu grande repercussão na imprensa local, sendo encontrado em sua pesquisa apenas pequenas notas em colunas sociais, a exemplo da nota na coluna de Sylvia Maria, na Tribuna da Bahia, convidando para o lançamento do empreendimento, ou os anúncios publicitários da construtora.
 
Reprodução de peça publicitária do lançamento de Vilas do Atlântico
 
Muitas coisas aconteceram nos últimos 40 anos que contribuíram para o desenvolvimento de Lauro de Freitas, e Vilas do Atlântico conseguiu acompanhar o novo ritmo. Hoje o bairro já contempla uma gama de serviços e comércio, gerando inclusive uma agitação que divide a opinião dos moradores. O certo é que Vilas do Atlântico se tornou independente, sendo vista por muitos como uma pequena cidade dentro de Lauro de Freitas.
 
 

UMA APOSTA CERTEIRA!
A construtora Odebrecht tinha um plano muito claro para Vilas do Atlântico: fazer dar certo!
 
“Isso aqui antes era uma fazenda que só tinha coco, mangaba e areia, e uma beira mar fantástica. A construtora chega com uma força muito grande,  com planejamento, e faz asfalto com ruas largas; infraestrutura básica e telefone; o Vilas Tênis Clube, dando inclusive a possibilidade da pessoa que comprava um lote se tornar sócio; dragou o Rio Sapato e tinha até pedalinhos”.
 
Quem nos conta é o professor José Nilton, 68 anos. Natural de Araci (BA), aos quatro anos ele perdeu o pai e aos seis já trabalhava para ajudar em casa. Aos 12 anos ensinava as outras crianças sob a sombra de um cajueiro e quando vem para Salvador, fazer o colegial, continua com a profissão, e não demora muito se torna dono de sua própria escola, o Nobel.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A paisagem de Vilas do Atlântico mudou muito em 40 anos
 
Em 1979, empresário consolidado na capital, tem o seu primeiro contato com Vilas do Atlântico de forma muito informal. “Conheci Vilas através de um amigo, dr. Adelmo, que possuía uma casa de veraneio e me convidou para um churrasco, e gostei muito do que vi, achei bem interessante. Depois fui saber que na verdade a construtora fez seis casas em volta do Vilas Tênis Clube e vendeu para multiplicadores de opinião, que era o caso dele. Tratava-se então de uma estratégia de venda”, lembra.
 
Mas essa não era a única estratégia: a construtora convidou algumas empresas, a exemplo de restaurantes, médicos veterinários e o Colégio Nobel (hoje Colégio Apoio), de propriedade do professor José Nilton, para se instalar em Vilas do Atlântico, pagando todas as contas enquanto as empresas dessem prejuízo.
 
José Nilton Carvalho (com a esposa Mary) implantou a primeira escola de Vilas
 
“A primeira sede da escola foi em uma casa em frente ao clube. Começamos a operar em setembro de 1979 com zero alunos (rsrs)! Se aqui não morava ninguém?! E a propaganda seguia a moda americana: “Venha para Vilas do Atlântico, aqui tem restaurante, escola... As aulas começam em setembro”. No Brasil nenhuma escola começa neste período. E mesmo sem nenhum aluno tinha que deixar a escola aberta. O restaurante tinha que ficar aberto. Todos esses acordos que a construtora fez, o compromisso era manter as portas abertas”, frisa.
 
Só no ano seguinte é que começaram a aparecer os primeiros alunos para o infantil. Passados 40 anos, o nome mudou de Nobel para Apoio, a escola cresceu e hoje atende crianças da educação infantil até o ensino médio, e conquista um importante lugar na memória e na formação de grande parte dos moradores locais.
 
EQQUS E VILAS TÊNIS CLUBE: PAIXÃO E ENTRETENIMENTO
“Tenho um carinho por Vilas do Atlântico desde o seu lançamento, mesmo naquele primeiro momento não tendo nenhuma pretensão de vir morar aqui. De uma forma muito peculiar o engenheiro Asdrubal Brandão, responsável pelo empreendimento e apaixonado por cavalos, fez no lançamento de Vilas do Atlântico o primeiro leilão de cavalos da raça mangalarga na Bahia. Minha família, como criava cavalos dessa raça, participou dessa organização. Foi montada uma tenda, como um circo, ficou muito lindo. Aqui só haviam dunas, aquele areal, e uma construção da Odebrecht, uma casa onde foi instalado um restaurante. Então ficou muito parecido com uma paisagem de um deserto de dunas. Este evento atraiu a alta sociedade e várias pessoas já compraram o seu lote durante o evento”, lembra Marcelo Abreu, 61 anos, empresário e ex-prefeito do município (2001-2004).
 
De fato, essa paixão de Asdrubal, então superintendente da Odebrecht, pelos cavalos, se transformaria em um dos ícones do novo empreendimento da empresa, a ser lançado em Lauro de Freitas.
 
Na década de 1970, Asdrubal participou de um clube de cavalos que funcionava próximo de onde hoje é o prédio do Jornal A Tarde, na avenida Tancredo Neves, em Salvador. Esse clube viria a ser o Eqqus Clube do Cavalo, formalizado em 1978. Através de um acordo com a empresa Góes Cohabita Empreendimentos, o clube se mudou para Lauro de Freitas, ficando sob responsabilidade da empresa a construção do Jockey Clube (na área onde hoje está instalada a UNIME).
 
Foi ideia de Asdrubal que o clube se mudasse então para Vilas do Atlântico, e construísse uma sede, servindo até como um dos atrativos para a venda do loteamento. A Odebrecht doou o terreno, mas todas as edificações e manutenção ficaram por conta dos sócios.
 
Zonilton Santos, 56 anos, diretor administrativo do Eqqus Clube do Cavalo e membro há 31 anos, conta que no início era apenas um grupo de amigos que compartilhavam de uma mesma paixão. “A formalização do Eqqus acontece em 78, um ano antes do lançamento oficial de Vilas do Atlântico. Apesar da doação do terreno, toda a estrutura ainda precisava ser construída e muitos eventos foram realizados com objetivo de arrecadar verba, a exemplo dos leilões”, conta.
 
 
Como a ideia central do loteamento era uma bairro planejado, com habitações de alto padrão e opções de entretenimento, garantindo melhor qualidade de vida, além do clube do cavalo a construtora investiu na construção do Vilas Tênis Clube, com 40 mil m² de área, localizado em paralelo à beira mar. “No início o clube chamou muita atenção, vivia cheio; ter quadras de tênis em clubes era algo novo; além disso piscinas, que muitos usavam depois que voltavam da praia, e o próprio rio Sapato, onde, além de pedalinhos, era possível entrar na água e até pescar peixes e camarões”, conta José Nivaldo da Silva, 65 anos, atual presidente do Vilas Tênis Clube.
 
Com pouco tempo de sua inauguração, o clube cumpriu com o seu propósito de ser um ‘chamariz’ para a venda do loteamento, e durante algum tempo era um local de encontros dos moradores e não moradores, chegando a ter cerca de mil sócios.
 
Quem comprava um lote tinha direito a um título, mas tinha que ir até o clube, fazer a inscrição e pagar a mensalidade. “Essa foi uma ideia da construtora que com o tempo não se mostrou muito eficaz. Em condomínios, na taxa já está incluída a manutenção do clube. Aqui, como ficou livre para o morador decidir se seria sócio ou não, com o passar dos anos perdeu-se o interesse pelo clube”, frisa Nivaldo. FOTO: José Nivaldo da Silva, atual presidente do Vilas Tênis Clube
 
Entre altos e baixos, apesar de ter sua utilidade pública reconhecida e ser amparado por lei municipal que torna passível de isenção todos os clubes de Lauro de Freitas a partir de 2016, o Vilas Tênis Clube contraiu uma dívida de IPTU junto ao município, e o passivo ainda está em negociação com a prefeitura; além disso, para se manter, seriam necessário 800 sócios ativos, mas a média não passava de 300. A solução encontrada foi a terceirização das atividades esportivas, o que garante um fluxo de frequentadores diários, manutenção básica e a recuperação, aos poucos, da estrutura, que desde a construção nunca passou por reforma.
 
ROCK AND ROLL, AXÉ-MUSIC E O MAR
O lançamento do novo loteamento da Odebrecht acontece no início da década de 1980. O mundo presenciava Margaret Thatcher assumir como primeira-ministra do Reino Unido (de 1979 a 1990), o casamento do Príncipe de Gales com Lady Diana Spencer, a “Lady Di”, que se tornaria uma das mulheres mais adoradas do mundo, e a queda do Muro de Berlin (1989). No Brasil, o fim do regime militar no Brasil (1985), abria as portas para uma explosão de novas bandas, como Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial. Na Bahia, era Luiz Caldas quem levantava o povo com o seu “Fricote”.
 
Em Vilas do Atlântico, um surfista boa pinta encontrou na música uma forma especial de transmitir para os outros toda energia que recebia do mar. Antônio César, ou melhor, Tuca Fernandes, 57 anos, descobriu seu amor por Vilas do Atlântico a partir de 1983.
 
Sua mãe, a simpática dona Vanda Fernandes, era revendedora da marca tupperware e seu pai, Augusto César (já falecido), trabalhava na Odebrecht. Por ser funcionário da construtora, ele tinha direito de frequentar o Vilas Tênis Clube com a família. “Vínhamos à praia, ficávamos até às 13 horas. Depois íamos para o clube, onde almoçávamos e tomávamos um banho. Fizemos isso por muitos anos. Meu marido tinha verdadeira paixão por isso aqui, mas nós não podíamos comprar, era muito caro”, com dona Vanda. FOTO: Os primeiros acordes do músico Tuca Fernandes aconteceram no emblemático ‘Me Esqueci’: “Tudo começou ali”, com o incentivo da mãe, Vanda
 
A marca cresceu muito e surgiu a oportunidade de dona Vanda ser distribuidora. Mas ela não queria; além da responsabilidade de supervisionar 700 revendedoras, a proposta era para o casal e ele teria que sair do emprego: o risco era muito grande. Por outro lado, era uma forma de conseguir realizar o sonho de ter um imóvel em Vilas do Atlântico, e isso foi determinante. Com o dinheiro que o marido recebeu quando saiu da Odebrecht, compraram um apartamento no condomínio Tahiti.
 
Tuca, na época com 22 anos, estava começando a sua relação com música. Mas antes disso vem o surf e uma forma bem inusitada de saber se o mar teria boas ondas. “Começamos a perceber que quando sentíamos o cheiro da pocilga, o vento ia parar e tinha onda. Não me pergunte o motivo, até porque nós não sabíamos ao certo onde era essa pocilga”, lembra Tuca. 
 
A relação com o mar era uma das coisas que mais atraia Tuca. “Sempre me senti muito bem em Vilas do Atlântico, energeticamente falando, e só muitos anos depois fui entender isso do ponto de vista da religião. Até o banho de mar aqui era diferente de qualquer outro lugar”, conta.
 
Com o fervor do rock pelo país, Tuca criou logo a sua banda com os amigos de Salvador, mas em casa ou na praia, com a família e amigos tocava de tudo. “Um dia eu fui tocar no Me Esqueci (além de bar era o único local que vendia de tudo que se esquecia de trazer de Salvador). Era sensacional lá. De repente começou a juntar gente para me ver tocar e tive ali as minhas primeiras experiências com o público. Tudo começou ali. O dono, super feliz, porque eu ia lá tocar e o lugar ficava cheio de clientes, queria me pagar, e eu não tinha ideia de como cobrar. Por fim o acordo era uma mesa, para que eu pudesse levar os meus amigos”.
 
A partir do Me Esqueci, Tuca começou a ser chamado para tocar em barzinho de Salvador, depois vieram as bandas ‘Jheremmias Não Bate Corner’ e ‘Jammil e Uma Noites’, e Tuca ganhou o trio elétrico, ganhou o carnaval, o Brasil e o mundo. “Vilas do Atlântico tem um papel muito importante na minha formação enquanto artista. Os meus primeiros passos foram aqui. E Vilas continua marcando a minha vida até hoje. Me sinto mais seguro quando minha mãe está aqui do que em Salvador; quando vou viajar, ou chego de viagem, venho direto para cá, recarregar as energias”, afirma.
 
O carinho que a família Fernandes sente por Vilas do Atlântico é perceptível pelo brilho no olhar ao se recordar dos vários momentos em família que viveram desde 1983, quando ainda sonhavam em ter uma casa por aqui. “Conseguimos realizar muitos encontros de família, sempre aqui, e com os meus filhos muito presentes. Um dia uma amiga me perguntou como eu conseguia que os meninos estivessem sempre aqui comigo. Gente, quem não vai gostar de vir para um lugar como esse?”, conclui dona Vanda.
 
DIFERENTES FORMAS DE AMOR
São muitas as histórias de amor por Vilas do Atlântico, e começaram de formas e por razões bem diferentes. Para alguns foi pela qualidade de vida; para outros, o sonho de viver pertinho do mar; e teve quem viu a oportunidade de abrir um novo negócio.
 
Quando o mineiro Oscarito Cardoso, 75 anos, chegou em Vilas do Atlântico em 1989, com a esposa Rose, enxergou a possibilidade de abrir uma empresa no ramo alimentício, a pizzaria Sabor D’Itália. Com o tempo, o bufê a quilo foi acrescentado e aos poucos a pizzaria deu lugar ao Oscarito Restaurante, o mais tradicional do loteamento. Ao todo já são 30 anos de história, o restaurante com maior tempo de atividade em Vilas. FOTO: Oscarito e os filhos, Carmélia e Claudio, conduzem o restaurante que leva o nome dele: o mais tradicional espaço gastronômico de Vilas
 
O empresário foi se reinventando com anos, conseguindo dessa forma se manter em atividade até hoje. “Pela característica do veraneio, manter uma empresa em Vilas do Atlântico nunca foi algo fácil. Os moradores não consomem aqui; hoje cerca de 80% do meu público é de fora. No início, quando instalamos o restaurante, minha mulher, meu filho, ainda garotão, e eu, saíamos para distribuir folhetos. Então, ao longo destes anos vimos muitas empresas abrirem e também fecharem. O Accioli Ramos, por exemplo, quando chegou aqui, haviam várias outras pessoas que trabalhavam com revistas e jornais. Só a Vilas Magazine continua. O empresário tem que saber olhar para Vilas do Atlântico”, ressalta Oscarito.
 
Oscarito se lembra também que as casas aqui eram lindíssimas, muito bem conservadas, padrão de luxo, mas em compensação nem o pão você achava. “Pão por aqui só tinha no bairro de Portão, a padaria inclusive existe até hoje. O que salvava todo mundo era o Me Esqueci, que não era um restaurante, não era um mercado; era tudo junto, tinha cerca de 20m², ficava ali próximo onde hoje é o Vilas Village. As famílias chegam para o final de semana, a esposa perguntava: ‘Você trouxe tal coisa?’, e a resposta era quase sempre a mesma: ‘Esqueci!’. Pronto, o nome pegou”.
 
Lícia Borges, 77 anos, coordenadora do Colégio Apoio, viveu essa experiência do veraneio e se lembra muito bem do Me Esqueci. “Meu marido (já falecido) fez nossa casa de veraneio aqui em Vilas em 1983. Na época morávamos em Salvador, eu já trabalhava em escola e ele funcionário da Petrobrás. Vínhamos aproveitar a praia nos finais de semana. Vilas era na época como Itacimirim e Praia do Forte são hoje, apenas passar o final de semana. Para se ter ideia, tinha que vir trazendo tudo, não tinha nada por perto, a não ser o Me Esqueci. Quando ele se aposentou quis vir morar aqui, isso por volta de 1991. Eu então saí da escola que trabalhava em Salvador e comecei aqui no Nobel / Apoio”.
 
“São 28 anos e muitas histórias. Lembro dos alunos que passaram pela escola e encontrar com eles hoje é uma grande felicidade. Gosto de morar aqui e não penso em morar em nenhum outro lugar”, afirma.
 
Para Josmar Assis, 81 anos, a vinda para Vilas do Atlântico era uma tentativa de qualidade de vida e ar mais puro. “Já estava complicado morar em Salvador, e nós estávamos em busca de mais tranquilidade. E encontramos, pelo menos naquele primeiro momento quando chegamos, em 1994. Com o passar dos anos fui sentindo cada vez mais a dificuldade de chegar até a Universidade Católica, onde eu lecionava. Quando ficou muito complicado, acabei por me aposentar, e ficar mesmo por aqui”, conta.
 
Seu filho, Roberto Brandão, 36 anos, o cantor Topera, viveu sua adolescência em Vilas do Atlântico: “ir para a praia jogar bola, festas na casa do seu Zinaldo, encontrar os amigos na Pão e Vinho; o dia de McDonald´s Feliz era uma verdadeira festa”, lembra. Foi nesta época também que deu seus primeiros passos como cantor. “Comecei a tocar em Salvador, na banda com os meninos da escola. Com 17 para 18 anos é que passo a tocar nos barzinhos de Vilas do Atlântico, fazer voz e violão; me lembro que eu tocava sempre no acarajé da Cema”. Hoje é o vocalista da banda 5% e tem composições de sucesso gravadas por Claudia Leitte (Lacradora) e de Aldair Playboy (Pivete Também Ama).
 
Com o casal José Nivaldo, 61, e a esposa Gisleica, o amor pelo mar fez com que eles realizassem uma compra às cegas. Nivaldo trabalhava na empresa Caraíba Metais, em Jaguarari, Centro-Norte da Bahia. Na época a empresa tinha como parceira a Odebrecht, e foi assim que ele conheceu o loteamento. “Meu sonho era viver à beira mar. Eu não conhecia aqui, nunca tinha vindo, mas a propaganda do loteamento que fizeram na época era tão linda, aquele mar e os coqueiros, que eu acabei comprando um lote mesmo sem ver as terras. Cerca de 10 anos depois a empresa me transferiu para a unidade de Salvador, o que para mim foi ótimo, e foi assim que consegui enfim conhecer o lote que tinha comprado e construir a minha casa”, conta.
 
Ele se recorda ainda que era um deserto, não tinha nada, e até para encontrar o lote foi difícil. “Quando chegamos para morar aqui já tinha 10 anos de lançamento do loteamento, mas ainda era muito deserto. Saímos perguntando para as pessoas, até conseguir encontrar nosso lote. De início assustou um pouco, mas hoje sei que tomamos a decisão correta”.
 
LOTEAMENTO, CIDADE, METRÓPOLE!
O planejamento inicial de Vilas do Atlântico envolveu a venda do loteamento em três etapas, começando pela fatia de terra mais próxima à praia, garantindo primeiro o cliente do veraneio. “No início o loteamento funcionava apenas para veraneio ou como dormitório de pessoas que trabalhassem no Polo Petroquímico de Camaçari. O grande problema era a oscilação. Quando o polo estava em alta, aqui também, mas quando enfraquecia lá, o mesmo acontecia aqui”, destaca o professor José Nilton.
 
E essa inconstância seguiu durante toda década de 80. Só em 1989, quando João Leão, hoje vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, assume a prefeitura de Lauro de Freitas, é que o cenário começa a ganhar um novo contorno. Ele implementa um novo valor de ISS, deixando o imposto mais baixo do que em Salvador, e isso garante que novas empresas se instalem na cidade de forma acelerada. “Essa mudança gera impactos também em Vilas do Atlântico, que neste momento deixa de depender do polo e passa a ter vida própria. Hoje Vilas é praticamente uma cidade”, frisa. E ele está certo.
 
A Odebrecht fez um projeto que servisse de modelo para novos empreendimentos. Avenidas muito largas, opções de acesso, lotes de um bom tamanho. “Irretocável! O loteamento foi tão bem concebido, que mesmo com todas as mudanças que ocorreram no município, e as mudanças de concepção da sociedade, ele continua moderno”, destaca Marcelo Abreu.
 
Ele destaca ainda que um exemplo da qualidade investida em Vilas do Atlântico é o pavimento que já tem 40 anos. Vale lembrar que o loteamento em sua essência não foi concebido para ter o volume de movimento, circulação de veículos e ônibus, que tem hoje. “Além disso sempre existiu um cuidado com a preservação ambiental, quer seja por parte das gestões municipais ou pela própria sociedade. O rio Sapato, por exemplo, era constantemente limpo. Outro desafio durante a gestão municipal foi conceber a iluminação do calçadão diante da questão da desova das tartarugas. Isso consumiu 1 ano de estudos da minha equipe. Toda lua cheia íamos com o Ibama e o Tamar, testar uma luminária nova, e saber se afetaria a desova. Até que se chegou ao modelo que está aí até hoje, há quase 15 anos”, frisa.
 
Mas nem tudo são flores e com essa nova rotina Vilas do Atlântico já sofre com aspectos estruturais, tais como a mobilidade e a questão sanitária. “Vilas, foi concebida para que fossem residências unidomiciliares e com seu sistema de tratamento de resíduos, através de fossas e sumidouros. Como as casas foram construídas em cima de areia, as primeiras unidades seguiram a risca essa orientação, e funcionava perfeitamente. Mas com essa explosão de Vilas, a fiscalização não foi tão efetiva e hoje temos casas e condomínios jogando esgoto in natura, por exemplo, no leito do Rio Sapato ou no córrego do Parque Ecológico”.
 
“Como o rio Sapato recebe esgoto in natural, você tira as baronesas hoje e uma semana depois já está tudo de volta. Hoje não se vê mais o leito do rio, apenas um pasto de baronesas. Já pesquei camarão no Rio sapato, pescava e comia. Ia com os meninos de noite, colocava a lata, e no outro dia pela manhã ia buscar que tinha camarão”, lembra, saudoso.
 
Marcelo Abreu mora em Vilas do Atlântico desde 1991 com sua família, sua esposa Vera e três filhos. Antes de ser eleito prefeito, já possuía uma relação intensa com a cidade, o que lhe permite afirmar que o que falta hoje é um pouco mais de carinho e preservação. “Vilas tem uma história muito bonita e se mantém assim até hoje. O que nós moradores queremos é a preservação de Vilas, afinal, somos uma cidade de pequeno porte, com tantas exigências quanto uma cidade de grande porte”, conclui.

 

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