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ANIMAIS COMUNITÁRIOS: Através da castração, Remca busca alternativa para o controle de animais abandonados

Thiara Luiza da Rocha Reges - Em 31/10/2019

No seu dia a dia, ao sair de casa, você costuma ver gatinhos e cãezinhos nas ruas, sem dono? Eu também. Lamentavelmente essa realidade é muito comum em todo o país. A Organização Mundial de Saúde estima que apenas no Brasil existam cerca de 30 milhões de animais abandonados. Nas grandes cidades, a média é de um cachorro para cada cinco habitantes.
FOTO: Graça Azevedo, Ludmila dos Prazeres e Eveli Brito dirigem as ações da Remca
 
E quantas dessas vezes em que viu um animal abandonado você se questionou como poderia ajudar? Se sim, é bom saber que você é sensível ao assunto e com certeza não está sozinho. Levantamento realizado pelo Instituto Pet Brasil destaca que mais de 170 mil animais estão recebendo os cuidados de 370 ONGs ou grupos de proteção animal espalhados pelo país.
 
Em Lauro de Freitas, único município do Norte e Nordeste que possui uma legislação específica para a causa animal (Lei nº 1.618/16, conhecida como Lei Remca), a realidade deveria ser um pouco diferente do restante do país, mas não é. Completando três anos da sanção da lei, ainda é comum ver animais abandonados, sofrendo maus tratos e outros sendo comercializados livremente em vias públicas.
 
A Remca – Rede de Mobilização pela Causa Animal, fundada há seis anos, é uma das organizações sociais e voluntárias das mais atuantes no município, tanto no que se refere ao acompanhamento e fiscalização do papel do poder público, como em ‘botar a mão na massa’ e executar ações que gerem impacto a curto e médio prazo. E dentro dos parâmetros previstos pela própria Lei, a rede está fortalecendo o conceito de animal comunitário no município, que prevê a castração e devolução do animal ao seu ambiente.
 
A ação é realizada através da parceria com pessoas físicas, condomínios, associações de bairro e comerciantes, e passa pelo processo de informação, conscientização, captação de recursos e, claro, muito amor aos animais. “Como prevê a própria legislação, deveria estar a cargo do Estado fazer o controle populacional. Como isso não está acontecendo, nós hoje atuamos em parceria com condomínios, associações e empresas”, frisa Ludmila dos Prazeres, presidente da Remca.
 
“Somos demandados geralmente por algum morador. Encaminhamos o ofício ao síndico do condomínio e iniciamos primeiro o processo de conscientização, de esclarecimento do que prevê a lei, e partimos para a identificação de pessoas que abracem a questão da castração. Algumas vezes o condomínio arca com o recursos, outras, os moradores fazem rifas, mas também algumas pessoas se responsabilizam pelos cuidados do animal, fornecendo água e comida, até que ele possa ser devolvido para o convívio social”, completa.
 
Uma das ações realizadas recentemente foi em parceira com a AMOM – Associação de Moradores do Miragem, onde foi possível o mapeamento de 100% dos animais comunitários, que através de doações receberam a castração e já foram devolvidos ao ambiente. “Cabe destacar também que são poucas as instituições que conseguem abrigar mais de 100 animais simultaneamente, por conta do alto custo com alimentação e saúde. No caso dos animais comunitários, após a castração, uma pessoa assina o termo de responsabilidade de garantir alimento e água, sem contar que receberá carinho e estará feliz no ambiente que ele escolheu”, destaca Eveli Brito, vice-presidente da Remca.
 
Apesar da cultura da adoção ter crescido muito, Graça Azevedo, uma das fundadoras da rede, destaca que é importante lembrar que a questão da proteção animal está muito além de gostar de animais. “A proteção animal não é nada romântica, ela está muito além de gostar e achar bonitinho. A proteção animal passa pela violência doméstica, educação, saúde pública. Trata-se de responsabilidade cidadã, ética e moral, respeito à vida”.
 
Para se ter ideia de quão importante é a castração, fazendo uma projeção, cada gatinha em tempo de vida fértil pode gerar cerca de 100 filhotes. Em Lauro de Freitas não se tem um número estimado da atual população canina e felina, mas a Remca se baseia no levantamento da ONG nacional Olhar Animal, que estima existir cerca de 400 mil animais abandonados entre Salvador e Região Metropolitana.
 
“Ainda somos poucas ONGs para tanto trabalho, mas se não fossem essas ações que já conseguimos realizar, estaríamos andando e tropeçando nos animais. No ritmo atual, vamos precisar de mais 30 ou 40 anos para conseguir um controle populacional efetivo. É impossível abrigar todos os animais que estão em situação de abandono e conseguir um novo lar, mas é possível o controle populacional, e é importante também, pois acaba com o sofrimento daquele animal que às vezes tem uma ninhada após outra. Precisamos retirar os animais da invisibilidade pública e conviver de forma harmônica”, concluem.
 
Quer nos adotar?
 
QUER AJUDAR?: Entre em contato com a Remca – Instagram: @remcabahia ou telefone (71) 99951-9079. Você pode organizar uma reunião em seu condomínio ou empresa, ou ainda adotar um dos animais que estão esperando seu carinho.
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