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Natureza em vidros

Thiara Reges - Em 04/11/2019

Um pequeno pedaço de natureza para chamar de seu, mesmo se for na loucura das grandes cidades e seus arranha-céus. Essa pode ser uma das definições para os terrários, cultivos de plantas dentro de potes de vidro, que além de fácil manutenção, trazem vida para pequenos espaços com uma estética singular.
 
E não é difícil de se apaixonar. Com Viviane dos Santos, 35 anos, e Deise Monique, 32 anos, por exemplo, foi amor à primeira vista. Elas conheceram os terrários através de uma amiga que mora em São Paulo. “Eu sempre gostei de plantas, e quando ela viu o terrário tirou uma foto e me mandou. Eu me apaixonei na hora; foi um sentimento tão forte que eu entendia que precisava ter um terrário”, conta Viviane.
 
Naquele primeiro momento empreender nem passou pela cabeça de nenhuma das duas. Viviane trabalhava em uma agência bancária e Deise trabalhava com supervisão de vendas. Em maio deste ano elas pesquisaram sobre os terrários e tentaram fazer um. “Quando vejo a foto do primeiro terrário observo várias coisas que poderiam ser feitas diferentes, mas o mais importante foi o que eu senti quando vi o terrário pronto; foi uma satisfação tão grande, aquele brilho nos olhos, que eu não tive nenhuma dúvida: é isso que quero fazer, pois isso me deixa feliz”, lembra.
 
A saída dos respectivos trabalhos foi planejada. As duas se organizaram, buscaram literaturas sobre o assunto e capacitação em São Paulo; foram atrás também de fornecedores e inspirações, para que pudessem entregar uma proposta diferenciada de terrários. “Gostar de planta não significa saber cuidar, então fomos atrás da capacitação e mesmo assim no início perdemos muitas plantas. Hoje nossa proposta é de trazer representatividade para os terrários fazendo peças personalizadas que tenham significado para as pessoas que estão adquirindo”, frisa Deise.
 
MINI ECOSSISTEMA
Ter um terrário na verdade não é algo exatamente novo, nos anos de 1980, por exemplo, eles viraram febre. O que mudou foi forma de fazer associado às novidades tecnológicas, com direito a miniaturas personalizadas, elementos que simulam água e até luzes de led, e hoje os terrários são os queridinhos da decor.
 
O cultivo surgiu através de uma experiência do médico inglês Nathaniel Ward, entre os
séculos XVIII e XIX. Conta-se que ele era um apaixonado por botânica e seu herbário possuia mais de 25 mil espécies. Certa feita ele resolveu observar o desenvolvimento das borboletas. Em um vidro fechado ele colocou pupas e um pouco de terra, para observar o processo de metamorfose. Para sua surpresa, um pedaço de raíz de samambaia, que estava misturada a terra, germinou, sem a necessidade de qualquer tipo de cuidado ou rega.
 
Ele então fez o mesmo teste com outras plantas e notou que seria possível o transporte de espécies e microsistemas em longas viagens de navio pelos continentes em caixas de vidro fechadas. A descoberta ganhou o nome de caixa de Ward, que é ao mesmo tempo a inspiração dos terrários modernos e dos aquários de peixes.
 
Sobre terrários é importante destacar que existem cultivos abertos, sem tampa, e os fechados.
 
“Quando é um cultivo sem tampa, é um mini jardim, feitos em recipiente aberto que pode receber espécies como cactos e suculentas. Já nos terrários, que são cultivos fechados, serão utilizadas plantas que precisam de umidade, como musgos, orquídeas e samambaias”.
 
Os modernos terrários são encontrados nos mais criativos recipientes, de pingentes em forma de garrafas à lâmpadas incandescentes sem uso; caixas no modelo vitoriano ou modernas formas geométricas; até garrafas em formato de carro. “Quando possível gostamos de usar um pote do próprio cliente, às vezes algo que estava até sem uso. Um dos desafios até agora foi uma garrafa que tinha o formato de uma Kombi”, frisam.
 
Outro desafio na confecção dos terrários é a falta de fornecedores locais. A matéria prima vem de outros estados, em especial São Paulo. “Nossa criatividade empaca muitas vezes na dificuldade de encontrar a matéria prima em Salvador. Hoje só conseguimos fazer terrários de no máximo 30 cm, por não encontrar outras opções de vasos ou opções de tampas. Agora estamos, por exemplo, com uma encomenda de um terrário com orixás, e neste caso precisamos tanto das miniaturas como de um vaso que tenha a proporção adequada para um cenário equilibrado”.
 
PEQUENOS CUIDADOS
Um terrário, com correta manutenção, pode durar por anos. De fácil manutenção, um dos pontos principais é não deixar o terrário exposto a luz solar direta, pois isso aumenta a temperatura criando um ambiente de estufa, o que mataria as plantas. Como é um ecossistema as plantas vão crescer, e o próprio usuário, a depender do vaso, pode fazer a poda.
 
Já as regas devem acontecer uma vez por mês, em potes com tampas de vidro, e uma vez a cada três, em potes com outras tampas, como a cortiça, borrifando pouca quantidade de água na parede do vidro, e não diretamente nas plantas. Depois é só fechar o terrário novamente. “Um terrário pode durar por anos, mas como é composto por seres vivos, eu gosto sempre de destacar para os clientes que a energia presente no lugar será determinante no tempo de vida”, afirma Deise.
 
Hoje a empresa funciona no apartamento das meninas, com as vendas através do Instagram @vivaefloresca_, com valores que variam de R$49 a R$229. “Até fomos em algumas feiras onde acontece o encantamento do público, mas a logística é muito complicada, os terrários são muito sensíveis, não são peças coladas. Então qualquer descuido no transporte acaba com todo o trabalho”.
 
“Não tem como determinar o tempo necessário para montar cada terrário, depende do vaso, tamanho, bem como do ritmo da pessoa. Para mim é um exercício de prazer, coloco uma música, me conecto com a natureza, e vou no meu tempo. Hoje nosso trabalho está focado em levar a satisfação e alegria, através de pequenas doses de natureza”, conclui Viviane.

 

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