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Dom, 02.02.2014

O bom velhinho: barba, bons conselhos e muita emoção

Thiara Reges - Em 01/12/2019

Um trono vermelho de camurça recebe de forma bem aconchegante o senhor de certa idade, longa barba branca e um sorriso acolhedor, e mesmo se você já tem mais de 10 anos, tenho certeza que a criança que mora dentro de você está vibrando neste momento.
 
A chegada do Natal desperta sentimentos como a busca religiosa, a solidariedade ao próximo, a vontade de estar com a família e os amigos, bem como o desejo de fazer parte de um universo mágico, onde as cores verde (do pinheiro), o vermelho (da roupa do Papai Noel) e o branco (da neve), dão um colorido único.
 
Mas quem é este bom velhinho que se veste de vermelho, mora no Pólo Norte e distribui presentes por onde passa?
 
Essa história nasceu por volta de 280 d.C., com o bispo Nicolau de Mira, na Turquia. Conta-se que São Nicolau saia durante as noites deixando moedas nas chaminés dos menos favorecidos. E é este espírito de bondade que milhares de homens, caracterizados como prevê a tradição, tentam manter durante o período do Natal.
 
José Santos Costa, 68 anos (dir.), químico e professor aposentado, hoje corretor de imóveis, é um desses velhinhos. Começou desde sempre (rsrsrs!). “Eu e minha esposa tivemos uma escolinha primária, e todos os anos eu me vestia de Papai Noel, mesmo sem barba. E também em casa, primeiro para as minhas filhas e depois para os netos. Quando me aposentei do trabalho, deixei a barba crescer e passei a me vestir oficialmente de Papai Noel todos os anos, e já se vão 12 anos”, conta.
 
A barba é fundamental, diria que é um pré-requisito para ser Papai Noel, e também gostar muito de crianças, ser paciente ter muito jogo de cintura. “Quando fazíamos a festinha na escola eram os pais que levavam os presentes de cada criança, e certa vez, no meio daquela confusão, uma criança ficou sem presente. É impossível não se emocionar, as lágrimas desceram, e eu tive que pensar rápido. Eu disse a ele: ‘o seu eu esqueci, mas vou em casa buscar’. E já me preparava para no dia seguinte levar o presente daquela criança”.
 
E na casa do Noel, como é o Natal?
 
Costa é bem sincero: “se lhe disser que é radiante, não dá para acreditar; mas lhe garanto que tem alegria plena. No início minhas filhas não gostavam tanto de me ver como Papai Noel, diziam até que eu ficava ridículo (rsrs!). Mas hoje elas falam para todos os amigos, chamam os vizinhos para vir no shopping me ver de Papai Noel. Netos – um de 12 e o outro de 20 anos –, sobrinhos, a família toda vem tirar foto comigo”.
 
Há cinco anos como Papai Noel do Salvador Norte Shopping, Costa conta que é impossível não se envolver. “Sou professor, ensinava as noções básicas de química e física para turmas de 1° e 2° grau, e sempre gostei de dar conselhos e brincar com as crianças. Tem horas que preciso pedir desculpas para a equipe do shopping pois demoro com as crianças, dando conselhos, pedindo para respeitarem os pais e estudar direitinho na escola. Além disso, me junto com minha equipe, as ‘noeletes’, fazemos vaquinhas, e compramos os presentes para algumas crianças; é que é pesado você ver uma criança recebendo um presente aqui e outras tantas olhando, sem nada”.
 
Nesta breve conversa, breve mesmo pois já se formava uma fila de crianças esperando para falar com o ‘velhinho’, seu Costa passou duas lições:
 
A primeira diz respeito ao tempo e a forma como podemos transmitir o bem através da palavra certa ou de um abraço. “Temos que ter paciência, sabedoria, inteligência, visão para avaliar as situações e saber como nos comportarmos e aproveitar as oportunidades que surgem. Nunca devemos desistir. Gosto de contar que ‘o tempo pediu ao tempo, vingança para o bom tempo. O tempo respondeu ao tempo: cada tempo tem o seu tempo’. Então abra sua casa para o sol entrar, encha sua casa de luz e felicidade, deixe os espíritos de luz entrarem. Isso é Deus em sua casa. Quando estou me arrumando, vestindo a roupa do Papai Noel, peço sempre a Deus permissão para levar sua palavra, peço sabedoria para saber filtrar tudo que chega até mim, e que eu seja afável para que as pessoas sintam o carinho que transmito”.
 
A segundo lição é sobre emoção, e no momento em que fazíamos a entrevista isso ficou bem claro. Ao contar suas histórias, a voz por vezes tremia, e as pessoas que estavam o acompanhando já estavam em lágrimas.
 
“Há três anos uma criança me pediu para juntar o pai e a mãe, que estavam separados; ele tinha problemas com bebidas. Consegui ajudar, e no ano passado eles voltaram aqui, estão juntos e esperando mais um bebezinho. Como também já teve casos da criança nos contar que a casa caiu, que não tinha mais onde dormir. São situações que mexem muito com a gente, não podemos tratar de forma distanciada, ao mesmo tempo que temos que ter a consciência de que não conseguiremos resolver tudo. Me envolvo emocionalmente e choro; por mais que já tenha 12 anos de Papai Noel, cada ano é uma emoção diferente. Você vai desejar ‘Feliz Natal’, e a boca treme, a voz fica presa; e é importante, pois o público também sente essa emoção, sente sua verdade”.
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