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Ano 22: a saga de fazer jornalismo responsável

Carlos Accioli Ramos - Diretor-editor - Em 04/01/2020

Em boa parte do mundo e também no Brasil a imprensa passa por uma transição para o digital que não é indolor. O custo industrial dos veículos impressos sobe sem parar, enquanto as receitas publicitárias continuam a cair. No Nordeste em especial, a crise dos veículos de comunicação aprofundou-se em 2019 e segue em trajetória de agravamento.
 
Dos quase 12 mil veículos de comunicação identificados pela mais recente edição do Atlas da Notícia, uma produção do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), o Nordeste abriga 1.722 ou 15% do total. Nesse cenário, a Bahia desponta como um dos estados com maior presença de veículos de comunicação, atrás apenas da região Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás.
 
Apesar disso, a Bahia apresenta vastos “desertos de notícias”, municípios que não contam com sequer um veículo jornalístico e “quase desertos”, as cidades com até dois veículos. Quase 65 milhões de pessoas, cerca de um terço da população, vivem nessas áreas.
 
Em Lauro de Freitas, onde só a Vilas Magazine circula no formato impresso, o Atlas da Notícia, sem fazer juízos de valor quanto ao conteúdo ou qualidade, identificou quatro “veículos de jornalismo”.
Antigamente se dizia que a existência de jornais, ou revistas, para o mesmo efeito, financeiramente independentes, é um dos sinais de desenvolvimento social e econômico de uma comunidade. Hoje, diante de milhares de projetos digitais que se apresentam como jornalísticos e que operam a custo quase zero esse conceito tornou-se difuso.
 
O fim da Lei de Imprensa e a desregulamentação da profissão de jornalista no Brasil contribuíram enormemente para diluir a fronteira entre o que é jornalismo e o que é mera propaganda, muitas vezes de viés politiqueiro, com vistas à desinformação pura e simples, quando não à difamação de adversários. Ainda assim, tudo isso é visto hoje como “jornalismo” e os autores vão ao mapa como veículos de comunicação.
 
A Internet, que veio trazer acesso plural à informação, trouxe também uma cacofonia que mais confunde do que esclarece o público. O “jornalismo” encenado, espetacular, visualmente rico, toma progressivamente o lugar do texto, na sua acepção acadêmica, enquanto criação intelectual, e em todas as mídias. A aprovação popular é maciça.
 
A massa de brasileiros analfabetos funcionais identificada não é alheia a esse fenômeno. Nada menos que 38 milhões de adultos são incapazes de ler e interpretar um texto, tornando-se presas fáceis da espetacularização do audiovisual, este também necessariamente nivelado por baixo para atingir a audiência pretendida. No Brasil há analfabetos funcionais em todos os níveis de escolaridade. Até mesmo no grupo populacional com ensino superior há 4% deles.
 
Mas o percentual de jovens que não conseguem interpretar um texto é muito menor que o dos mais velhos. Entre os 15 e os 24 anos, 12% são analfabetos funcionais. Dos 35 aos 49 eles são 33%. Já dos 50 aos 64, mais da metade da população é analfabeta funcional.
 
As redes sociais, ao tempo que popularizaram a informação, também abriram caminho para a desinformação e para o uso desavisado da comunicação. O WhatsApp é destaque nesse panorama. De acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), 92% dos analfabetos funcionais enviam mensagens escritas e 84% compartilham textos que outros usuários enviaram – sem de fato compreender o que ali vai.
 
Christine Nyirjesy Bragale, vice-presidente de comunicação do The News Literacy Project, citada pela BBC News Brasil em artigo de Vanessa Fajardo, confirma que um dos reflexos do baixo nível de alfabetismo é que estas pessoas ficam mais vulneráveis à desinformação, especialmente memes, imagens manipuladas e usadas em contexto falso.
 
A realidade já foi muito pior, é verdade. De acordo com o INAF, em 2001 os analfabetos funcionais eram 39% da população. Chegaram a ser 27% em 2015, mas o percentual passou a subir depois disso, alcançando 29% em 2018.
 
Ainda assim, a Vilas Magazine inicia o seu 22º ano de circulação ininterrupta apostando no texto de jornalismo como conteúdo que continua a fazer a diferença na independência financeira de um “veículo de jornalismo”.
 
Embora o foco principal da revista, desde sua implantação, seja a prestação de serviços voltados para a comunidade residente em Vilas do Atlântico e por expansão, para Lauro de Freitas e região, a Vilas Magazine se consolida como o veículo que aborda e divulga com integridade e credibilidade os fatos da cidade, em toda sua abrangência.
 
O conteúdo que divulgamos nas páginas mensais da revista, jamais é temperado com o repugnante recheio do jogo da bajulação e adjetivação de informações, recursos facilmente identificados nas redes sociais, ambiente fértil para a desinformação, adubada para espalhar bravatas. Continuamos no norte do propósito de nos mantermos dignos e merecedores do respeito que a comunidade nos distingue.
 
Chegamos até aqui, graças à participação que o mercado publicitário nos tem distinguido ao longo desses 21 anos de circulação ininterrupta. Nossos clientes anunciantes investem na divulgação de seus produtos e serviços, pela certeza e transparência dos números que apresentamos, sem maquiagem, da tiragem e distribuição dos exemplares mensais, e sabem que o investimento tem retorno garantido. Sabem que o veículo é acreditado pela comunidade.
 
As dificuldades e obstáculos em manter a continuidade de um veículo impresso em Lauro de Freitas ainda não foram suficientemente decisivas para esmorecermos. Continuamos ainda sempre inspirados na lição que o mestre Guimarães Rosa nos ensinou:
 
“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
 
Começamos nosso 22º ano de circulação com o mesmo entusiasmo juvenil do primeiro.
Vamos em frente.
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