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DIA 2 DE FEVEREIRO, FESTA DE YEMANJÁ

Thiara Reges - Em 04/01/2020

“Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Yemanjá”.
 
Cantada por Maria Betânia e celebrada por tantos outros, dia 2 de fevereiro é dia de levar presentes para o mar em homenagem à Yemanjá. Na praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas, o terreiro São Jorge Filho da Goméia, de Portão, prepara mais uma festa, com todo o respeito e alegria que ocasião merece.
 
A homenagem do terreiro começou a cerca de 17 anos, quando os pescadores da região, com dificuldades para trazerem peixes nas redes, procuraram a ajuda de Mameto Kamurici, mãe Lúcia, líder espiritual do terreiro. “Liderados pelo Mestre Touro, responsável pela colônia na época, os pescadores nos procuraram pedindo ajuda, pois os barcos estavam voltando vazios do mar, sem pescado. Desde então, todos os anos o terreiro prepara o presente para ser ofertado à Yemanjá, no seu dia”, conta mameto Lúcia.
 
Ela lembra que nos primeiros anos tudo era muito simples. “Todos se mobilizavam para conseguir camisas padronizadas, o samba das marisqueiras ficava por conta dos meninos que aprenderam a tocar na escolinha do terreiro, e assim levamos por alguns anos”, lembra. Nos últimos 10 anos a festa ganhou a proporção de hoje, com a participação de mais de 10 terreiros, simpatizantes e turistas, integrando, inclusive, o calendário cultural da cidade.
 
O presente para Yemanjá não envolve apenas o dia 2. Devemos antes consultar os pescadores e o mar, para saber como deve ser o presente. “O presente não é uma oferta aleatória, mas uma energia, que deve estar sintonizada com os acontecimentos do ano que passou e o que pedimos para nós, para a comunidade e para o planeta. Pedimos sempre que o mar seja benevolente conosco e que nos perdoe por tantas atrocidades. Esse ano, por exemplo, o presente será também um pedido de desculpas por todo esse dano provocado pelo derramamento de óleo”, conta a líder religiosa.
 
Preparado com antecedência, o balaio permanece um ou dois dias no terreiro, para depois seguir, em cortejo, para a praia. “Hoje se fala muito em presente sustentável, mas nós sempre tivemos a preocupação com o que estamos levando no presente, a começar pelo próprio balaio, que é de cipó. Retiramos todas as embalagens plásticas, vidros. Mas acho muito complicado quando se associa poluição das águas às oferendas que fazemos aos nossos orixás. Não me considero uma poluidora e tenho certeza que o presente de Yemanjá não seja o problema. Na verdade, muitas vezes quando chegamos para fazer uma oferenda perto das águas ficamos até com receio, de tão suja e fedida que está”, frisa Mãe Lúcia.
 
No dia 2 de fevereiro os preparativos para a festa começam às 5 horas. Banho de pipoca, alfazema e muito samba de viola, até a hora da saída do presente levado pelos pescadores, que depende da maré. “Espero que todos que vierem participar do presente, venham de coração aberto; que não seja o presente pelo presente, ir só porque todo mundo vai. Venham em busca da energia que o mar proporciona”, concluiu.

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