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LIXO MODERNO: Como fazer o descarte adequado de lixo eletrônico

Thiara Reges - Em 01/02/2020

1,5 milhões. Essa é a quantidade média de e-lixo ou lixo eletrônico produzida apenas no Brasil. E não duvide, isso é muito.
FOTO: PROFESSOR HENRIQUE MOITINHO: 14 anos de atuação com o Projeto Ilhas
 
No contexto do mundo moderno e super conectado, os eletrônicos fazem parte de nossa rotina da hora que acordamos até dormir: estamos falando da geladeiras, cafeteiras elétricas, smartphones, ar condicionados, aparelhos de televisão e uma infinidade de produtos que funcionam com uma bateria ou conectados à fontes de energia através de uma tomada.
 
E para nos mantermos nesta realidade, aproveitando ao máximo as facilidades propostas pelos eletrônicos, tem gerado pilhas e pilhas de lixo. O Brasil ocupa o ingrato primeiro lugar como maior produtor de e-lixo da América Latina, e o 7º maior do mundo, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU).
 
Para muito além de entulhar os aterros sanitários, com uma estimativa assustadora de 120 milhões de lixo eletrônico no mundo em 2050, a preocupação está na composição química utilizada para a fabricação desses equipamentos, alguns chegam a misturar mais de 100 substâncias, o que torna o lixo eletrônico extremamente nocivo ao meio ambiente. Estamos falando, por exemplo, de chumbo, mercúrio, e do cádmio, que é um agente cancerígeno.
 
Desde 2010 órgãos e instituições de proteção ao meio ambiente buscam a aplicabilidade da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.3,05/10), que é bem clara quanto ao gerenciamento do lixo eletrônico. A determinação é de que os diversos setores envolvidos na fabricação de e-lixo devem se responsabilizar também por gerar a logística reversa, ou seja, o recolhimento dos produtos quando não estiverem mais em uso pelos consumidores.
 
A destinação para a reciclagem, uma possível solução que inclusive é rentável, também caminha a passos lentos. A estimativa é que cada brasileiro produz em média 8,3 kg de e-lixo por ano, e apenas 3% de todo esse volume é coletado de forma correta.
 
O 17º Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos, levantamento elaborado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, aponta que em 2018 apenas 38,1% do municípios brasileiros dispõem de alguma forma de coleta seletiva.
 
Cabe destacar também, que uma das metas estabelecidas pelo Plano Nacional sobre Mudança do Clima, documento de dezembro de 2008, era ampliar o índice de reciclagem de resíduos sólidos urbanos em 20%, até 2015.
 
PROJETO ILHAS
Para amenizar estes impactos, existem projetos ativos em todo o país com objetivo de recolher lixo eletrônico do meio ambiente, dando uma destinação não poluente, realizando a logística reversa, além de gerar oportunidades e renda.
 
Em Lauro de Freitas um dos trabalhos que se destaca é do projeto Ilhas. Fundado há 14 anos, a iniciativa nasceu nas aulas de Tecnologia da Educação do professor Henrique Moitinho, 51 anos. “Eu trabalhava na iniciativa privada, e em sala de aula conseguimos recuperar um computador. Ali eu percebi que isso poderia ajudar instituições e estudantes com menos recursos, tanto em ter um equipamento pronto para uso, como em capacitar os jovens para uma profissão”, conta Henrique.
 
O projeto funciona em três frentes. A primeira está em espalhar ecopontos pela cidade, proporcionando que a população faça o descarte de forma adequada; a segunda, realiza a triagem dos produtos recolhidos durante o mês e separa a matéria prima que será utilizada nos cursos, onde é ensinada a manutenção de computadores, do básico ao avançado, bem como computação gráfica e desenho técnico; e em terceiro, os produtos não utilizados nas aulas são encaminhados para ex-alunos, que transformam o lixo em fonte de renda, seja pela venda do eletrônico após a sua recuperação, ou pela venda de peças.
 
“Equipamentos como computadores, telas, teclados, são utilizados nas aulas das turmas formadas nas comunidades, em parceria principalmente com igrejas e associações de bairro. Nos primeiros anos era necessário contar com o apoio de instituições de Salvador pois o volume de lixo eletrônico recolhido era muito maior que a nossa capacidade de recuperação. Com os cursos que começamos a ministrar, conseguimos identificar jovens com potencial, que hoje trabalham com os eletrônicos e os transformaram em sua fonte de renda”, destaca.
 
Hoje, com sete ecopontos distribuídos pela cidade, um deles dentro do colégio Sartre, no Miragem, de uso exclusivo de alunos e professores, além de uma unidade móvel, são recolhidos em média 1.500 quilos de e-lixo por mês. “Esse volume tende a aumentar nos meses de dezembro e janeiro, visto que as pessoas gostam de fazer grandes organizações ou mudanças para iniciar um ano novo. Mas nós mantemos sempre uma atenção para evitar que algum ecoponto sofra um colapso, ou seja, receba muito mais lixo do que a nossa capacidade de gerar a logística reversa, recuperando um produto que já foi usado e deixando em condições de uso para outra pessoa”, frisa.
 
ONDE DESCARTAR SEU LIXO ELETRÔNICO:
- Portaria do Vilas Tênis Clube (Vilas do Atlântico, de 7h às 22h);
- Sede da SALVA (ao lado da entrada do Parque Ecológico, em Vilas do Atlântico, de 8h às 17h);
- Paróquia São João Evangelista (ao lado da igreja católica, em Vilas do Atlântico, de 7h às 16h);
- 52ª CIPM, Sede da Polícia Militar, Sala Multiprojetos (antiga Aldeias SOS, Centro, sentido Praia de Ipitanga. É necessário ligar para confirmar descarte);
- Escola Municipal Dom Avelar (Vila Praiana);
- CEFOC, Sala 102 (Jardim Tarumã, Itinga, de 8h às 14h).
 
Para coletas de grandes volumes e quantidades, acionar a unidade móvel para agendamento, pelo tel.: (71) 99203-7771.
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