Vilas Magazine
Lauro de Freitas
+26°C

Máx +29°

Mín +25°

Dom, 02.02.2014

Prefeitura abre `4ª portaria` para Vilas do Atlântico na praia de Guadalupe

Redação Vilas Magazine - Em 06/03/2020

A prefeitura de Lauro de Freitas demoliu em fevereiro o muro que delimitava o loteamento Vilas do Atlântico na alameda Praia de Guadalupe, originalmente projetada como rua sem saída. Do outro lado, no loteamento Miragem, foi anteriormente construído um trecho de asfalto em direção ao muro. A Praia de Guadalupe é anterior à via conhecida como “rua C”, no Miragem.
 
De acordo com a prefeitura, a demolição do muro atende recomendação do Ministério Público datada de 2016, decorrente de inquérito com base em denúncia da Associação de Moradores do Loteamento Miragem (AMOM).
 
Para sustar a demolição, uma ação de Interdito Proibitório havia sido interposta por entidades de moradores de Vilas do Atlântico. Mas uma análise técnica constatou que tanto a rua Praia de Guadalupe, em Vilas do Atlântico, como a rua C, no Miragem, “possuem o mesmo código de logradouro, o que as torna únicas e não vias sem saída distintas”, concluindo que houve “interrupção do seu fluxo”.
 
A atribuição do mesmo código de logradouro a duas ruas distintas foi uma inovação do zoneamento postal da cidade. Reportagem da Vilas Magazine publicada na edição de maio de 2014, há quase seis anos, já alertava para a criação da conformação legal que poderia levar à abertura de quatro novos acessos a Vilas do Atlântico – incluindo a rua Praia de Guadalupe, alterando as características originais daquelas vias, construídas como ruas locais estreitas e sem saída, todas com um balão para retorno de veículos no fim.
 
Além da rua Praia de Guadalupe, foram “geminadas” ao Miragem por um novo código de logradouro comum também as ruas Praia de Gravatá, Praia do Conde e Praia de Lucena – todas vias locais sem saída, dentro dos limites originais do loteamento.
 
Em 2016 a própria prefeitura sustentaria que “a rua Praia de Guadalupe foi projetada para conectar os dois loteamentos”, conforme consta da argumentação que recomenda a demolição. No projeto de lei que se discutia em 2014, a rua Praia de Guadalupe já aparecia classificada como “coletora”, designação própria de vias com intensidade média de tráfego, entre local e arterial.
 
Além disso, a rua constava da listagem de logradouros de Buraquinho, bairro vizinho a Vilas do Atlântico, com o mesmo número de cadastro: 040881. Outras três ruas paralelas à Guadalupe foram incluídas no “bairro de Buraquinho”, que engloba o loteamento Miragem, uma área que elas efetivamente não atingem.
 
A recomendação seguia suspensa por liminar judicial concedida em 2017 a favor da Sociedade Amigos do Loteamento Vilas do Atlântico (Salva) e da Associação de Moradores de Vilas do Atlântico – mas inicialmente proposta pela primeira há cerca de 15 anos. Já naquela época a prefeitura pretendia demolir o muro para permitir a circulação de veículos.
 
Agora, em sentença publicada em 4 de fevereiro, a 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Lauro de Freitas julgou improcedente o pedido de Interdito Proibitório, para que o muro permanecesse de pé enquanto não houvesse decisão final transitada em julgado.
 
INSEGURANÇA
De acordo com a prefeitura, quem agora atravessa a rua C e a Guadalupe entre o Miragem e Vilas do Atlântico “acredita que a nova via vai melhorar a mobilidade na região, comprometida com o trânsito intenso, especialmente nos horários de início e final das aulas nos colégios que funcionam nos dois bairros”.
 
Já para os moradores de Vilas do Atlântico que não precisam transitar para as escolas, a abertura da alameda Praia de Guadalupe representa um risco para a segurança.
 
Segundo Paulo Araújo, diretor do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), que controla o Centro Integrado de Mobilidade Urbana (CIMU), a rota de fuga preferida dos ladrões de carros é a chamada terceira portaria de Vilas do Atlântico, que liga o bairro à rua Priscila Dutra.
 
As câmeras da prefeitura mostram que “90% [dos carros roubados em Vilas do Atlântico] saem pela portaria do Miragem” em direção a Camaçari, passando por dentro do loteamento vizinho até a Estrada do Coco, disse ele à Vilas Magazine no mês passado, ao comentar o monitoramento por câmeras que funciona na cidade.
 
A abertura de uma “quarta portaria” na mesma rota ameaça dar novos usos à Praia de Guadalupe, na medida em que facilita ainda mais o acesso de Vilas do Atlântico ao Miragem e dali à BA-099. Se, de acordo com o diretor do GGIM, “Vilas do Atlântico apresenta o maior índice de carros roubados no município”, a nova servidão promete ampliar a liderança do bairro no setor.
 
A prefeitura promete instalar câmeras de segurança monitoradas pelo CIMU e realizar uma “operação assistida” durante 60 dias, para identificar de que forma a abertura do acesso interfere no entorno.
 
O balão de retorno na alameda Praia de Guadalupe, agora com acesso à chamada rua C, no Miragem: QUARTA PORTARIA

 

Publicidade
Vilas Magazine© 2013. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por: Webd2 - Desenvolvimento Web