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Amor pela literatura infantil

Thiara Reges - Em 17/04/2020

Se você é assim, da mesma geração que eu, ao lembrar de sua infância com certeza lembrará também das várias histórias contadas por Monteiro Lobato e as aventuras no Sítio do Picapau Amarelo, com a boneca Emília, Tia Anastácia, o Saci, Visconde de Sabugosa e Dona Benta.

 

Não sei se hoje as mesmas histórias conseguiriam atingir o imaginário da geração Alpha (nascidos a partir de 2010), uma geração que já nasce com o ‘chip’ da tecnologia, mas para nossa sorte novos autores foram surgindo e ajudando a manter vivo o gosto das crianças pela literatura.

 

Segundo a Snel, o sindicato que reúne os editores de livros do país, apenas em fevereiro o mercado de livro movimentou R$ 162 bilhões, resultado melhor que o mesmo período do ano passado, crescimento de 1,52% no volume de livros adquiridos. A maior fatia fica por conta dos livros infantis, juvenis e educacionais, 35,45% dos exemplares. 

 

Talvez o segredo esteja em unir literatura às novas tecnologias de informação. Pelo menos foi assim com Juliana D’Ávila. Mãe, em período integral, de Pedro, 10 anos, e Giovanna, 5 anos, Juliana criou em 2018 o Instagram @amorelivro, canal para interagir com outras mães e crianças sobre os livros que ela ia lendo com seus filhos. Desde então mais de 20 mil inscritos do canal acompanham o projeto rumoaosmillivros. “Aqui em casa lemos todo santo dia, às vezes 3x ao dia. Giovanna está com 5 anos e começou a pouco ler sozinha. É maravilhoso participar do seu desenvolvimento. Não sou muito adepta do ebook, e acho que passei isso para as crianças, elas gostam de tocar e pegar o livro. Já estamos no livro de número 610. O último que lemos foi ‘Deu Limerique na Casa do Bicho’, de Alexandre de Castro Gomes”, conta. 

 

Juliana sabe que não dá para separar as crianças das tecnologias, e na verdade até estimula uma maior interação com esse universo. “Meus filhos fazem aulas de programação pela internet através do canal @littlebigcoders, da professora Bianca, que mora em Feira de Santana e faz doutorado em tecnologia na UFBA. Eles também fizeram o projeto no Scratch sobre o vírus. Mas apesar das tecnologias usamos sempre o bom e amigo livro e percebemos, pela troca que temos no canal, que essa é uma paixão compartilhada por muitas crianças”.

 

O projeto deu tão certo que Juliana se arriscou até com as palavras e lançou em 2018, em uma parceria com a editora Inverso, o livro ‘Senhor Pança e o Patinete’. O livro conta a história de Pedrinho, um garoto que adora brincar e pediu ao pai um patinete. Mas, em vez do patinete, seu pai lhe deu um cofrinho: o Senhor Pança! 

 

“Essa história se mistura a história de meu filho, Pedro, que tinha o sonho de ir para o Rio de Janeiro. Ele fazia avião de papel coloridos para vender no condomínio onde moramos e na igreja, e no ano passado ele conseguiu juntar o dinheiro e levamos ele para conhecer a cidade”.

 

Para ela, ler constantemente para os filhos foi fundamental no processo de construção do livro, principalmente para conseguir chegar nas crianças de forma leve com um tema tão complexo como educação financeira. “Com certeza me ajudou muito! Eu sempre faço projetos em casa com meus filhos e sempre estamos lendo juntos. Queria falar com eles de uma maneira lúdica, leve e animada sobre educação financeira. E acabei tendo a ideia de escrever o livro do Senhor Pança. Eles tinham acabado de ganhar um porquinho para guardar as economias. O livro é bilíngue, foi o primeiro livro da editora escrito em português e inglês. E sei que ler com meus filhos me incentivou a escrever”, conta.

 

Mas não é tão fácil viajar pela literatura infantil, e para Juliana o principal desafio é, com tanta oferta de atividades e tecnologia, conseguir prender a atenção da criança no livro. “O principal desafio é encantar e capturar a atenção da criança. Para falar com uma criança é preciso mergulhar e entender o universo dela. Ver a criança como um adulto em formação, não subestimar a inteligência dela, usar uma linguagem adequada, mas não falar de maneira ‘bobinha’. Acho que é por isso gostamos tanto dos clássicos da literatura universal, a exemplo da Fantástica Fábrica de Chocolate, Frankenstein, O rei Arthur... são livros que não podem faltar aqui em casa”.

 

“Não me considero uma escritora. Fazer o livro foi uma experiência maravilhosa que meus filhos puderam ver e participar de perto. Fui escrevendo e contando para eles. O livro nasceu com eles do meu lado. Eles viram o livro nascer no rabisco de uma folha de papel ofício. Participaram de todas os lançamentos. Giovanna na época do lançamento tinha 4 anos e contava a história do livro como ninguém”.

 

TOP 10 

Vai começar agora sua jornada pelos livros infantis? Juliana preparou uma lista com os 10 mais queridinhos dos seus filhos.

 

1. O Nabo Gigante, Tolstoi 

2. O Rei Gilgamesh, Ludmila Zeman e Sérgio Capparelli

3. Rei Arthur, de H. Pyle

4. Os 12 trabalhos de Hércules, Monteiro Lobato

5. O jovem fazendeiro, de Laura Ingalls

6. O gigante Egoísta, de Oscar Wilde

7. O grande livro de ciências, do Manual do Mundo.

8. O túnel, de Anthony Browne

9. Memórias de um burro, da condessa de Segur

10. O BGA, de Roald Dalh


 

Atividades para fazer com as crianças na quarentena:

Seguindo a recomendação de isolamento social determinada do Ministério da Saúde para combater os avanços da Covid-19, nossa conversa com Juliana aconteceu por Redes Sociais. E é usando o potencial da internet que Juliana está conseguindo manter uma rotina de atividades para fazer com os crianças. “Seguimos uma rotina, com horário de leitura, artes, brincadeiras e experiências. Meus filhos gostam muito do canal Manual do Mundo que propõe experiências científicas que podemos fazer em casa. No momento estou trabalhando com eles a linha do tempo da História e da arte. Assistimos também aos concertos da Filarmônica de Berlim que nesse período está com o acesso grátis”, conta.

 

Pedimos para Juliana, Pedro e Giovanna prepararem uma lista com dicas de atividades para fazer em casa durante o isolamento social.

 

1. Leitura em voz alta 

2. Brincar de massinha

3. Montar quebra-cabeças 

4. Pintar com tinta guache

5. Cantar 

6. Brincar de casinha 

7. Fazer experiências. Uma dica é o canal @manualdomundo

8. Fazer um bolo, com ajuda das crianças 

9. Fazer fantoches com meias e brincar de teatro.

10. Fazer vasos e objetos com massa de papel machê: cola, água, farinha e papel higiênico

11. Brincar de jogos de tabuleiro

12. Fazer a limpeza e arrumação da casa. Aspirar, lavar os pratos, guardar a roupa… Tem várias atividades que as crianças podem ajudar sem se machucar

13. Fazer um brinquedos usando caixas de leite ou outras embalagens 

14. Separar os brinquedos, que não estão mais em uso, para doação 

15. Brincar de bolinha de sabão 

16. Se aventurar no universo da programação e eletrônica. Uma dica é o canal @littlebigcoders

17. Fazer um livro juntos. Inventar histórias.

18. Assistir um filme.

19. Pegar um quadro de um artista famoso e tentar imitar.

20. Fazer corrida de carrinhos.

21. Construir um robô com Lego e jogos de encaixe.

22. Brincar de STOP! Nome, lugar, objeto...

23. Brincar de caça ao tesouro, esconder algo num cômodo da casa. Ir falando se está quente ou frio. 

24. Conversar e rir, rir muito

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