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Escolas repensam formato para retomar aulas

Isabela Palhares / Folhapress - Em 01/07/2020

Volta dos alunos está cercada de desafios que envolvem aspectos pedagógicos, psicológicos, emocionais e sanitários
 
Dos mais de 200 dias do primeiro ano na escola, Gabriela Lins, 4, passou mais de 60 em casa, vendo a professora e os amigos na tela do computador. Todo dia ela pergunta à mãe quando voltará a usar mochila e brincar no pátio do colégio.
 
“A resposta para essas perguntas fica cada dia mais difíceis. Não sei quando as aulas vão voltar e, mesmo que voltem, não sei como vai ser a nova dinâmica, como vai ser a convivência dela. Com certeza, ela não vai voltar para o que tinha conhecido como escola”, disse a mãe da menina, a esteticista Luiza Lins, 32.
 
Com um terço do ano letivo a distância e sem data definida para o retorno das aulas presenciais, colégios buscam alternativas para que os alunos continuem aprendendo e não percam o vínculo escolar.
 
Depois de três meses, colégios estão preparando as famílias para adaptações que terão de ser feitas na volta às aulas. Os protocolos de segurança trazem mudanças que vão desde hábitos de higiene até novas regras de convivência.
 
Camilla Schiavo, diretora da escola Viva, em São Paulo, diz que educadores tiveram de fazer concessões e mudar a forma como enxergam a educação infantil. A unidade sempre defendeu que as crianças deveriam ter o mínimo de contato com as telas e que a prioridade deveria ser o contato e convívio social.
 
“Não é que a gente tenha mudado de pensamento, mas tivemos que nos adaptar e ver que a tecnologia é a única forma de manter o vínculo. Não é como acreditamos ser ideal, mas é a única opção”, disse.
 
“Ainda não sabemos se vai ser possível voltar toda a turma, se eles poderão usar o parquinho, quais brincadeiras poderão ser feitas. Isso vai trazer mais um impacto para eles”, disse Camilla.
 
Amábile Pacios, dona do colégio Dromos, em Brasília, conta que, apesar de ainda não saber quando as aulas retornarão, já faz compras e adaptações necessárias no prédio. Também começou a conversar com as famílias para falar sobre as novas regras.
 
“Precisamos acolher bem essas crianças, que estão com saudade da escola e dos amigos, mas de forma segura. Os pais precisam nos ajudar a explicar que eles não vão poder se abraçar, se tocar, terão que usar máscaras. São mudanças grandes dentro do convívio escolar”, disse.
 
O colégio irá espaçar as carteiras para que os alunos fiquem a 1,5 metro de distâ ncia, cada turma fará o recreio em horário diferente e o tempo no parquinho será limitado, já que os brinquedos terão de ser higienizados a cada uso.
 
Para que os alunos possam ver o rosto dos professores, a escola comprou escudos de proteção transparentes. “Imagine o aluno assistir uma aula vendo só metade do rosto do professor. É uma mudança que pode até distanciá-los, tornar as relações menos afetivas”, disse.
 
Lucia Rabahy, 42, disse temer os impactos dessas mudanças na relação que a filha Marina, de 9 anos, tem com a escola. A menina, no 4º ano na escola Castanheiras, em Alphaville, está ansiosa para voltar a escola e brincar.
 
“Sinto que ela fica ansiosa até mesmo para as aulas online, porque quer ver os colegas. Ela sente falta do contato, das brincadeiras. E a escola sempre incentivou muito essa proximidade entre os alunos, não sei como vai ser essa mudança”, disse.
 
A pedagoga Mônica Gardelli, que trabalhou na Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, disse que o retorno das aulas precisa ser cuidadoso e que as questões psicológicas e emocionais devem ser consideradas. “É preciso avaliar todos os impactos; não podemos só pensar que as crianças estão perdendo conteúdo. Temos que criar estratégias para que elas se sintam seguras, acolhidas e possam se desenvolver mesmo com essas novas restrições”, disse.
 
Para Erastos Fortes, doutor em Educação e exmembro do Conselho Nacional de Educação, a dinâmica social das escolas as coloca como um dos ambientes de maior chance de contaminação pelo vírus. “Crianças e adolescentes têm um contato físico muito maior que o de adultos e isso é importante para o desenvolvimento. Isso precisa ser considerado e a volta não pode ser apressada. Para tirar um quarto da população de casa é preciso ter muita segurança de que a pandemia está controlada. Se não for dessa maneira, viveremos uma onda de contágio ainda pior.”
 
Os colégios e educadores disseram sentir que terão um trabalho difícil de transmitir segurança para os pais. A empresária Luciana Fortes, 33, contou não se sentir segura em deixar o filho Pedro, de 2 anos, ir para a escola. “Eu prefiro que ele fique seguro em casa e sei que aos poucos ele está aprendendo coisas novas mesmo a distância. Ele já decorou novas musiquinhas, sabe novas palavras em inglês.”
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