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MÁSCARAS: De proteção à acessório de moda

Thiara Reges - Em 29/07/2020

Desde o aparecimento dos primeiros casos positivos da Covid-19 em Lauro de Freitas, no final de março, que estou em isolamento social em minha casa. Meu trabalho agora é 100% home office, e divido o tempo também em fazer pão, cuidar da casa, dos pets, da horta e do meu pequeno Benjamim. Para não dizer que nunca mais vi a rua, a cada dois meses vou com meu marido fazer o mercado (aliás, uma saga, né?! Não sei se o pior é estar no mesmo ambiente com tantas pessoas, ou ter que limpar tudo quando chegar em casa).

Na minha última ida ao mercado, plena, munida de álcool em gel e uma máscara cirúrgica branca, me deparei com muitas pessoas usando máscara, mas nenhuma delas era branca!

Lembro que no início da pandemia, as máscaras eram apenas uma incômoda obrigação, objetos de necessidade médica, e por algum período foi difícil até encontrar o produto para comprar. Mas agora, as máscaras já ganharam o status de acessório, com direito ao toque personalizado, como a marca de empresas, e até a assinatura de grandes grifes nacionais e internacionais.

Em uma busca rápida nas redes sociais é possível achar máscaras com as mais variadas estampas, desde as monocromáticas, às clássicas estampas xadrez, camuflados, oncinha e poás, sem falar no uso de rendas, lurex, jeans, piquet e os bordados de micro paetê. Vale combinar a máscara com o roupa que está usando, com o estilo, o que inclui também o uso de bandanas, e assim, atender aos mais variados públicos.

Os preços variam e atendem todos os bolsos, têm de R$ 5 até R$ 600. Certo ou errado, existe um novo mercado nascendo dessa necessidade do uso de máscaras, que segundo os especialistas, deve durar até o aparecimento de uma vacina contra o coronavírus.

PERSONALIZAÇÃO

Para além das produções em larga escala, os pequenos ateliês de costura também perceberam uma oportunidade neste mercado.

Najara Pinheiro, do atêlie @donaajusta, em Lauro de Freitas, conta que começou a produção no início de abril. “Quando começamos a vender máscaras, logo no início da pandemia, o uso ainda não era obrigatório. Criamos um modelo básico, de amarrar atrás da cabeça, mas que poderia ser usado apenas apoiando a máscara na orelha. Vendemos muitas máscaras nesse período: modelo único, o que mudava era o tamanho, de infantil a adulto, e três opções de cor”, conta.

Ao passo que as medidas de restrição e quarentenas eram prorrogadas, Najara percebeu incremento na procura por novas cores e modelos. Aí foi a hora de adaptar o trabalho para atender uma demanda maior e garantir faturamento para o ateliê. “Começamos a produzir máscaras estampadas, modelos anatômicos, adaptados com tiaras e com estilo de amarração diferenciados, pois percebemos que a máscara deixou de ser um simples acessório de segurança. Há muitas possibilidades de modelos e estilos, que inclusive ainda não trabalhamos. Para além da estética, estamos sempre atentos às recomendações do Ministério da Saúde e preocupados em garantir conforto, pois grande parte dos nossos clientes utilizam a máscara para trabalhar”, concluiu. As máscaras vão de R$ 10 a R$ 18, e em alguns meses, a produção foi responsável por 100% do faturamento de Najara.

Maria Verônica, do ateliê @mariaateliedemimos, foi resistente, não queria fazer máscaras, mas foi vencida pela insistência das clientes. “Bem, no início eu tive resistência a fazer as máscaras. Não achava certo me aproveitar de um momento de pandemia e fazer disso um negócio, mas as clientes não paravam de procurar. Primeiro, fiz um lote que foi totalmente doado, e só depois comecei a atender minhas clientes. Busquei modelos que se ajustassem melhor ao público feminino, até chegar uma máscara funcional e bonita. Sempre trabalhei com tecido 100% algodão, com estampas divertidas, algumas até com impressão digital. Hoje não produzimos apenas máscaras de proteção, mas um acessório que já faz parte da vida de todos, a partir desse momento, que precisa ser confortável, agregando também um ar estiloso”, afirma. As máscaras representam hoje 70% do faturamento do ateliê. As peças vão R$ 7 a R$ 10, cada.

PEQUENO PÚBLICO EXIGENTE

Se engana quem pensa que as crianças querem passar desapercebidas. Aline Reis conta que a venda de máscaras para o público infantil movimentou o @oimae_, salão e loja infantil, nos últimos meses. “Logo quando surgiu a pandemia, e ainda tinha pouca oferta, a procura por máscaras foi bem grande. Hoje estabilizou, as máscaras já não são a principal parte do nosso faturamento, mas acredito que a procura será contínua a partir de agora”.

As estampas, claro, passeiam pelo universo lúdico: no casos dos meninos são os super-heróis e Lucas Neto, e para as meninas a procura é por estampas mais delicadas e mimosas, como unicórnio e tons de rosa. “As mães têm um olhar para a proteção, se a máscara segue as recomendações, se o tecido é algodão, para evitar possíveis alergias, se tem conforto. Já as crianças buscam logo o personagem com os quais se identificam, e elas são bem exigentes nisso”, afirmou. A loja têm máscaras de R$10 a R$ 29, e as peças são feitas sob encomenda.

Karina Machado, da @saralepe. bordados, uniu o bordado, carro chefe da empresa, com a demanda que surgiu de forma orgânica das clientes. “Trabalho com bordados, faço muito enxoval infantil, e quando começou a pandemia, algumas clientes me pediram muito que fizesse máscaras para as crianças. Comecei a buscar lojas de tecidos, até fora do estado, e quando não encontrava um personagem específico, fazia a máscara bordada”, conta.

Sem querer, Karina abriu caminho para uma linha diferente de produtos, e hoje faz máscaras 100% algodão, modelo bico de pato, bordadas, com valores que vão de R$ 12 a R$ 15, além dos combos ‘mãe e filha’ ou ‘pai e filho’, extensor e outros acessórios como o porta máscara suja, e um dos mais procurados, o kit festa. “Como alternativa para aqueles que querem ficar juntos no aniversário de familiares, por exemplo, as máscaras são confeccionadas todas com o mesmo tema, cor e bordada com o nome do aniversariante”, concluiu.

Como estamos no nosso ‘novo normal’, se precisar sair de casa, use máscara. Atente-se primeiros às indicações do Ministério da Saúde; depois escolha o estilo e modelo que mais combina com você. Opções não faltam!

 

Foto 1 - Najara Pinheiro usando o modelo que combina máscara e tiara
Foto 2 - Maria Verônica busca conforto e estilo
Foto 3 - Aline Reis se dedica ao exigente público infantil
Foto 4 - As crianças também querem andar na moda. Máscaras lúdicas ajudam as crianças a se acostumar, além de ser muito divertido
Foto 5 - Karina Machada e a filha Sara
Foto 7 - Kit de máscaras personalizadas para aniversário

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