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Professora da rede municipal de Lauro de Freitas é finalista no 21º Prêmio Arte na Escola Cidadã

Redação Vilas Magazine - Em 30/09/2020

Há mais de 20 anos o Instituto Arte na Escola – instituição que atua junto aos educadores para formação continuada em artes – realiza o Prêmio Arte na Escola Cidadã, como forma de valorizar projetos transformadores no país. Na edição 2020, dentre os mais de 1.400 professores inscritos, da rede pública e particular, uma professora da rede municipal de Lauro de Freitas se destaca entre os 20 finalistas.

Carla Santos Pinheiro é educadora há mais de 14 anos, trabalhando com crianças da educação infantil até o 5º ano, nas escolas municipais Jacira Mendes (Parque São Paulo), Aurora Magalhães (Portão), Jardim Talismã (Itinga) e Santa Júlia (Itinga), além de passagem pela Secretaria Municipal de Educação.

O projeto que levou Carla para a final do prêmio é o Uhuru: Procura-se representação, que nasceu em 2018 a partir da inquietação da docente diante da postura de alguns alunos, caracterizada pela legitimação da cultura do racismo. “Era comum ouvir expressões como ‘niguinha’ ou ‘cabelo duro’. O referencial das crianças, tanto para filmes, histórias ou para brinquedos, estava muito atrelado à personagens brancas”, conta.

A escolha do nome do projeto estava baseado no resultado que Carla queria alcançar: Uhuru é uma palavra de ordem, de origem na língua africana suaíle, muito utilizada pelo Movimento Negro Unificado, pois significa liberdade. “Percebi que era necessário o protagonismo das crianças no projeto, então tudo se desenha em escuta e valorização das vozes. As atividades envolveram, por exemplo, bonecas de pano, ressaltando os aspectos de etnicidade, valorização da história e cultura local, através de rodas de conversas com representantes da comunidade e muita literatura infantil, a exemplo de Afra e os Três Lobos Guarás; Meu crespo é de rainha; Que cor é minha cor?; Bruna e a galinha d’angola; Tóim, Cadê você?; Obax; As mulheres de Abay omi; entre outras”.

Após 2018, o projeto não teve continuidade na escola, mas permaneceu o diálogo com as crianças e com os pais, sobre as memórias e os aprendizados. “Tenho certeza que os aprendizados para as crianças e para todos que participaram do projeto refletem até hoje nas suas maneiras de ser, viver, pensar e existir de forma positiva, pois construímos juntos.

Carla acredita no poder transformador de projetos como o Uhuru, mas entende que o engajamento pessoal não pode ser o principal parâmetro nesta busca, por superar as desigualdades. “Orquestrados pelas intervenções do Estado, os diferentes atores e atrizes precisam atuar juntos com vistas há um modelo de sociedade que tenha a liberdade – em suas várias dimensões – como um dos princípios. Tanto na Educação quanto em outros aparelhos ideológicos e espaços interacionais, trabalhos como estes, que privilegiam a autoria dos sujeitos sobre sua vida e a reflexão sobre suas múltiplas identidades, precisam ser perenes e realizados por todos os cidadãos”, frisa.

Mas esta não é a primeira vez que as ideias de Carla ultrapassam os muros da escola. Desde 2017 ela concorre ao Prêmio Arte na Escola Cidadã, ficando naquele ano na semifinal, com o projeto Brincadeira: oitava arte da criança (que também foi destaque estadual no Prêmio Professores do Brasil); em 2018 foi finalista, com o Projeto Trilha sou nora: o tom da criança; e em 2019, chegou à semifinal com o mesmo projeto que está correndo agora em 2020. “Sinto-me honrada em ser finalista. Faço questão de que a valorização das vozes das crianças conduzam o trabalho e que a relação escola, família e comunidade seja efetivamente constituída nas práticas educacionais. Fico extremamente feliz em saber que dentre vários projetos ricos e potentes, o que desenvolvi conseguiu chegar na final. Isto é um reconhecimento muito grande”, conclui a educadora.

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