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A pandemia está pesando no bolso

Thiara Reges - Em 30/09/2020

Cesta básica aumenta e representa quase 50% da renda do trabalhador

De centavo em centavo estamos sentindo no bolso os impactos da pandemia, e cada vez que precisamos ir ao supermercado compramos menos alimentos e pagamos mais. Segundo pesquisa regular do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica subiu em 13 das 17 capitais pesquisadas em agosto de 2020, na comparação com o mês anterior.

Salvador, apesar de não estar entre as capitais com maior valor mensal de agosto (São Paulo aparece em primeiro lugar, com R$ 539,95), se destaca quando considerada a variação do ano de 2020, uma alta de 16,15%, deixando o preço da cesta em R$ 418,72.

O Dieese aponta ainda, que na análise do preço médio da cesta básica, tendo como base o valor do salário mínimo no Brasil, o trabalhador comprometeu 48,85% de sua renda apenas com essa demanda.

Se observarmos o popular PF (prato feito) do brasileiro, a alta foi de 20% se comparada ao mesmo período do ano anterior, segundo revelou pesquisa da Gfk, consultoria de pesquisa sobre os mercados e consumidores. Hoje, para comprar 100g de arroz, 50g de feijão, 100g de batata, 1 unidade de ovo, 75g de tomate e 150g de carne, o brasileiro precisou dispor de R$ 7,13, contra R$ 5,94 no ano passado.

Os principais alimentos da mesa do brasileiro, o feijão e o arroz, já apresentaram alta de 31% e 29%, respectivamente, desde o início da pandemia.

No início de setembro a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) fez um alerta ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre as grande altas registradas nos alimentos. O desequilíbrio entre a demanda e a oferta, que motiva esse cenário de alta de preços, seria uma consequência da alta do dólar e das exportações. No cenário atual é mais interessante para o produtor vender a matéria-prima para outros países do que escoar internamente a produção.

A Abras destacou também que o setor tem se empenhado para manter os preços normalizados e as gôndolas abastecidas, mas isso pode ser difícil se os preços continuarem subindo.
 

Mais pesquisa de preço e mais experiência

Josué Teles de Araújo, diretor do Mixbahia Supermercado, em Vilas do Atlântico e diretor presidente da Fernem – Federação das Redes de Negócios Multissetoriais, vem acompanhando de perto as oscilações da economica desde o início da pandemia. “Aconteceram algumas mudanças no comportamento de consumo, ao longo desses seis meses. Nos dois primeiros houve um aumento, bem acentuado de vendas, puxado, pela alta demanda da linha de alimentos e materiais de limpeza. Após essa euforia inicial, as vendas se acalmaram, mas continuaram um pouco acima do normal, isso em função até do fechamento de vários outros segmentos, como bares, restaurantes, móveis, eletros, entre outros. Agora, após liberação quase total da economia, as vendas se normalizaram por completo”, afirma.

Mas Josué percebeu também que os produtos que sofreram maiores variações de preço neste período, como leite e todos os seus derivados, produtos derivados da soja, massas, estão ficando mais tempo na prateleira. “Existe uma redobrada do consumidor quanto a pesquisa de preço e substituição de produtos, é uma reação rápida quando acontecem grandes aumentos, como esses de agora. A maioria troca por produtos similares, com valores menores. Já aqueles fiéis à marca não costumam trocar, mas diminuem o volume de compras”, conclui.

Iuri Brandão, sócio proprietário da rede Vivo o Grão, destaca ainda que o medo de sair de casa, que provocou o aumento na demanda por alimentos no início da pandemia começa a passar, e agora as pessoas que saem de casa buscam não apenas melhores preços, mas produtos mais saudáveis e experiências.

“Na verdade, sempre existiu um cuidado do consumidor com o preço, porém no momento atual, de forma mais intensa, percebo que o mais importante não é o preço, seja nas vendas “on line” ou na compra presencial. O cliente sabe que é importante fazer pesquisas sim, mas também sabe que o barato pode sair caro. Apesar do cenário, o cliente continua não querendo comprar somente o produto em si. Ele está em busca de algo com muito mais valor agregado, algo que não se precifica: uma experiência que faça ele querer voltar”.

Bom para o bolso e para a saúde

O café com pão do soteropolitano já não tem o mesmo sabor. No último mês, o pão francês apresentou alta de 9,78% e a manteiga, acompanhamento obrigatório, aumentou 0,26%.

Entre os alimentos que estão puxando a alta da cesta básica se destacam o óleo de soja, pão francês, leite e seus derivados, a carne bovina de primeira e o arroz, que na prateleira de alguns supermercados do país chegou a apresentar alta de até 80%.

Uma sugestão é pensar em substituições que sejam boas para o bolso e também para a saúde. A nutricionista Carla Tissianel, destaca que é possível fazer boas escolhas até no caso do tradicional feijão com arroz, sem perder no ganho nutricional. “O arroz branco é um carboidrato que gera energia para as atividades do dia a dia, porém é um alimento com baixas concentrações de vitaminas, minerais e fibras. Quando pensamos em substituição temos opções mais nutritivas, a exemplo de raízes, como inhame, aipim ou batata doce. Já o feijão, que pertence ao grupo das leguminosas, carrega nutrientes importantes e pode ser substituído pela ervilha, lentilha, soja ou folhosas verdes escuras, a exemplo de rúcula e espinafre”.

Outra dica de Carla é aproveitar os produtos sazonais, e neste caso a lista de variedades é bem grande:

- Frutas: abacaxi, banana nanica e prata, kiwi, caju, framboesa, jabuticaba, laranja pera, maçã fugi, mamão havaí e mamão formosa, manga, maracujá, melancia, melão, pêssego, tangerina;
- Legumes: alcachofra, berinjela, cenoura, nabo, pepino japonês, beterraba, inhame, pimentão amarelo, tomate, vagem, abóbora;
- Verduras: alho poró, almeirão, aspargos, erva doce, mostarda, brócolis, couve bruxelas, espinafre, escarola, mostarda, rúcula, nabo, rabanete.

“Diante da pandemia sabemos o quanto é importante um sistema imunológico fortalecido. Uma alimentação saudável, associada a prática de atividades físicas regulares, é a chave para melhora da imunidade e a prevenção de doenças. Com o preço dos alimentos nas alturas, fazer substituições, além de economizar, é possível agregar valores nutricionais semelhantes ou até superiores, em alguns casos”, conclui.

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