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Maria Alice Paraná, uma mulher de sucesso

Thiara Reges - Em 01/10/2020

O que é sucesso?
Segundo o dicionário Aurélio, ter sucesso é alcançar um resultado exitoso em algo, ter um resultado feliz, triunfar em uma missão. Mas talvez sucesso também possa ser entendido através da equação entre convicção, resiliência e fé, que permite, ao mesmo tempo, um olhar para o passado sem arrependimentos, com a capacidade de conectar o presente ao futuro, mirando sempre novos desafios.
 
É assim que funciona para Maria Alice Paraná, empresária baiana que durante 18 anos esteve no comando do grupo MAP (abreviatura formada pelas letras iniciais de seu nome), empresa referência no mercado quando o assunto é prestação de serviços terceirizados. Ao lado do marido, Sisnando Ribeiro, ela transformou as experiências acumuladas de outros negócios, os ensinamentos do pai – o jurista Raimundo Paraná – e a sua essência inquietante, em um negócio sólido. Mas não foi uma caminhada fácil.
 
Resiliência, desafios e fé!
Sua trajetória nos mostra que resiliência, por exemplo, é algo que ela entende bem. Natural de Salvador, única menina entre quatro irmãos, Maria Alice se graduou em direito pela Universidade Católica do Salvador, apesar da aversão do pai. “Meu pai é advogado, um dos registros mais antigos da OAB na Bahia, são 76 anos, e por viver intensamente a vida jurídica ele não se mostrou muito satisfeito com a minha escolha. Mas eu estava convicta. Depois de formada, já exercendo a profissão – trabalhei anos no escritório com ele, mesmo antes de concluir a faculdade –, fui entendendo o sentimento dele: meu pai se decepcionou muito com a justiça no Brasil e eu também não concordava com algumas práticas na área jurídica, não queria fazer parte daquilo; mas, por outro lado, eu já sabia que minha vocação era fazer a diferença no mundo, e fazer valer o direito das pessoas é uma forma de alcançar isso”, conta.
 
Mas o exercício da profissão não duraria muito tempo. Casou-se um ano após concluir a faculdade, e poucos anos depois decidiu abandonar tudo e acompanhar o então marido para uma estadia de dois anos no Peru, onde ele teria uma oportunidade de crescimento profissional. Foi naquele país que Maria Alice viu suas duas filhas, Mariana e Adriana, crescerem e também onde percebeu que tinha a habilidade de se adaptar e se reinventar profissionalmente.
 
Impedida de exercer o Direito, viu na festa de dois anos de sua caçula, Adriana, uma oportunidade de mercado. “A cultura do Peru é muito diferente da nossa. Nas festas, não havia nem os brigadeiros que somos acostumados a saborear nas festas de criança. Achei um absurdo! Então botei a mão na massa: como sabia cozinhar e gostava de receber pessoas, fiz a festa, dos doces à decoração, convidei alguns amigos brasileiros que trabalhavam na empresa com meu ex-marido e alguns vizinhos. Ali mesmo, durante a festa, fechei minhas primeiras clientes, e comecei a trabalhar com eventos”. 
 
Os dois anos iniciais se transformaram em 10. A empresa cresceu e ocupou espaços, de festas de debutantes ao grande momento de comemoração do 7 de setembro na embaixada brasileira, no final dos anos 1980, com direito a baiana de acarajé.
 
Toda experiência acumulada seria útil no desafio que se apresentou em seguida: morar em Washington, nos Estados Unidos. Com poucos recursos financeiros, Maria Alice se dividia entre cuidar das filhas, da casa – era muito caro manter uma empregada –, aprender o idioma e nos intervalos, ainda auxiliar brasileiros que estivessem visitando a cidade, a grande maioria realizando negócios com a empresa do ex-marido, facilitando o acesso à embaixada, ou até fazendo recepções e jantares de negócios em sua casa.
 
Lembram que citei no início desse texto que Maria Alice Paraná entende bem de resiliência? Então. Em 1986 ela retorna ao Brasil, divorciada, com duas filhas, sem trabalho, mas pronta e decidida a enfrentar um novo recomeço.
 
“Deus, Deus e Deus. Minha força vem da minha fé. Não vejo nada como derrota, mas como um novo desafio. No divórcio com meu ex-marido pedi apenas que me passasse as ações de uma empresa de serviço da qual ele era sócio, para que eu tivesse de onde tirar uma renda para sustento das filhas. Nesta empresa aprendi muito sobre o que é necessário neste segmento; foi lá também que conheci Sisnando, um grande amigo, que se transformou em parceiro de negócios e parceiro de vida, e juntos criamos a MAP”.
 
Grupo MAP: duplamente amor
“Compramos uma empresa de segurança e nossa sede era em Itinga, lugar que há 20 anos atrás nem pizza chegava, mas era o que o nosso dinheiro podia pagar”, lembra. O nome da empresa foi uma sugestão de Sisnando: Maria Alice Paraná assinava MAP, suas iniciais, há muitos anos, e já estava conhecida no segmento de serviços e ele sugeriu adotar a sigla. A associação da nova empresa que chegava ao mercado, tendo a já conhecida empresária Maria Alice Paraná na linha de frente, ajudou de forma decisiva a conquistarem os primeiros clientes.
 
De forma estratégica, a empresa de segurança e serviços ampliou o olhar, que antes estava muito direcionado para o Pólo Petroquímico, e começaram a atender também shoppings e condomínios empresariais, e assim, como na vida a dois, Maria Alice Paraná e Sisnando Ribeiro construíram uma família dentro da MAP, chegando a ter 15 mil colaboradores vestindo a camisa e orgulhosos em fazer parte do Grupo.
 
“Sem dúvida a MAP é o sucesso que é pois reflete essa conexão que temos em comum, Sisnando e eu. Somos diferentes, razão e emoção, água e vinho, às vezes pende mais para a água, outras vezes mais para o vinho, mas existe um ponto de convergência, talvez fruto da amizade que virou amor, e que faz com que tudo que fazemos dê certo. Acredito que ele aprendeu comigo a ter mais empatia e eu aprendi com ele a ser mais franca, pois isso é bom para mim mas também para o próximo”.
 
Um novo sonho? Por quê não?
Enquanto coletava material para essa matéria, nas boas tardes de conversas com Maria Alice, percebi que ela tem uma essência extremamente inquietante. Reflexo disso, ao completar 60 anos, declarou ao sócio e marido, que iria se aposentar da MAP. “Lembro de Sisnando me perguntar o que eu iria fazer fora da MAP. Respondi que a MAP até pode ser Maria Alice Paraná, mas que eu não era apenas a empresa, e que eu iria encontrar alguma outra coisa que gostasse e que me fizesse bem”.
 
E não é que achou?
 
“Sempre frequentei esse salão aqui no Shopping Estrada do Coco (antigo salão Alkymia) e um dia
as meninas comentaram comigo que a dona tinha colocado o espaço à venda. Cheguei em casa e avisei para Sisnando que eu ia comprar (risos). Assim nascia o La Maison de MAP. Depois que comprei o salão, meu pai me contou que a minha avó materna foi dona do primeiro salão de luxo de Salvador, que ficava ali na rua Chile, rua chique da época, com o nome de Madame Pompadour. Você vai me dizer que não existe uma conexão?”.
 
“O La Maison nunca foi para mim apenas um negócio. É aqui onde me divirto, faço amizades, e estou me referindo tanto às minhas clientes como às pessoas que trabalham comigo. Gosto de estar no meio do salão, de ver as pessoas e sentir a energia que pulsa dentro dele”.
 
Antes da pandemia, era comum o salão abrir as portas para empresários de outros segmentos oferecerem degustação de guloseimas ou drinks, pequenos desfiles de moda, sessões de fotos, entre tantas outras ações que gerasse um bemestar coletivo. “Gosto da ideia de servir e servir bem. Quero que as pessoas se sintam felizes trabalhando no La Maison, da mesma forma que quero proporcionar experiência para as clientes. Já tínhamos até um grupo de mulheres que combinavam pelo WhatsApp a vinda ao salão, e neste dia o espumante era garantido. Nosso tratamento vai do cabelo até a cabeça, da unha até a alma”.
 
E seu olhar inovador não cansa.
 
Pautada nestes momentos, Maria Alice em breve vai inaugurar um novo espaço, café com champanhe, ao lado do salão, um espaço para as clientes e os maridos ampliarem ainda mais a experiência do que é estar em um salão de beleza.
 
Sobre convicção, resiliência e fé, Maria Alice Paraná entende que toda sua experiência de vida, desde a levada Teinha (apelido familiar da menina que deixava a mãe de cabelos em pé), até à empreendedora da MAP, foram fundamentais para que ela se tornasse a pessoa que é hoje.
 
“Não venham me dizer que algo em que estou focando não vai dar certo! Quero viver a experiência e saber se vai funcionar ou não. Aprendi com meu pai, meu exemplo – me esmero para ser como ele –, que quando fazemos algo para o próximo, não devemos nos vangloriar. Isso é vaidade. Não sou administradora por formação, mas aprendi a administrar pelas circunstâncias da vida. Hoje sei que administro com a sensibilidade, não com a razão. Aprendi com a vida que ninguém cresce sem sofrimento. O aprender às vezes dói, e muito. Como também sei que ninguém faz nada sozinho. Tudo que fizer na sua vida, faça acompanhada de boas pessoas. Sou grata à todos que dividem a sua vida comigo dentro da empresa. Era assim na MAP e é assim no La Maison”.
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