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Outubro Rosa: prevenção continua sendo o melhor remédio

Thiara Reges - Em 01/10/2020

Desde o início da década de 1990, o mês de outubro é marcado pela campanha de informação e prevenção ao câncer de mama, doença listada entre as 10 que mais matam mulheres no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Neste período, vários tópicos foram discutidos entre os pecialistas, mas a importância da descoberta precoce sempre esteve em destaque.
 
Um estudo publicado este ano pela revista científica The Lancet, por exemplo, reforça a necessidade de exames anuais de mamografia em mulheres a partir dos 40 anos, diferente do que é recomendado atualmente pela Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde, no Brasil, que indicam o exame de rotina a cada dois anos após as mulheres completarem 50 anos de idade. A justificativa apresentada no estudo, chefiado por pesquisadores da Queen Mary University of London, é que quanto antes o diagnóstico, menor é o índice de mortalidade.
 
Mas o ano de 2020 tem um outro fator agregado, a pandemia da Covid-19, que já apresenta algumas consequências negativas, como o aumento da ingestão de bebidas alcoólicas pelas mulheres e do índice de obesidade, ambos fatores de risco, e também a baixa procura ou até a interrupção em algumas unidades de saúde, por exames de rastreamento.
 
Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, neste cenário de distanciamento social e novas medidas de segurança sanitária, o autoexame das mamas ganha ainda mais importância.
 
O autoexame deve ser feito uma vez por mês, após sete ou oito dias da menstruação, por mulheres a partir de 20 anos de idade. Mulheres que não menstruam devem escolher uma data fixa e repetir o exame todos os meses.
 
‘MAS NEM PARECE QUE VOCÊ TEM CÂNCER’
Prevenção, informação e rede de apoio são palavras de ordem para a publicitária e escritora baiana Carolina Magalhães, quando o assunto é câncer. Ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama aos 29 anos de idade. “A verdade é que a gente nunca imagina que vai acontecer com a gente e o desconhecimento e mitos sobre a doença faz com que o medo seja a primeira reação. O medo entre as pessoas é tão grande que nem mesmo seu nome é pronunciado com todas as letras. Mas penso que quando chamamos a ‘coisa’ pelo nome real dela, diminuímos nosso medo e passamos a enfrentá-la de frente, cara a cara. Eu não tive C.A, eu tive câncer. Eu só queria passar por tudo isso e sair ilesa”, contou.
 
Ao todo, num período de pouco mais de um ano, Carolina passou por cinco cirurgias, mastectomia, retirada total da tireóide, recidiva do câncer de mama, nódulo no fígado, quimioterapia e radioterapia. Toda essa trajetória, enfrentada com o apoio da família e amigos, com foco na cura, se transformou no livro autobiográfico ‘Mas nem parece que você tem câncer’, lançado em 2018.
 
Hoje, aos 33 anos, Carolina sente que a busca e o acesso à informações sobre o câncer crescem cada vez mais, e o compartilhamento de histórias reais podem ajudar as famílias neste enfrentamento. “Quando exponho minha história, minha trajetória, acabo ajudando outras pessoas. Não só mulheres que estão passando pelo processo, mas a família e os cuidadores também. É importante trazer essa vivência para desmistificar a doença. Mesmo sabendo que o processo é individual, essa troca serve muito pra quem está iniciando o tratamento”.
 
No começo do livro, Carolina coloca em destaque uma frase que ouviu de sua prima, Mariana, e chama atenção por se aplicar em várias circunstância inclusive agora em plena pandemia: “O tempo da ‘coisa’ é quando ela acaba. E já está acabando”.
 
Para a escritora, todas as pessoas têm algo a ser resolvido, o que muda é a maneira como encaramos a situação e quais aprendizados colhemos ao longo do processo. “A questão é: como você vai enfrentar tudo isso? A pandemia fez todos se recolherem, obrigatoriamente, e muitas pessoas aproveitaram esse recolhimento para olharem para dentro de si mesmas, conhecerem seus corpos, seus medos e potenciais. Quem conseguiu fazer isso, descobriu novas formas de autocuidado e percebeu a importância dele. Mas também é um processo individual, não adianta entrar na modinha do autocuidado e não se preocupar de fato com a saúde do corpo e saúde mental”, conclui.
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