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Brasil vive ano histórico em instalação de energia solar

Thiara Reges - Em 01/11/2020

Passar mais tempo em casa tem ajudado os brasileiros a repensarem suas escolhas e adotarem medidas mais sustentáveis. Um exemplo é o crescimento da energia solar no país. Levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) mostra que de setembro de 2019 a setembro de 2020 foram adicionados cerca de 162 mil novos sistemas de geração solar distribuída no país, um crescimento superior a 130% em relação ao período anterior.

Mesmo 2020 sendo um ano histórico em expansão da energia solar, com sistemas solares fotovoltaicos instalados em mais de cinco mil municípios e em todos os estados brasileiros, estamos falando de economia e sustentabilidade para 374,4 mil unidades consumidoras, o que representa apenas 0,4% do total de 84 bilhões de consumidores de energia no país.

A Bahia, apesar do reconhecido potencial em geração de energia renovável, onde além da energia solar podemos destacar também a energia eólica, com 171 parques em funcionamento, no que tange a potência instalada (MW) o estado está em 10º lugar no ranking do país, que é liderado por Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Everton Tiago Fornari, engenheiro eletricista especialista em energia solar fotovoltaica e sócio proprietário da Multi Energia e Construção, destaca que a Região Metropolitana de Salvador tem contribuído para as estatísticas de crescimento do país. “A energia solar está em sua melhor fase nestes últimos três anos, pois os preços de equipamentos estabilizaram, as instituições financeiras estão oferecendo linhas bem atrativas para financiamento e a legislação está mais favorável ao consumidor. Estamos em uma região onde a incidência de radiação solar é constante durante o ano todo e a parte tributária também ajuda, se comparado com outros estados. Além disso a Região Metropolitana se destaca devido à facilidade logística e ao grande consumo dos imóveis devido ao turismo”.

Projetos de incentivo a adoção de medidas mais sustentáveis, a exemplo do IPTU Verde, implantado, por exemplo pela Prefeitura de Salvador, ajudam a aumentar o interesse da população. Outro exemplo é o projeto da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), que oferece desconto de 50% na compra de placas de energia solar. O primeiro lote de inscrições foi aberto em setembro de 2019, e até março deste ano, no quarto lote, 795 consumidores residenciais concluíram a inscrição. Podem participar moradores de Camaçari, Candeias, Dias D’Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, Pojuca, Salvador, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé, Simões Filho e Vera Cruz. No site http://coelba. neoenergiasolar.com/ é possível conferir todo o regulamento.

Sustentabilidade que gera economia
Adriano Oliveira, morador de Vilas do Atlântico, implantou as placas fotovoltaicas em 2019. Apesar de ainda estar pagando o investimento, com a redução em sua conta de energia e o conforto gerado, ele garante que está satisfeito com a decisão e indica que mais pessoas façam o mesmo. “Antes a nossa conta de energia era pouco menos de R$ 500, e olha que em casa sempre fomos muito controlados. Hoje, não pagamos mais de R$ 50, além de termos os créditos pela geração de energia. Podemos usufruir de todos os nossos equipamentos eletrônicos sem preocupação. No nosso condomínio, outras quatro casas também já instalaram e eu indico que mais pessoas busquem informações e façam o mesmo”, conclui.

A informação, por sinal, tem sido uma ótima aliada da energia solar. Com maior procura pelos consumidores e maior oferta do serviço, a aquisição de sistemas de energia solar fotovoltaica teve seus valores reduzidos significativamente, uma média de 85% nos últimos dez anos, mesmo ainda adquirindo produtos importados, com os altos valores do dólar.

“O sistema de energia solar fotovoltaica gera a energia elétrica para o imóvel (ou mais de um imóvel), reduzindo o consumo da energia comprada da rede da concessionária (em até 95%). É semelhante a sair do aluguel e investir em imóvel próprio, mas com custo muito menor e que traz qualidade de vida e comodidade, sem alterar o planejamento financeiro de forma brusca e ainda possibilita estabilidade quanto aos reajustes anuais futuros de energia elétrica”, ressalta Everton Fornari.

David Elbachá Marnet, engenheiro civil especialista em sistemas de geração fotovoltaica, coordenador da Macrosol Energia Sustentável, complementa que outro atrativo é a taxa de retorno do investimento. Na média, o retorno que em 2012 estava avaliado em 12 anos, caiu para 4,5 anos, com uma vida útil das placas de 25 anos. “Em média o tempo de retorno pode ficar entre três a sete anos, depende da classificação tarifária do cliente. Para termos um exemplo, para uma casa de 200m², abrigando uma família de quatro pessoas, com um consumo médio de 500kWh/mês, corresponde à um sistema fotovoltaico de 12 a 15 painéis solares, que gera economia próximo de R$500,/ mês ou economia de até R$6.000, por ano. O que com as correções de reajuste de energia e inflação, pode ter um tempo de retorno tranquilo de 40 meses”, explica.

O engenheiro completa que desde o início deste ano, com a pandemia, a busca por mais conforto no ambiente de casa, a nova rotina de home office e até as estratégias de economia para manter empresas e indústrias abertas, a equipe registrou um aumento de demanda de implantação de novas unidades geradoras, de algo próximo a 300%, em relação ao mesmo período do ano passado.

“Apesar de muitas pessoas ainda precisarem ‘ver para crer’, como diz o ditado, a energia solar chegou para trazer uma proposta de investimento alternativo ao cidadão brasileiro. O maior benefício é entregar liberdade energética e financeira., ou seja, o consumidor passou a ter o direito de gerar a própria energia que consome, e não mais dependente de uma única fornecedora, no caso, a concessionária. É mais uma disrupção que chegou para mudar o monopólio da energia, além de contribuir com a tendência mundial de fontes renováveis. Nossa orientação é que as pessoas tenham o cuidado de pesquisar sobre a empresa que está contratando para não terem prejuízos ou surpresas desagradáveis”, conclui.

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