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LITORAL DE VILAS DO ATLÂNTICO: academia natural de esportes

Thiara Reges e Moreno Sesti - Em 01/06/2021

O fenômeno dos esportes ao ar livre tem tomado conta das praias de Lauro de Freitas. Desde o início da pandemia, já era possível perceber a orla lotada de pessoas praticando atividade física. Com o toque de recolher e a proibição das academias, ficou mais comum a presença de pessoas praticando esportes de diferentes modalidades, realizando exercícios ao longo do dia na praia.

Existe uma variedade de atividades físicas que podem ser realizadas na areia, desde as tradicionais vôlei de praia e frescobol, e também os esportes praticados na água como stand up paddle, canoagem, surf, kitesurf. Mas na pandemia, os campeões de procura foram o funcional na praia e o futevôlei!

‘’Durante esse momento de pandemia, a procura pelas aulas de funcional e futevôlei cresceram consideravelmente, declara Jaílton Carvalho (@drjailtoncarvalho), educador físico e fisioterapeuta. Ele realiza aulas de funcional e futevôlei há pelo menos quatro anos na praia de Vilas do Atlântico. "Nossas aulas funcionam respeitando os protocolos estabelecidos pelas autoridades sanitárias; mantemos o distanciamento e trabalhamos com número reduzido de alunos. Antes da Covid, tínhamos aulas com mais de 12 alunos. Hoje, trabalhamos com no máximo seis’’.

O exercício funcional virou tendência nos últimos anos pelo seu alto grau de queima calórica, além do direcionamento dos exercícios para o condicionamento físico da pessoa, podendo ser praticado por crianças até idosos. O educador físico Júnior (@jrtreinodeareia) destaca que, em cada aula, o aluno gasta de 500 a 800 kcal, e a areia fofa intensifica ainda mais os resultados. Pioneiro nos treinos funcionais em Vilas do Atlântico, nos 13 anos de praia já treinou mais de 500 alunos e sente que a procura continua intensa.

“Começamos em 2008, na época era uma modalidade nova e acreditamos que seria uma tendência. E estávamos certos. Hoje estamos com 100 alunos ativos, em média, onde 60% é do sexo feminino. Mas ao longo da praia há pelo menos mais uns cinco treinos de funcional e essa popularização se dá devido ser uma atividade muito eficiente em termos de resultado e muito agradável de se praticar, em contato direto com a natureza”, destaca Júnior.

O educador físico acredita que parte do aumento na procura pelos exercícios na praia seja um reflexo do medo das pessoas ficarem em ambientes fechados, como são geralmente as academias. Além disso, Jaílton complementa que também existe um novo olhar das pessoas quanto aos resultados para a saúde mental quando são realizadas atividades físicas. &39;&39;Durante a atividade física, uma série de citocinas pró e anti-inflamatórias são liberadas. Há incremento na circulação de linfócitos, assim como no recrutamento celular. Tais efeitos levam ao melhor controle da resposta inflamatória e reduzem os hormônios do estresse”, explica.

FUTEVÔLEI: nova febre na areia
Esporte 100% brasileiro, nascido nas praias do Rio de Janeiro nos anos 1960, através da fusão do vôlei com o futebol, o futevôlei se popularizou nos anos 90 e virou febre em todo o Brasil. E não seria diferente em Lauro de Freitas. "O futevôlei é o esporte que mais cresce no Brasil. Geralmente é jogado a céu aberto, com os pés na areia e não em ambientes fechados e
tradicionais das academias”, explica Jaílton.

Havendo uma faixa de areia, de 18x9 metros, é fácil encontrar duplas, trios e até quartetos em disputas eletrizantes. Em São Paulo, segundo informações da Federação Paulista de Futevôlei, a prática do esporte cresceu mais de 250% durante a pandemia. Já no Ceará, apesar de não possuir dados oficiais, o crescimento do esporte pode ser percebido em um rápido passeio pela orla da capital e Região Metropolitana, com arenas prontas para prática do esporte, que completam as dimensões oficiais, que podem ser usadas por amadores e profissionais.

Estima-se que só no Rio de Janeiro o número de praticantes ultrapasse os 10 mil, com tendência de crescimento. Mapeamento realizado pela World Footvolley League, organização brasileira que promove o ranking internacional, destaca que entre as novas matrículas, as mulheres já representam 50%.

‘’As mulheres descobriram o futevôlei e se apaixonaram. É um esporte altamente prazeroso e que proporciona inúmeros benefícios como emagrecimento, condicionamento físico e consciência corporal do praticante. Em apenas 1 hora de treino você queima em média 500 calorias”, concluiu.

CANOAGEM: um esporte democrático
Literalmente surfando na onda de pessoas procurando novas atividades físicas para realizar, os esportes náuticos se posicionam em destaque. A empresária Nicole Saback é declaradamente uma apaixonada por esportes dentro da água. De regatas no oceano, passeios de stand up paddle e kitesurf, desde criança ela tem experimentado de tudo um pouco, mas há quase uma década seu esporte principal é a canoagem.

"Percebo que as pessoas estão procurando mais por atividades físicas ao ar livre, sobretudo aquelas que permitem uma interação segura com colegas e com a natureza. Atribuo isso ao longo período de isolamento domiciliar que vivemos, ocasionado pela pandemia. As pessoas estão ressignificando suas escolhas e priorizando melhor qualidade de vida”, destaca Nicole.

A paixão pela canoagem é de família. O irmão, Richard Saback, fundou o Clube de Canoagem Kirymurê, em Salvador, em 2016, que nasceu após insistentes pedidos de amigos e familiares por aulas de canoagem. "Toda minha família rema e participa de competições pelo país há anos. Tínhamos nossa própria canoa havaiana, exclusiva para os treinos com nossas equipes. Foi quando muitos amigos começaram a pedir para darmos aulas e levá-los em passeios”.

Mas não parou por aí. Nicole e o marido Sérgio Diniz montaram uma base do Kirymurê (@kirymure.litoralnorte) na praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas, no início de 2021. "Inicialmente, quando abrimos a base, achamos que iríamos apenas ensinar um novo esporte. Aos poucos fomos percebendo que nossa responsabilidade é muito maior do que isso. Hoje, temos alunos com mais de 70 anos, gestantes, dificientes físicos, crianças e até pessoas se recuperando de processos de depressão, acentuados no período de isolamento. Realizamos também o projeto Kirymurê Kids, para crianças de 7 a 10 anos. A canoagem é acima de tudo um esporte democrático, que nos proporciona a oportunidade de fazer a diferença na vida das pessoas, e é esse o combustível que nos motiva cada dia mais a seguir com o nosso trabalho”.

BEACH TENNIS: distanciamento e saúde
Apesar de ainda ser considerado uma novidade nas praias brasileiras, um esporte vindo diretamente da Itália tem conquistado cada vez mais adeptos. O beach tennis, uma mistura de tênis, frescobol e vôlei, chegou no Brasil por volta de 2008, mas segundo a Confederação Brasileira de Beach Tennis o esporte já conquistou cerca de 200 mil pessoas em todo o país e hoje existem mais de 4,5 mil atletas cadastrados para participar de torneios.

Foi assistindo a uma partida descontraída nas areias do Rio de Janeiro que Rodolfo Ragner se encantou com o esporte. “Estava no Rio jogando frescobol na praia, quando vi o pessoal jogando beach tennis e fiquei curioso. Como fui atleta de tênis por 10 anos, comecei a perguntar em Salvador se alguém conhecia e praticava a atividade. Foi quando encontrei um grupo em Vilas do Atlântico. A primeira vez fui apenas para conhecer o esporte, e me apaixonei. Não parei mais de praticar!”, conta.

Não demorou nada para o prazer virar fonte de renda e há três anos Rodolfo fundou a RRBT Beach Tennis (@rrbt_beachtennis), por onde já passaram mais de 500 alunos, que fizeram ao menos uma aula experimental, o que é fundamental para a popularização do esporte. Mas não é uma tarefa fácil, sobretudo por conta do custo do principal equipamento: as raquetes têm preços que partem de R$ 100, chegam em média a R$ 700, mas podem passar dos R$ 2.000.

As quadras de beach tennis têm as mesmas dimensões usadas no vôlei de praia, com 16x4,5 metros. As diferenças em relação ao tênis estão no tamanho das raquetes, que no beach tennis são menores e na altura da rede, que chega a 1,7m de altura, mais próximo neste caso do vôlei. As partidas são disputadas mano a mano ou em dupla e em categorias mistas (feminino e masculino juntos). Cada jogador só pode ter contato com a bola uma vez e é preciso passá-la para o outro lado de primeira, sem deixar cair na areia.

Um dos pontos que mais atrai os novos praticantes é a queima calórica: como a modalidade exige intensa movimentação dentro da quadra, o gasto calórico chega a ser em média de 600 calorias por jogo. Mas vale destacar também que o terreno fofo diminui o impacto nas articulações, a rapidez do jogo ajuda a desenvolver a capacidade cognitiva e a coordenação motora e, o esforço para não deixar a bola cair, trabalha intensamente os músculos do abdômen, lombar e quadril.

“Hoje temos 150 alunos, englobando todas as unidades. Apesar do equilíbrio, a maioria dos praticantes são mulheres, mas seguimos trabalhando para popularizar o esporte. Organizamos torneios, fazemos aulões gratuitos em praias diferentes e também convidamos algumas pessoas influentes para fazerem aulas gratuitas e propagar o esporte. O grande problema é sem dúvida o custo. As raquetes não são baratas, e o material geral, tem custo alinhado ao dólar. Mas do ponto de vista da saúde os ganhos são inquestionáveis”, concluiu.

VÔLEI: das quadras para as praias
Todos os dias pela manhã um certo movimento no último trecho da praia de Vilas do Atlântico, tem chamado a atenção. Bolas, redes, praia e muita energia: são as aulas de vôlei de praia que ocupam duas quadras na areia, batizadas de Arena Restinga.

O técnico é José Paranhos (@zepara- nhos), um velho conhecido para quem foi aluno dos colégios Apoio e Perfil, em Vilas do Atlântico, nos últimos 22 anos. Nas unidades, Paranhos já treinou mais de mil alunos, do mirim ao juvenil, e alguns despontaram no esporte, participando inclusive do campeonato baiano.

Certificado pela Confederação Brasileira de Vôlei, Paranhos é técnico nível IV de vôlei indoor e nível II de vôlei de praia, o que lhe permite treinar atletas e equipes até a categoria Sub 21. “Me especializei todos esses anos na modalidade indoor, mas veio a pandemia, o fechamento das escolas e das quadras e pensei em uma alternativa para continuar em atividade. Fiz então os cursos de vôlei de praia na CBV e levei os atletas para a areia. Hoje estamos com cerca de 20 alunos, alguns vindos das quadras, mas cerca de 50% são novos alunos, que passavam pela praia fazendo caminhada ou andando de bicicleta e paravam para assistir ao treino”, conta.

As turmas são divididas entre iniciantes, pessoas que estão em busca do exercício pela qualidade de vida, e as turmas de rendimento, atletas com foco nas competições. Entre estes está a dupla feminina Sofia e Letícia, que na quadra ficaram em 3º lugar na Copa Nordeste Sub 18, e agora se preparam para disputar o Sub 19 e Sub 21 baiano e nacional, nas praias.

Paranhos percebe que a procura pelas aulas tem aumentado bastante e acredita que seja um reflexo da pandemia. “Sinto que as pessoas antes viviam no saudosismo ou projetando o futuro, se esquecendo que o mais importante é viver o presente. Acredito que a pandemia veio para provocar esse despertar e as pessoas estão percebendo que a vida não é só trabalho. Por toda a faixa de areia você vê pessoas praticando esportes, essa prática ao ar livre, beira mar, é uma tendência que veio para ficar, pois auxilia na saúde física e mental das pessoas”, destaca.

Sua paixão pelo esporte é tanta, que fundou, em parceria com o amigo Luiz Gonçalves, a Liga Movimento de Vôlei, equipe que representa a cidade de Lauro de Freitas no campeonato adulto mas- culino e através da qual o técnico realiza ações de inclusão social, algo que ele defende como essencial para o desenvolvimento de pessoas e do esporte.

“Entendo que tenho o papel de retribuir para a comunidade, com meu trabalho e conhecimento, então o olhar para o social sempre fez parte do meu trabalho. Hoje, reservo uma quantidade de vagas para atender alunos de comunidades carentes, que não podem pagar as mensalidades. Minha meta é conseguir atender 160 alunos de comunidades carentes por mês.

Para viabilizar o projeto, desde o final de maio, Paranhos disponibiliza as quadras e os equipamentos para pessoas que gostam de vôlei mas não pretendem se matricular no curso. “Nossa intenção é atrair a turma que gosta de um &39;baba&39; aos sábados. A quadra e os equipamentos estão à disposição, por uma taxa de R$ 35 por pessoa. Todo o valor arrecadado nos finais de semana é revertido para custear as despesas dos alunos de rendimento, como transporte, além das aulas dos novos alunos vindos das comunidades carentes de Lauro de Freitas”, concluiu.

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