Vilas Magazine
Lauro de Freitas
+26°C

Máx +29°

Mín +25°

Dom, 02.02.2014

Delegando poderes

Raymundo Dantas - Em 01/07/2021

Mexi aqui num vespeiro. Falando de “empoderamento”, de permissão do erro e de administração participativa, recebi alguns telefonemas de amigos preocupados com os problemas da transferência de poder. Não seria uma coisa perigosa tentar distribuir o poder entre os empregados?

Apresso-me então a aprofundar um pouco mais a conversa.

Para começar, gostaria de lembrar que qualquer negócio envolve risco. Risco, portanto, sempre há em qualquer decisão que um gestor toma com relação ao negócio. O problema é administrar os riscos: avaliá-los em relação ao que se pretende ganhar, pesar o chamado custo-benefício, e optar ou não pelo enfrentamento. Isso é o que todo homem de negócios faz a todo instante.

No caso específico da transferência de poder, o que se tem a ganhar?

Em primeiro lugar, tempo... o precioso tempo do empresário, que precisa ser aplicado em decisões estratégicas. Ou seja, decisões que não dizem respeito a rotinas operacionais do seu negócio, mas a definições relativas a melhoria de resultados, a crescimento e expansão, a novos negócios, a posicionamento no mercado, etc.

Essas decisões, que são fundamentais, só você empresário pode tomar. As operacionais podem ser delegadas, com grande alívio, para que você tenha tempo de pensar no “grande”.

Mas é possível delegar o poder para qualquer empregado? Claro que não! Há determinadas condições que ele precisa ter demonstrado segurança antes de receber essas responsabilidades. Por exemplo: confiabilidade. É preciso que você já tenha confiança nele. Confiança na sua honestidade, nos seus princípios, no seu caráter. Mas também confiança na competência que ele tenha, pela experiência de tratar com os assuntos sobre os quais agora irá decidir.

Será preciso também que ele conheça bem as diretrizes e objetivos do negócio, os valores que você imprimiu na organização, as normas que devem ser seguidas.

Mas é preciso também que ele tenha iniciativa, ou seja, coragem de ousar. Sem isso, ele será apenas um “tomador de conta”, que não vai ajudar muito. E é aí que entra o negócio de tolerar o erro, quando a decisão foi sensata e dentro das normas.

Mas então já começamos a falar das condições que você, empresário, deve ter, para trabalhar com esse moderno sistema de gestão. É preciso ter um mínimo de organização, que lhe permita acompanhar os resultados do seu auxiliar. Quem recebe (e tem) responsabilidade, quer ser acompanhado, para ter certeza de que o chefe está vendo seu bom trabalho. Isso pode ser feito em momentos certos, quando você vai conferir se as metas foram cumpridas, se os resultados estão indo dentro do esperado.

É necessário também estimular a motivação do auxiliar para que ele sempre queira se superar nessas metas e resultados. Do mesmo modo é preciso refletir com ele sobre o que não vai bem, buscando as razões e as soluções. Acima de tudo é preciso acreditar que outras pessoas são capazes de fazer essas coisas tão bem, ou até melhor do que você. E essa é talvez
a parte mais difícil!

Nada disso, entretanto, se faz da noite para o dia. É preciso que haja um processo de aprendizagem, em que o empresário e seus auxiliares possam aprender o “como fazer” essa mudança sem traumas para eles, nem para a Organização.

Mas também não lhe aconselho a se demorar muito nesse processo. Já passou quase a primeira quarta parte do século 21 e o mundo, cada vez mais, pertence aos rápidos e decididos.

Raymundo Dantas é escritor e palestrante, especializado em Marketing no Varejo, com Mestrado na Espanha. raymundo_dantas@uol.com.br

Publicidade
Vilas Magazine© 2013. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por: Webd2 - Desenvolvimento Web