Aborrecimento

Chega a ser desrespeitoso com as comunidades sofridas deste município, “do outro lado” da Estrada do Coco, afirmar que temos o melhor padrão de vida entre as cidades de médio porte de todo o país. Regiões inteiras de Lauro de Freitas lutam diariamente com dificuldades que começam na insuficiência ou mesmo ausência de transporte público, passam pela falta de serviços essenciais, como a distribuição domiciliar de correspondência e terminam nos índices de violência dignos de uma guerra civil – sem ponta de exagero.

Ainda em setembro a cidade viveu dias de pânico em torno de boatos que levaram o comércio a baixar as portas mais cedo, faculdades e escolas a cancelar aulas e trabalhadores a voltar mais cedo para casa, enquanto um iluminado em São Paulo lia estatísticas sem nunca, provavelmente, ter posto os pés em Lauro de Freitas – a não ser, talvez, a caminho de um resort no litoral norte baiano.

O crônico índice de desemprego da Região Metropolitana de Salvador, sempre o maior do país, é o dado final que desaconselha festejos em torno do suposto padrão de vida local. Mas o que é a realidade diante da fantasia? Mero aborrecimento. 

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