Apelo à pacificação

Apelo à pacificação
O apelo à conciliação que se segue a qualquer processo eleitoral é ainda mais importante este ano, dada a extrema tensão entre opostos que marcou a campanha política e a vida das pessoas.
Para o governo do Estado, Lauro de Freitas repetiu o comportamento da Bahia, dando vitória por larga margem a Rui Costa (PT), com 74% dos votos válidos da cidade – incluindo um virtual empate com Zé Ronaldo (DEM) em Vilas do Atlântico, Miragem e Buraquinho. As demais regiões da cidade votaram maciçamente no candidato do PT.
 
Mas a grande clivagem nacional que se produziu entre esquerda e direita está reproduzida na votação de Lauro de Freitas para a Presidência da República. As urnas onde geralmente votam os moradores de Vilas do Atlântico, Miragem e Buraquinho claramente preferiram Jair Bolsonaro (PSL), numa razão de 50% dos votos no primeiro turno, com Ciro Gomes (PDT) em segundo lugar e Fernando Haddad (PT) em terceiro.
 
Todas as outras regiões da cidade deram preferência ao candidato petista, que acabou recebendo 49,3% dos votos válidos de Lauro de Freitas, contra 30,5% para Bolsonaro e 10,9% para Ciro Gomes. Nada indica que no segundo turno a distribuição de votos por região tenha sido alterada. Haddad terminou com 65,5% e Bolsonaro 34,3%.
 
A diferença de preferências entre os eleitores de Lauro de Freitas reflete claramente as divergências nacionais, num microcosmo que recomenda, localmente, este apelo à conciliação e à pacificação. Agravando o cenário local estão os desafios da segurança pública, mais profundos na nossa cidade do que na grande maioria do país. Independentemente das políticas que venham a ser estimuladas pelo governo federal daqui em diante, é fundamental levar isso em conta.
 
Ainda no próprio dia da votação de segundo turno, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli fez questão de se pronunciar, de forma inédita, sobre as obrigações constitucionais do Presidente da República, destacando o dever de tratar todos como iguais, nunca discriminando quem quer que seja.
 
Como um todo, a sociedade de Lauro de Freitas precisa estar atenta, preservando a necessária convivência entre as comunidades, exercitando sempre, além de tolerância, a legalidade e a solidariedade, que são princípios constitucionais. A ninguém aproveita o extremar de posições e é preciso que a vida siga – para todos.
 
Educação para o trânsito
Os novos radares “inteligentes” são um acréscimo importante para a organização do trânsito e da segurança pública em Lauro de Freitas, mas não são suficientes para resolver o caos em que se transformou o tráfego da cidade. É necessário pensar em campanhas educativas que efetivamente mudem a atitude dos motoristas.
 
Necessário também garantir alguma presença dos agentes de trânsito nas ruas que produza resultados. Não basta permanecer numa esquina qualquer de braços cruzados. O cruzamento de vias sem semáforo grita pelo auxílio deles para organizar o trânsito, uma vez que o direito de preferência é perfeitamente ignorado na cidade.
 
Caos urbano
É inadmissível que Lauro de Freitas continue a ser entulhada por empreendimentos residenciais de grande porte, concentradores de tráfego de veículos e pessoas, ampliando a já enorme desordem urbana. Desenvolvimento não é comprometer e sacrificar a qualidade de vida das pessoas, com a viabilidade da cidade. Aumentar a densidade urbana é o oposto de desenvolvimento, é destruir a cidade.
 
O caso dos novos condomínios do Jóquei Clube é particularmente acintoso. Não só estão sendo erguidos na vizinhança de outro futuro empreendimento de grande porte e da Unime, dois polos de atração de trânsito e pessoas, como ainda vieram ocupar uma área que até 2012 estava classificada pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Municipal como Zona Especial de Interesse Ambiental.

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