Cidades inteligentes

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colunista para a vilas magazine

O conceito de cidade ou comunidade inteligente é bem amplo. Está relacionado com os avanços tecnológicos através de conexões entre cidadãos, instituições e equipamentos, com o objetivo de aproveitar ao máximo os recursos disponíveis, alcançando uma melhor qualidade de vida de maneira sustentável.

Segundo o Relatório Mundial das Cidades, publicado pela ONU-Habitat, em 2022, a população mundial urbana continua crescendo. A estimativa é que passe de 56% do total global em 2021 para 68% em 2050. No mesmo ano, dados do Censo, divulgados pelo IBGE, revelaram que Lauro de Freitas apresentou crescimento populacional de 24,4% nos últimos 12 anos, ocupando o sexto lugar em número de habitantes e o primeiro, em densidade demográfica, dentre os 417 municípios da Bahia.

O rápido crescimento das cidades exige, portanto, um planejamento estratégico a curto prazo por parte dos atores municipais.

E não há justificativas para que as cidades não se modernizem a ponto de obterem melhores resultados na prestação dos serviços públicos, afinal, enquanto elas crescem em população, o mundo parece estar ficando pequeno, ao menos diante de um celular. Ao tempo em que a tecnologia nos aproxima de pessoas, informações e lugares, com velocidades cada vez maiores, surge, consequentemente, novas possibilidades também para a gestão pública acompanhar estes avanços.

Se, por um lado, a terrível experiência da pandemia, vivida diariamente durante cerca de dois anos, nos deixou marcas negativas, como a perda de muitas vidas, desestruturação econômica, distanciamento social e até mesmo familiar, por outro lado, intensificou a utilização de ferramentas digitais, transformando a maneira como nos relacionamos, consumimos, produzimos, estudamos e trabalhamos.

Graças às tecnologias digitais mais acessíveis, questões como a mobilidade, a segurança, a educação, saúde e geração de empregos, entre muitas outras, podem ser planejadas de forma integrada, aprimorando experiências aplicadas em diferentes cidades ao redor do mundo.

Hoje, um bom planejamento urbano considera soluções com tecnologias adequadas já disponíveis, para uma governança inovadora e interativa, aproximando gestores, legisladores e sociedade civil, elevando o nível da administração pública para um patamar de qualidade através de mecanismos de controle social, garantindo a transparência, participação e efetividade. Tudo em favor de uma melhor prestação dos serviços públicos para a população.

Os sistemas de Educação a Distância (EAD), bibliotecas digitais, vídeos conferências, veículos elétricos, com pontos de recarga em condomínios residenciais e comerciais já são uma realidade e permitem um crescimento econômico sustentável através de tecnologias e energias limpas.

Os avanços chegam de forma tão rápida que mal percebemos tantos exemplos de modernidade como a implantação de estações de bicicletas de uso compartilhado e que já estão sendo incrementadas, gradualmente, pelas opções movidas a eletricidade, em substituição também aos veículos movidos a tração animal.

Os antigos postes, que apenas serviam como pontos de iluminação, hoje agregam câmaras de monitoramento, contribuindo com a segurança pública, sensores de velocidade para os veículos e sinal de internet via Wi-Fi, em alguns municípios, fornecido gratuitamente, tudo alimentado por fonte de energia solar.

Com mais acesso às informações e um plano de trabalho integrado, envolvendo os diversos atores da sociedade, será possível destinar melhor os recursos públicos, investindo e estimulando a formação do capital humano para encarar os desafios já postos e os grandes saltos tecnológicos que ainda estão por vir.

Hendrik Aquino é designer, jornalista, especialista em planejamento urbano e gestão de cidades pela Unifacs, e gestor de projetos pela Unijorge.

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